Novelinhas movimentam área comercial dos veículos
Com episódios curtos em formato vertical, microdramas atraem marcas e se tornam ativos importantes
Jade Picon estrela novelinha da Globo em movimento em direção aos microdramas (Crédito: Divulgação)
Acompanhar narrativas é algo que faz parte do cotidiano dos brasileiros há muito tempo.
De fato, as novelas ultrapassam as barreiras da TV e se tornam elementos culturais.
Contudo, com a ampliação das plataformas de vídeos curtos, as narrativas ganharam novo formato, os microdramas ou novelinhas.
O fenômeno que surgiu na China se tornou atrativo para espectadores e marcas e consolidou a relevância comercial.
Assim, foi o país que mais faturou nesse formato, segundo The Truth about Escapism o McCann Worldgroup, com dados de janeiro do ano passado, com US$ 9 bilhões em produções.
Embora o Brasil não esteja no top 5 nessa conta, que tem Estados Unidos (US$ 1,2 bilhão), Japão (US$ 400 milhões), Coreia do Sul (US$ 300 milhões) e Reino Unido (US$ 200 milhões) existe aconsolidação entre as marcas.
O Kwai, por exemplo, trouxe o formato para o Brasil em 2022 com o TeleKwai.
A plataforma afirma que o conteúdo concentra, aproximadamente, 20% de todo o investimento que é feito no Brasil.
Dessa forma, a rede social conta com o suporte de roteiristas profissionais, produtoras parceiras, como Endemol Shine Brasil, Porta dos Fundos e KondZilla, e agências especializadas.
Isso garante que o produto seja inserido com qualidade técnica e narrativa, sem perder a autenticidade que o público valoriza.
“O segredo está em respeitar a verdade da história e a inteligência do espectador. O brasileiro passa, em média, cinco horas por dia no celular e é extremamente sensível a conteúdos artificiais”, explica Vitor Yu, gerente-geral do Kwai for Business.
O executivo comenta, ainda, que para a empresa de vídeos curtos a adequação e a verdade do criador são prioridades.
Por isso, para o desenvolvimento de ações comerciais existe um processo rigoroso e estratégico de curadoria e homologação de agências e criadores parceiros no Kwai Creative Exchange, para garantir a manutenção do DNA da criação. “Há a total liberdade para ajustes”, diz Yu.
Veículos investem em novelinhas
Assim, atentos a esses movimentos e na intensa disputa pela atenção do público jovem, grupos de mídia considerados tradicionais também passaram a investir nesse formato.
De fato, no ano passado, o SBT lançou a série jovem Refollow, que marcou a entrada da emissora no segmento de séries verticais.
O conteúdo foi descrito como movimento de atualização do SBT frente às novas demandas de consumo de conteúdo digital.
A emissora apostou, ainda, em talentos formados na casa como forma de atrair o público cativo desses atores.
Conforme Alfonso Aurin, assessor da presidência do SBT, além de observar a tendência de consumo com preferências por narrativas curtas e seriadas, a emissora notou forte demanda publicitária por formatos mais integrados e nativos de plataforma.
O SBT considera o conteúdo vertical extensão natural da estratégia de streaming e distribuição digital.
Já a Globo apresentou, no final do ano passado, um line up de novelinhas verticais para TV e streaming.
O primeiro foi o Tudo Por uma Segunda Chance, escrito por Rodrigo Lassance, dirigido por Adriano Melo e protagonizado por Jade Picon.
Na verdade, com 50 episódios de até três minutos, a trama dialogava com novela das sete na ocasião, Dona de Mim, em lógica transmídia.
O outro lançamento foi Cinderela e o Segredo do Pobre Milionário, protagonizado pelo cantor Gustavo Mioto, que também tinha 50 episódios de até dois minutos.
Impacto financeiro
Para esse tipo de produção, a Media Partners Asia projeta que a receita anual do setor deve ultrapassar US$ 25 bilhões globalmente até 2030.
Já o valor de mídia para uma cota em microdrama na Globo chega a R$ 2,3 milhões, segundo dados do mídia kit da empresa, sem considerar eventuais descontos.
