SAÚDE

O impacto do GLP-1 nos negócios de Totalpass e Wellhub

Plataformas investem na ampliação da sua rede de parceiros e nas diferentes dimensões de bem-estar

i 11 de agosto de 2026 - 10h55

Enquanto a oferta de medicamentos injetáveis de agonistas do receptor GLP-1 cresce no Brasil com a aprovação de novos registros pela Anvisa, o impacto das canetas emagrecedoras já é sentido na cesta do consumidor.

TotalPass e Wellhub (Crédito: Reprodução)

TotalPass e Wellhub investem em abordagem ampla de bem-estar (Crédito: Reprodução)

Em uma pesquisa da Worldpanel by Numerator com mais de 15 mil entrevistas em nove mercados da América Latina e Central, incluindo o Brasil, 55% dos usuários afirmam ter reduzido o consumo de alimentos e bebidas após iniciar o tratamento. Além disso, 47% dizem ter diminuído outros gastos para manter a medicação.

Mas, o movimento não é marcado só por reduções. Além do investimento no medicamento, os usuários também destinam mais recursos a categorias relacionadas ao autocuidado. Os gastos com bebidas esportivas são 68% superiores aos da média da população, com energéticos 56% maiores.

Também crescem as despesas com cremes faciais (43%), shampoos, condicionadores e creme dental. O mesmo estudo revelou que, em apenas um ano, passou de 26% para 30% o percentual da população que se classifica como “health actives”, pessoas engajadas com a própria saúde, em tradução livre.

“Os usuários de GLP-1 não estão apenas reduzindo o consumo de determinados alimentos. Eles também estão aumentando seus gastos com categorias ligadas à energia, cuidados pessoais e bem-estar”, conta o diretor comercial e de estratégia de consumo da Worldpanel by Numerator, Rafael Couto.

Quem sai beneficiado, nesse processo, é o universo fitness. Plataformas de bem-estar corporativo, como Totalpass e Wellhub, enxergam um potencial de aceleração.

“Para o setor de fitness, isso representa uma oportunidade, porque a medicação não substitui os benefícios da atividade física, como ganho e preservação de força, melhora do condicionamento, mobilidade, autonomia e bem-estar emocional. Pelo contrário, esses aspectos tendem a ganhar ainda mais relevância para quem busca resultados sustentáveis”, aponta Renata Persona, diretora Latam de marketing e growth da TotalPass.

O CEO do Wellhub no Brasil, Ricardo Guerra, também faz uma leitura positiva: “Nós vemos o GLP-1 como um dos grandes aliados da mudança de comportamento pró-saúde, bem-estar e pró cuidar de si mesmo. Justamente porque o excesso de consumo de muitas outras categorias leva ao distanciamento das academias, das ferramentas de nutrição e assim por diante”.

Ampliação das modalidades  

Para a diretora de marketing e growth da TotalPass, essa transformação tem se conectado com a maneira como as pessoas usam a plataforma. Em vez de se concentrar em uma única atividade ou apenas na perda de peso, elas estariam buscando diferentes modalidades e objetivos, como fortalecimento muscular, mobilidade e condicionamento físico.

Ainda assim, a musculação segue como a principal escolha dos usuários e representa 75,9% das atividades registradas na base em 2026. A diversificação das atividades é estimulada pela TotalPass com funcionalidades como o Check-in Extra, que permite que os usuários elegíveis realizem duas atividades em um mesmo dia.

“A transformação provocada pelo avanço dos medicamentos à base de GLP-1 não exige que a companhia crie um produto vinculado especificamente a esse tratamento, mas confirma a importância de uma estratégia baseada em acesso, variedade e liberdade de escolha”, defende Persona.

Segundo a executiva, o foco da companhia é continuar ampliando sua rede e investindo em soluções que envolvam diferentes dimensões do bem-estar. A concorrente, Wellhub, também aposta no crescimento da sua rede de parceiros para acomodar a demanda por uma rotina mais saudável.

Preparação das academias

A companhia oferece uma linha de financiamento para parceiros que desejam ampliar sua operação. “Colocamos à disposição das nossas academias e parceiros um financiamento, com condições especiais, para melhorar a sua própria academia, expandir, abrir outra unidade. Porque, para o Wellhub, o mais importante é que o setor precisa ganhar dinheiro, ser lucrativo para que eles sigam multiplicando as suas redes”, aponta Guerra.

O executivo conta que, no universo das academias, já existe também uma preparação por parte dos parceiros para acomodar as necessidades desse público, seja na preparação dos profissionais ou com sistemas de métricas e bioimpedância para acompanhar o ganho ou perda de massa.

Ele também reforça a importância da variedade de modalidades não só como uma reposta ao comportamento do consumidor, mas como estratégia para sustentabilidade do negócio.

“Toda evolução do mundo wellness é relevante. É muito mais fácil uma pessoa que faz academia quatro, cinco vezes por mês voltar a ser sedentário do que uma pessoa que vai 10, 12 vezes por mês em duas ou três modalidades diferentes”, reflete.