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Amos Genish deixará comando da Vivo

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Amos Genish deixará comando da Vivo

Anúncio da saída no final de 2016 ocorre dois dias após reportagem da Época Negócios envolver a esposa de Genish no “caso Vivo”; seu substituto será Eduardo Navarro, atual chief commercial digital officer

Sérgio Damasceno
10 de outubro de 2016 - 0h25

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Amos Genish assumiu como CEO da Telefônica Vivo quando o grupo espanhol adquiriu a GVT, da qual o executivo era acionista e também CEO (foto: Celina Filgueiras)

Atualizado às 11:27

Comunicado oficial da Telefônica Brasil distribuído na noite deste domingo, dia 9, anuncia que Amos Genish deixará no final do ano o cargo de presidente e CEO, que ocupa desde maio do ano passado. A partir de 1º de janeiro de 2017 o posto passa a ser ocupado pelo brasileiro Eduardo Navarro de Carvalho, atual chief commercial digital officer e, desde junho, presidente do conselho da Telefônica Brasil. A troca de CEOs ocorre em meio a  desdobramentos do “caso Vivo“, que tem ganhado novos contornos desde a primeira divulgação pública, a demissão da ex-diretora de imagem e comunicação, Cris Duclos. O comunicado diz que Amos tomou a decisão de deixar a empresa, após 18 meses como CEO, “por razões pessoais”.

Na empresa desde 1999, Eduardo Navarro é um dos principais executivos da Telefónica, na Espanha, e responde por toda a estratégia comercial da divisão digital do grupo. Antes, foi consultor da McKinsey e começou sua carreira como engenheiro na indústria siderúrgica, no Grupo Arbed.

Segundo o comunicado oficial, Amos informou sua decisão de sair ao Conselho de Administração da Telefônica Brasil, que, por sua vez, aprovou em reunião na sexta-feira, dia 7, a criação do Comitê de Estratégia, presidido por Amos, que se manterá como conselheiro.

Na manhã desta segunda-feira, 10, durante conferência com analistas internacionais, questionado quanto à velocidade do processo de anúncio – incomum para uma empresa do porte da Telefônica Vivo –, Amos afirmou que sua saída já vinha sendo conversada há meses, uma vez que havia cumprido sua principal missão: a da integração entre as empresas após a aquisição da GVT. “É um trabalho que desenvolvo há 20 anos. Quero ter mais tempo para novas ideias, passar mais tempo com a família e pensar em novos desafios”, afirmou. De acordo com o executivo, a antecipação do comunicado de sua saída foi tomada de forma emergencial, com o temor de que a decisão vazasse para a imprensa, uma vez que foi procurado por um jornalista para confirmar tal informação, na quinta-feira 6.

O anúncio da saída de Amos ocorre apenas dois dias após reportagem da revista Época Negócios envolver a sua esposa no “caso Vivo”. A revista narra um desentendimento entre Heloísa Genish, que até junho era diretora de gestão responsável e sustentável da empresa, e Cris Duclos, demitida em junho sem justa causa e com indenização. “No início do ano tivemos problemas, quando Heloísa me comunicou que iria precisar da verba utilizada pela Vivo no patrocínio do torneio de tênis Brasil Open”, afirmou Cris à reportagem da Época Negócios. Heloísa pretendia direcionar para projetos culturais a verba de R$ 3 milhões prevista para patrocínio do evento esportivo, o que acabou acontecendo. A revista conta ainda que Heloísa e Cris deixaram a Vivo na mesma época, com a homologação de ambas sendo feita no mesmo dia. À Época Negócios, a Vivo informou que Heloísa pediu demissão “por questões pessoais” – a revista adiciona que, oficialmente, a informação interna dava conta de um problema de saúde.

