Mídia

EUA perdem 200 mil usuários de TV paga

No último trimestre, 193 mil assinantes abandonaram a TV por assinatura no cabo e no satélite

i 12 de agosto de 2011 - 4h02

Enquanto no Brasil o setor de TV paga celebra o crescimento (deve chegar a 12,5 milhões de assinantes até o final do ano, numa expansão de quase 20%), nos Estados Unidos, com a perda de 23 mil assinantes da Cablevision e de 135 mil da Dish Network, no segundo semestre, a indústria de TV por assinatura fecha o período com quase 200 mil assinantes a menos no segmento. Na soma de todas as empresas, são 193 mil assinantes que cancelaram o serviço. Em geral, a saída de usuários da TV a cabo é compensada pelo crescimento da base nos serviços via satélite (DTH) e internet (IPTV). Mas, isso não aconteceu no último trimestre.

Entre os oito maiores provedores de TV paga dos EUA, estão empresas como a Comcast, a Time Warner Cable, a DirecTV, AT&T e Verizon. Segundo a avaliação do mercado, a redução da base de assinantes do cabo e do DTH se deve, principalmente, em função do aumento da concorrência com as empresas de telecomunicações – Verizon e AT&T -, que são muito mais agressivas nos descontos.

No entanto, ao se detalhar os números, não parece que isso realmente explica as variações da TV paga: a AT&T conquistou 202 mil assinantes de vídeo no segundo trimestre e a Verizon somou mais 184 mil no mesmo período. Esse total de 386 mil novos assinantes não é muito diferente dos trimestres anteriores. Ao contrário, está abaixo dos 410 mil conquistados no primeiro trimestre deste ano e dos outros 440 mil novos usuários do último trimestre do ano passado.

Perda de valor

Portanto, se os assinantes não praticam o churn (troca voluntária) nas operadoras, o que acontece, exatamente? Esses usuários realmente se desconectam do serviço de TV paga, seja do cabo ou do DTH. E isso não significa exatamente migrar para as ofertas de streaming de vídeo de empresas over-the-top (OTT) – como o Google e a Apple. É por um motivo ainda mais negativo para os operadores de TV paga: o consumidor não vê muito valor nos pacotes de TV por assinatura e não está disposto a pagar TV paga e mais algum outro serviço para completar sua demanda.

E aí começa um círculo vicioso: as operadoras de TV paga começam a oferecer mais serviços – HD, canais premium, set-top box para DVR etc. – que, obviamente, são mais caros. E nem todo consumidor está disposto a gastar mais. A estratégia das operadoras em sacrificar assinantes de baixo valor (receita média baixa) em detrimento dos clientes que podem pagar um ticket maior pode se revelar um tiro no pé. Especialmente quando existem novas maneiras de se obter entretenimento, e a custos mais baixos, por meio de serviços de vídeo como Netflix e Hulu.

wraps