Pesquisa

Turismo troca fotos perfeitas por conexão e presença humana

Pesquisa da Getty Images em 25 países aponta mudanças nas expectativas dos viajantes e oportunidades para as marcas

i 11 de agosto de 2026 - 7h49

Estudo da Getty Images aponta que viajantes valorizam cada vez mais experiências autênticas e conexões humanas (Créditos: FG Trade/Getty Images)

Estudo da Getty Images aponta que viajantes valorizam cada vez mais experiências autênticas e conexões humanas (Créditos: FG Trade/Getty Images)

Estudo da Getty Images, desenvolvido pela plataforma de inteligência visual VisualGPS com base em pesquisas realizadas em 25 países, mostra que os viajantes buscam cada vez mais conteúdos visuais focados em autenticidade, pertencimento e conexões humanas, em substituição a imagens idealizadas ou cartões-postais tradicionais.

Segundo o material “Como visualizar o turismo em 2026”, mais do que escolher um destino, os consumidores buscam experiências que expressem quem são ou quem gostariam de ser.

“O viajante não busca apenas admirar um lugar, mas se enxergar naquela experiência. As imagens deixam de representar apenas destinos e passam a comunicar identidade, estilo de vida e pertencimento”, afirma Samuel Malave, gerente de pesquisa criativa da Getty Images para a América Latina.

Oportunidades no esporte e equilíbrio tecnológico

A pesquisa registra um aumento de 48% nas buscas por imagens relacionadas a esportes e um crescimento de 500% nos termos “Copa do Mundo” e “Olimpíadas“.

No entanto, apenas 8% do acervo visual do setor de turismo retrata experiências esportivas, gerando uma lacuna de 92% entre demanda e oferta.

Com a realização da Copa do Mundo Feminina da Fifa 2027 no Brasil, a empresa aponta uma oportunidade para as marcas começarem a construir estratégias focadas em cultura local, gastronomia, comunidades e acolhimento. Segundo Malave, antecipar essa construção de narrativas oferece vantagem competitiva tanto na produção de conteúdo quanto no posicionamento das marcas.

O estudo também mostra que a tecnologia é vista como aliada da viagem: 54% dos entrevistados desejam aplicativos com recomendações personalizadas e 60% acreditam que recursos digitais ajudam a resolver desafios durante o percurso.

Por outro lado, 60% relatam sobrecarga pelo excesso de informações, 77% buscam mais conexões presenciais do que virtuais e 60% preferem imagens que retratem interação humana em vez do uso de dispositivos.

“A tecnologia atua de forma invisível nos bastidores para resolver desafios. Já a narrativa visual que realmente gera impacto segue a direção oposta: presença, descoberta, conexão e contato humano”, avalia Malave.

Sustentabilidade e o impacto visual no desempenho comercial

Do total de entrevistados, 76% entendem que marcas de turismo devem promover a conscientização social e ambiental, 82% gostam de gerar impacto positivo nas comunidades que visitam e 59% demonstram disposição para pagar mais por viagens sustentáveis.

Para o executivo, o alinhamento da escolha visual a indicadores de desempenho (KPIs) afeta diretamente a conversão comercial, criticando o recurso a soluções simplificadas diante da pressão de custos nas equipes de marketing.

“Uma imagem pode ser tecnicamente bonita e, ainda assim, apresentar baixo desempenho comercial. A diferença entre um conteúdo visual que apenas impressiona e outro que efetivamente converte é justamente o que nossa inteligência visual busca reduzir”, explica o executivo.

“Nesse ritmo, os elementos visuais acabam sendo tratados como a parte mais fácil de simplificar, recorrendo a imagens geradas por IA ou conteúdos ‘bons o suficiente’, simplesmente porque falta tempo ou orçamento. Tratar esse elemento como algo secundário não gera economia, apenas compromete a conversão que a marca buscava proteger”, conclui.