Entenda o “Caso Vivo”
No dia 9 de junho, Cris Duclos foi demitida da Vivo, onde atuava desde 2008 e ocupava o posto de diretora de imagem e comunicação. Desde o dia 21 de julho, ela e seu marido, o publicitário Ricardo Chester, atual diretor de criação na AlmapBBDO, estão envolvidos publicamente em um suposto caso de corrupção privada contra a empresa de telefonia, que teria sido praticado em conluio com agências de publicidade e outros fornecedores de marketing. Naquela data foi publicada pelo Valor PRO, serviço de notícias em tempo real por assinatura do jornal Valor Econômico, a primeira reportagem sobre o caso, que nas semanas anteriores era um tema bastante comentado nos bastidores do mercado. Diversos blogs e outros veículos de mídia, inclusive do exterior, passaram a noticiar o assunto. Em geral, baseados em informações de fontes informais, publicaram que Cris Duclos foi demitida após o CEO da Telefônica Vivo, Amos Genish – egresso da GVT e no cargo desde maio do ano passado –, ter determinado investigação interna que teria comprovado desvios financeiros em contratos da área de marketing. Algumas reportagens, como as da rádio Jovem Pan e da TV Bandeirantes, disseram que o caso havia gerado rombo de R$ 27 milhões. Chester foi envolvido na polêmica acusado de receber propina através de seu contrato com a Africa, uma das agências que atende a conta da Vivo e onde ele atuou entre 2012 e 2014.

Apesar da repercussão, com exceção de comunicados oficiais lacônicos, nenhum diretor da Telefônica ou de qualquer outra empresa que trabalha com o anunciante falou publicamente sobre o assunto. A única manifestação pública da Telefônica foi uma resposta formal à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que, baseada em reportagem do Valor Econômico, questionou a empresa sobre a auditoria interna. Na resposta, do dia 26 de julho, a área de relações com investidores da Telefônica disse que auditorias e revisões em procedimentos e contratos são “atividades rotineiras”, mas negou qualquer procedimento em curso “com as características referidas” na reportagem do Valor. Sobre a demissão de Cris Duclos, reiterou a “prática de não comentar questões dessa natureza”. Embora o caso tenha continuado na pauta de alguns veículos da mídia, a Telefônica se restringiu ao comunicado à CVM e não quis se pronunciar mais sobre o caso. O mesmo fizeram as três agências de publicidade que atendem a conta da Vivo. Africa, DPZ&T e Y&R assinaram comunicado conjunto, distribuído no dia 29 de julho, que se limitou a repetir a declaração da Telefônica à CVM.

No dia 13 de setembro, Cris Duclos entrou com ação judicial na 33ª Vara do Trabalho de São Paulo contra a Telefônica, pedindo reintegração de seu emprego e instalação de uma sindicância interna pela empresa. No dia seguinte, ela e o marido receberam a reportagem de Meio & Mensagem – no mesmo dia também falaram a outros veículos –, se disseram vítimas de boatos que ferem a reputação de ambos e até impedem a recolocação profissional de Cris Duclos e anunciaram as medidas práticas que tomaram para tentar resolver o caso. Até então, além da executiva ter atendido a reportagem do Valor antes da publicação inicial e de um post conjunto com o marido no Facebook no dia 29 de julho, eles também não haviam falado com a imprensa sobre o caso, que, segundo eles, trata-se de uma “luta pela reputação” do casal.

No dia 29 de setembro aconteceu a primeira audiência na justiça sobre o “caso Vivo”, encerrada com a quebra de uma cláusula de sigilo que impedia a divulgação da forma da rescisão do contrato entre a Telefônica Vivo e Cris Duclos. Com isso, tornou-se público que a demissão da executiva foi feita sem justa causa e com indenização. Para Cris, foi uma primeira vitória no que ela chama de “luta pela reputação”. “Como alguém é demitido por irregularidades e não é demitido por justo motivo? Isso prova que nada fiz de errado.” Os demais pleitos nesta ação judicial serão discutidos em uma próxima audiência.

“Antes de entrar na justiça, nós tentamos negociar amigavelmente com a Vivo. Os advogados ficaram semanas conversando, para que a Vivo se pronunciasse. Pedimos simplesmente uma declaração da empresa. Como não conseguimos, entramos com um pedido de liminar. Não se trata de uma briga com a Vivo, é um pedido formal, através da justiça, para que haja uma sindicância que eu, ou alguém que o juiz determinar, possa acompanhar. Meu objetivo é que sejam abertos os documentos, para provar que eu não fiz nada errado. Se existe alguma denúncia, alguma irregularidade, eu tenho o direito de saber para o contraditório. Se não houve nada, quero que a empresa se pronuncie. Essa história não foi encerrada, fica parecendo que foi abafada. Eu quero buscar a prova da minha inocência”, explicou Cris na entrevista concedida ao Meio & Mensagem no mês passado.

