Os britânicos estão chegando
BD Network anuncia planos para o Brasil e The Viral Factory fecha duas parcerias em São Paulo
A agência britânica de serviços de comunicação BD Network tem planos de desembarcar no Brasil nos próximos meses. Neste momento, ela participa de uma concorrência promovida por um de seus clientes que precisará de atendimento também no mercado brasileiro. Caso ganhe a verba, a BD abrirá seu escritório em São Paulo dentro de no máximo três meses. Mas mesmo que não saia vencedora, a vinda da agência para o Brasil é um plano sem volta, ainda que demore um pouco mais para ser concretizado. “Já temos escritórios em Londres e Melborne, mas os planos para os próximos anos são de crescer para outros países. Queremos ser uma rede global. E para isso, precisamos ir onde as oportunidades estão. E este é o caso do Brasil”, afirma Darren Smith, sócio e diretor comercial da BD Network.
A empresa tem um posicionamento de marketing integrado, oferecendo serviços que passam por ações mobile, planejamento e criação. Com seus 40 funcionários em Londres, trabalha para
Coca-Cola, Unilever e outros clientes de grande porte. “Queremos dobrar o tamanho da agência em três anos e vamos buscar, no Brasil, os clientes e profissionais certos para fazermos grandes trabalhos e que nos ajude a atingir este objetivo”, relata. A agência também tem planos de longo prazo para operar em outros países da Europa, como França, bem como Ásia e América Latina.
O anúncio da vinda da BD Network ao Brasil ocorreu praticamente ao mesmo tempo em que outra empresa britânica, a The Viral Factory, fechava acordos operacionais com a iThink e com a Volcano Hotmind (leia box).
Maior interesse
O fato de duas agências britânicas anunciarem novidades para o Brasil na semana passada está longe de ser uma coincidência. Pelo contrário: faz parte de um processo que toma corpo já há alguns anos e que ganhou caldo especialmente nos últimos 12 meses. As empresas britânicas de todos os segmentos ampliaram seu interesse em entrar no Brasil e isso tem refletido no segmento publicitário.
Outra novidade que deve ser revelada oficialmente em breve é a vinda da produtora britânica Stink que, em parceria com a argentina Landia, abrirá uma produtora no Brasil. Além disso, há mais de dois anos a Mother mapeia o mercado brasileiro, mas até agora não encontrou a oportunidade certa. Seus executivos já apontaram o modelo nacional como uma grande barreira para o tipo de agência a que ela se propõe.

Segundo dados da UK Trade & Investment, departamento do governo britânico que auxilia empresas a buscarem negócios no exterior, entre janeiro e setembro de 2011, houve um movimento 60% maior de companhias interessadas em entrar no Brasil, em comparação com o mesmo período no ano passado. “Se compararmos 2007 com 2010, já havia ocorrido um aumento de 500% em empresas interessadas em nossos serviços para entrar no Brasil. E existe uma tendência de crescimento ainda maior, por conta da experiência das empresas britânicas com os Jogos Olímpicos de Londres. Nosso expertise pode ser muito útil para os Jogos de 2016 no Rio de Janeiro”, afirma John Doddrell, cônsul-geral do Reino Unido em São Paulo e responsável pelo UK Trade & Investment no Brasil. Segundo ele, o departamento cuidou de 1.500 serviços a empresas britânicas interessadas em alguma ação no País somente neste ano.
Segmentos como energia e infraestutura concentram uma parte considerável dos negócios gerados, mas a publicidade começa a despontar, até por seu caráter de indústria criativa. “Reino Unido e Brasil tem talentos em comum em segmentos como moda, design e comunicação, além de uma grande capacidade de inovar. O relacionamento nestes mercados irá aumentar muito nos próximos anos”, afirma.
A UK Trade & Investment trará em novembro ao Brasil uma missão britânica com representantes dessas indústrias criativas. “O mercado brasileiro se tornou de alta prioridade no Reino Unido, porque ele vai bem, enquanto o resto do mundo enfrenta problemas econômicos”, resume Doddrell.
Marcelo Trípoli, fundador e CEO da iThink, acredita que o interesse dos britânicos no mercado brasileiro tem a ver com o modelo das agências de lá, que começa a fazer mais sentido em nosso País. “As independentes britânicas começam a olhar para o Brasil porque elas perceberam que os anunciantes daqui têm demandado um trabalho que elas fazem bem, que vai além do tradicional. Elas se posicionam hoje mais como consultorias de negócios do que como criadoras de peças para cada um dos meios”, frisa.
Cinco meses após sua vinda ao Brasil para iniciar negociações de entrada no País, Matt Smith, CEO da The Viral Factory, optou por um modelo de acordos operacionais, deixando de lado, pelo menos por enquanto, as opções de abertura de escritório próprio ou compra de ações de agências locais. A empresa britânica firmou parcerias estratégicas, sem troca de ações, com a agência digital iThink e a produtora Volcano Hotmind. “A ideia de ir para o Brasil se baseia em dois fatos. Primeiro, existe uma grande atividade online e as pessoas passam muito tempo na internet. Além disso, é um País de população muito grande e com um ótimo ambiente para se fazer negócios”, explica Smith.
A The Viral Factory criará os vídeos virais para os clientes da iThink e a produção ficará a cargo da Volcano. “Alguns de nossos trabalhos serão feitos parte no Brasil e parte em Londres”, detalha Luiz Evandro, designer de inovação e diretor de cena da Volcano. “Podemos combinar nossa estratégia de criação de plataformas e marketing de engajamento, que é algo que começa pequeno e ganha volume com o tempo, com o expertise deles em virais, que geralmente começa causando grande repercussão e cai com o tempo”, aposta Marcelo Trípoli, fundador e CEO da iThink.
O acordo também prevê que a iThink represente a britânica em trabalhos em parceria com outras agências brasileiras. Por outro lado, Trípoli não mudou seus planos de vender a iThink. Ele diz que mantém conversas com quatro interessados estrangeiros e que pretende anunciar nova parceria com um deles em breve.
