Daniela Beyruti, do SBT: “Somos arquitetos do patrimônio vivo”
Presidente da emissora, que celebra 45 anos nesta quarta-feira, 19, fala que seu objetivo é seguir levando conteúdo às pessoas, em todas as telas

Presidente do SBT, Daniela Abravanel falou sobre os desafios de atuar em um cenário multiplataforma (Crédito: Rogério Pallata/SBT)
Nesta quarta-feira, 19, o SBT completa 45 anos de existência. O aniversário vem sendo celebrado há mais de uma semana, com algumas edições especiais de atrações que relembram importantes momentos e pessoas que fizeram parte da trajetória da emissora, fundada por Silvio Santos em 1981.
Como maior desafio neste momento, o veículo enfrenta a necessidade de encontrar – e solidificar – seu lugar em um cenário de consumo de mídia totalmente diferente de quando iniciou sua jornada na TV brasileira.
“As novas gerações demonstram grande afinidade com o ambiente digital. Por isso, trabalhamos para ampliar os vínculos com esse público sem renunciar aos diferenciais da TV aberta: credibilidade, confiança e curadoria editorial”, diz Daniela Abravanel Beyruti, que assumiu a presidência do SBT desde pouco antes da morte de Silvio Santos, que completou dois anos nessa última segunda-feira, 17.
Para o presente e futuro, a líder do SBT acredita que o veículo tem como trunfo uma marca reconhecida e confiável, que permitirá a continuidade da missão de levar entretenimento e informação ao maior número possível de pessoas, independentemente da tela.
Veja, abaixo, o que Daniela Abravanel Beyruti disse sobre os desafios e as projeções de futuro do SBT:
Meio & Mensagem: Em termos de negócios, programação e conexão com a audiência, como você avalia esse SBT que completa 45 anos agora?
Daniela Abravanel Beyruti: O SBT nasceu com a proposta de oferecer conteúdo relevante e atual e com DNA brasileiro. Essa essência não se perdeu e é justamente o que nos torna a TV mais querida do país. Seja por meio de produções próprias, seja em parceria com grandes players do mercado, buscamos entregar atrações de alta qualidade, incluindo reality shows, novelas, jornalismo e programas ao vivo que geram identificação genuína com o público. Para fortalecer vínculos, ampliar o alcance e manter o SBT cada vez mais presente na vida dos brasileiros, nós atuamos na televisão aberta dentro de uma realidade multiplataforma, consolidando uma marca reconhecida e confiável. Como presidente, meu objetivo é levar nossa programação ao maior número possível de lugares e espectadores, oferecendo a cada pessoa a liberdade de escolher onde, quando e como acompanhar nosso conteúdo. As novas gerações demonstram grande afinidade com o ambiente digital. Por isso, trabalhamos para ampliar os vínculos com esse público sem renunciar aos diferenciais da TV aberta: credibilidade, confiança e curadoria editorial. Nossa cobertura jornalística é cuidadosamente selecionada, nossas transmissões esportivas acontecem ao vivo e nosso entretenimento cumpre o papel de divertir.
M&M: Quando o SBT entrou no ar, há 45 anos, os principais concorrentes eram as demais emissoras de TV aberta. Hoje, a atenção do público é disputada por diversos meios e telas. Como é possível seguir captando a atenção dessa audiência tão fragmentada?
Daniela Beyruti: Nos anos 1980, os meios de comunicação eram todos offline e o público televisivo costumava ser totalmente familiar, com todos em torno do aparelho na sala e fiéis à programação, já que a TV aberta era um dos poucos recursos de entretenimento. O advento das plataformas digitais provocou uma inevitável dispersão da audiência e, agora, a TV linear tradicional passa a disputar público com canais pagos, serviços de streaming, vídeos em redes sociais, conteúdos curtos e o consumo via celular. O que permaneceu inalterada é uma verdade inquestionável: a transmissão ao vivo chega primeiro na TV aberta, a experiência coletiva não cabe na tela pequena de um smartphone e o conteúdo inédito, com credibilidade e bem-produzido continua prevalecendo. Nós, no SBT, acreditamos sobretudo na grande força de nossa marca e na conexão construída junto à nossa audiência por diversas gerações.
M&M: Como espera ver o SBT nos próximos 5 anos?
Daniela Beyruti: A televisão, no Brasil e no mundo, vive uma era de grandes transformações, impulsionada por novas tecnologias e pela força dos grandes players. Isso não diminui em nada a nossa capacidade de contar histórias e construir sonhos. Seja em cinco ou 50 anos, o SBT preservará seu legado, os valores de credibilidade, sua cultura e o dom de alegrar enormes parcelas do público. Gosto de dizer que não nos posicionamos como meros produtores de conteúdo — somos arquitetos de um patrimônio vivo, criado para viajar o mundo, habitar todas as plataformas e unir pessoas. Esse é nosso propósito e missão. Se Deus quiser, continuaremos a levar emoções à audiência, divertir e informar com responsabilidade. Queremos crescer junto aos brasileiros, ser presença constante em suas vidas e inspirar o futuro que construiremos juntos.