Globalização dos clubes
No meu último texto apresentei dados sobre o número de torcedores no Facebook dos clubes. E infelizmente nossos times tomam de goleada.
Esse resultado, muito aquém de nosso potencial, comprova que os clubes brasileiros devem de forma urgente pensar em estratégias consistentes para expandir seus mercados.
Sempre que falo sobre a necessidade de expandir as marcas dos clubes para o exterior, escuto que embora seja uma necessidade, enquanto a CBF, a Globo ou as Federações não fizerem algo, os clubes não vão conseguir realizar seus projetos.
Infelizmente essa resposta padrão é o grande entrave para o desenvolvimento de futuras estratégias, já que o tempo passa e cada vez mais clubes europeus fortalecem a presença global em mercados-chave, como a Ásia e a América do Norte.
O que os grandes clubes europeus provaram, é que um torcedor japonês, chinês ou tailandês pode ser tão rentável para seu negócio, como um espanhol, inglês ou italiano.
A Copa de 2014 nesse sábado terá seu pontapé inicial aqui no Brasil. Até julho de 2014 o mundo do futebol estará de olho no Brasil, resta saber se nossos clubes estão de olho no mundo.
Segundo pesquisa do site Sportingo, cerca de 3,3 bilhões de pessoas em todo o planeta se dizem torcedores de futebol e grande parte desse contingente de pessoas é apaixonada pela Seleção Brasileira, mas quando fala em clubes, nem citam nossos times.
Será que isso não representa uma oportunidade real para nosso mercado? Um projeto de globalização das marcas leva tempo e requer paciência e investimento contínuo.
Novos recursos estão chegando aos clubes, a dúvida é saber quais clubes estão dispostos a investir em suas marcas, especialmente em projetos de internacionalização. Infelizmente o que se vê hoje são clubes mais preocupados em contratar jogadores e pagar salários fora da realidade.
Até hoje não vi nenhum clube usar uma pequena parcela dos milhões de reais despendidos com futebol em projetos concretos de expansão geográfica dos negócios.
Isso é uma pena, mas ainda dá tempo de reverter essa situação, basta estratégia, visão de longo prazo e agressividade em projetos de marketing esportivo.
* Amir Somoggi é diretor de consultoria em gestão esportiva da BDO