Jornalismo

El Niño amplia relacionamento de veículos com audiência e marcas

Publishers especializados usam interesse do público para criar novos produtos de conteúdo e oportunidades comerciais

i 24 de setembro de 2026 - 6h00

Previsto para durar até fevereiro de 2027, o fenômeno climático El Niño trará diversas consequências econômicas ao reduzir a produção de alimentos e pressionar a inflação nacional e global. Veículos de comunicação especializados, no entanto, veem a audiência aumentar na busca do público por informações precisas sobre os impactos das mudanças climáticas. Além de combater o alarmismo, tais marcas visam transformar os picos de interesse em relacionamentos duradouros com o público e as marcas.

El Niño

Veículos especializados ampliam e aprofundam cobertura climática e ambiental do El Niño (Crédito: FERNANDONASCIMENTO-stock.adobe.com)

Diferentemente de um acompanhamento da previsão do tempo comum, tais fenômenos climáticos, pela sua magnitude, mobilizam grande interesse do público. Esse interesse é causado pela forma como o El Niño se manifesta e as consequências na segurança do público, na economia e no consumo.

A audiência é abrangente: desde donos de negócios, que levam a previsão como fator estratégico para decisões, até pessoas com interesses individuais ligados à rotina.

Assim, o Climatempo trabalha em materiais que expliquem o fenômeno para diferentes audiências, trazendo especificidades de cada uma delas, como os setores de energia, agronegócio, varejo, infraestrutura e mineração. “O El Niño pode significar uma coisa para o consumidor final, outra para uma empresa de energia, outra para o produtor rural e outra para o varejo. Nosso papel é transformar a complexidade da ciência do tempo e do clima em informação útil para cada uma dessas audiências”, explica o head de marketing e growth da Climatempo, Caetano Mancini.

Já o ClimaInfo produz conteúdo a partir de lacunas da cobertura da grande imprensa. “Acreditamos que não é nosso papel cobrir as consequências de cada evento climático extremo. A grande imprensa e a imprensa local já fazem isso muito bem”, afirma o diretor do ClimaInfo, Délcio Rodrigues. O veículo aposta em informações regionalizadas e a serviço da população que precisa reconstruir sua vida, como os governos e prefeituras se preparam para o enfrentamento do El Niño e como acessar programas e benefícios para os afetados.

Para o El Niño, no entanto, as empresas criaram novos produtos jornalísticos focados no fenômeno. O Climatempo produz a websérie El Niño para seu canal no YouTube, através da qual desmistifica especulações com fatos científicos para ajudar na compreensão do fenômeno, evolução e possíveis impactos. “Entendemos que nosso papel como empresa especializada é ajudar a audiência a separar evidência científica de especulação”, justifica Mancini.

Inovações em conteúdo

O publisher também criou um Comitê de Eventos Extremos, formado por especialistas que são acionados para transformar informação técnica em comunicação de serviço e distribuí-la pelo ecossistema da empresa, que é formado, além da operação de mídia e conteúdo, por uma consultoria de inteligência climática aplicada a diversos segmentos. A área de prestação de serviços realiza workshops, webinars, palestras e conteúdos verticalizados para as empresas clientes, como Leroy Merlin e Engie.

Para além de produzir conteúdo informativo sobre o El Niño e demais eventos climáticos, a proposta do ClimaInfo dialoga com outros publishers. A organização envia boletins semanais com alertas gerais sobre o desenvolvimento do El Niño para a imprensa regional e grandes grupos. Adicionalmente, o ClimaInfo realiza uma série de entrevistas com especialistas em clima, meteorologia e economia para seu canal no YouTube.

A cobertura do El Niño gera aumento em engajamento em redes sociais e no tráfego do site, diz Rodrigues, do ClimaInfo. Os veículos aproveitam o interesse do público sobre o El Niño como porta de entrada para a construção de relacionamentos recorrentes e a longo prazo com a audiência ao se posicionar como uma fonte confiável sobre o tema e que entrega contexto e relevância.

Por se tratar de um portal de notícias mantido por uma organização sem fins lucrativos, o ClimaInfo visa converter o público que busca informações sobre o El Niño em assinantes de sua newsletter.

Além da alta procura por informação, Mancini, do Climatempo, observa maior intenção na busca por informações. “A pessoa deixa de procurar somente se vai chover amanhã e passa a querer entender por que isso está acontecendo, quanto tempo pode durar, se sua região será afetada e como isso pode impactar sua rotina ou decisões”, avalia.

O veículo busca direcionar o interesse do usuário para que faça um cadastro e navegue de forma logada no site, propondo uma experiência personalizada, com informações de acordo com localização, interesses e contexto de cada usuário. Assim, a empresa também coleta mais dados e passa a entender melhor o comportamento da audiência. “Não vemos eventos como o El Niño apenas como potenciais geradores de picos de audiência. Eles evidenciam o valor de construir uma relação contínua de utilidade, personalização e confiança com a informação climática”, diz Mancini.

Oportunidades comerciais

A audiência, ao buscar compreensão aprofundada sobre o tema, torna-se mais ativa e dedica maior atenção ao conteúdo e ao portal ou redes sociais onde consome as notícias. A relevância da informação acaba gerando oportunidades comerciais. Para Rodrigues, do ClimaInfo, o interesse maior da audiência no El Niño abriu espaço para novas parcerias com organizações científicas e governamentais.

Para , do Climatempo, eventos extremos não são vistos como oportunidades comerciais diretas, mas as marcas podem participar ao agregar valor e utilidade nos momentos críticos. A empresa usa a inteligência de dados sobre os usuários para direcionar as mensagens mais adequadas ao contexto e local da audiência.

Comercialmente, o Climatempo usa acontecimentos meteorológicos para ativar campanhas. Quando começaram ondas de frio, o portal realizou uma campanha para Benegripe no TikTok. A empresa notou aumento na demanda por workshops, conteúdo especializado e dados e informações climáticas para clientes. Climatempo faz a produção de releases para empresas como CPFL e EDP e realizou um workshop para jornalistas especializados a convite da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee). “De um lado, transformamos clima em contexto para pessoas e marcas. Do outro, transformamos clima em inteligência para negócios. E essas duas pontas se retroalimentam”, afirma Mancini.