Para a ex-diretora, o fato da Vivo não negar de forma mais enfática as acusações contribui para o “alastramento do boato”, prejudicando sua reputação profissional e sua recolocação no mercado – segundo ela, pelo menos dois processos seletivos nos quais estava incluída foram interrompidos após o caso. Cris disse que fez diversos contatos com diretores da Telefônica e enviou e-mails inclusive para o CEO Amos Genish, pedindo que eles se pronunciassem publicamente, o que não aconteceu. “O Valor me disse ter ouvido a informação de fontes do alto escalão da empresa”, frisa ela. “Não houve descredenciamento de nenhum fornecedor, de nenhuma agência, não só de publicidade, mas de qualquer disciplina, e não houve nenhum código de ética feito. Se tinha uma irregularidade, um desvio, teria de ter mais alguém envolvido. Só sobrou eu nessa história? Onde está a irregularidade? Com qual fornecedor? Quem da equipe participava? Eu nunca negociava valores, o que era feito pela área de compras. Qualquer contrato da empresa era assinado por dois diretores e autorizado pelo jurídico. É um processo bastante rígido”, disse Cris.

Na entrevista do mês passado ao Meio & Mensagem, o casal também falou sobre outras duas acusações contra eles. Sobre a compra de um terreno no o condomínio Fazenda Boa Vista, no interior de São Paulo, que, segundo um blog, teria custado R$ 4 milhões pagos em espécie – fato que teria gerado a desconfiança do CEO da Telefônica Vivo, Amos Genish, que possui casa no mesmo local. Segundo Cris, o casal de fato comprou um terreno de 3 mil metros no condomínio, em outubro do ano passado, por R$ 1,6 milhão pagos com cheque administrativo, e incluiu a aquisição nas respectivas declarações de imposto de renda.

Sobre a acusação de ter sido contratado pela Africa após a agência vencer uma concorrência da Vivo, por salário acima do mercado, Chester diz que quando chegou à agência a conta já estava lá há anos. “Não tive salário milionário e coloquei duas condições para ir para a Africa: que a Vivo fosse consultada para saber se havia alguma restrição, porque a última coisa que quero na vida é atrapalhar a carreira da Cris, e que eu, em hipótese alguma, trabalhasse em campanhas para a empresa”. Segundo a reportagem da revista Época Negócios, de 2013 a 2014, Chester recebeu na Africa salário mensal de R$ 75 mil.

Além do processo judicial, Cris e Chester contrataram a auditoria financeira Grant Thornton, para analisar os seus ganhos e movimentações financeiras nos últimos cinco anos. “É uma iniciativa nossa para deixar claro que não temos absolutamente nada a esconder. Que o nosso patrimônio é compatível com o de um casal que guarda dinheiro há vinte anos. Contratamos a quinta maior auditoria do País, a fim de provar que não temos o produto desse absurdo dos R$ 27 milhões. Eu e minha mulher somos vítimas de uma coisa muito cruel. Temos provas de que somos vítimas de uma armação, cujos interesses nós desconhecemos. E, mais ainda, é uma coisa absurda que tudo isso seja comentado e até hoje não exista uma denúncia oficial, não há a cara de quem está falando isso, as três agências que atendem a Vivo continuam trabalhando para o cliente, que não reclama nada. Mesmo assim, as pessoas acreditam na boataria. O veneno circula, e nós não fizemos nada. Ter que falar da própria inocência é muito doloroso. A calúnia é muito danosa, nossa vida está de ponta cabeça e nós temos medo da perspectiva de futuro”, disse Chester. “Com a auditoria, que leva 15 dias, queremos provar que não houve recebimento de nenhum dinheiro ilícito. Nem R$ 1 mil, nem R$ 27 milhões”, acrescentou Cris. O casal está sendo assessorado pela Peixoto & Cury Advogados e pela Giusti Comunicação.







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