Reconhecimento no Oscar reposiciona audiovisual brasileiro
Validação internacional atrai players, mas exige ambiente estável para consolidar investimentos
O ano do Brasil no Oscar é a frase usada para descrever o recorde de indicações para filmes e profissionais brasileiros na premiação mais importante do cinema internacional, o 98º Academy Awards, que acontece em 15 de março. O Agente Secreto é indicado em quatro categorias e o brasileiro Adolpho Veloso disputa na categoria Melhor Fotografia no filme Sonhos de Trem.
O marco ganha uma dupla relevância na constatação de que é o segundo ano consecutivo em que o Brasil tem representantes na premiação e, no ano anterior, o País ganhou sua primeira estatueta em 97 anos de premiação na categoria de Melhor Filme por Ainda Estou Aqui.

Depois de ganhar seu primeiro Oscar com Ainda Estou Aqui em 2025, Brasil é indicado por O Agente Secreto (Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator e Melhor Direção de Elenco) e Sonhos de Trem em Melhor Fotografia pelo brasileiro Adolpho Veloso (Crédito: Divulgação)
Para a indústria audiovisual brasileira, a coincidência não é um acontecimento fortuito. O reconhecimento atual do audiovisual brasileiro é fruto de uma trajetória de anos dedicados à arte, como é o caso dos diretores Walter Salles e Kléber Mendonça, e decorrente de presença em demais festivais internacionais que formam o circuito do cinema mundial, como o de Cannes e Berlim, divide Andrea Barata Ribeiro, sócia e produtora executiva da O2 Filmes.
No entanto, a chegada de O Agente Secreto entre os finalistas em quatro categorias no Oscar coloca o Brasil e o audiovisual brasileiro em um novo patamar de visibilidade, pois atua como um validador de qualidade das produções nacionais.
“Tudo isso ajuda na consolidação do filme brasileiro. Sabemos e podemos fazer. E as indicações são a prova disso. O lugar a se ocupar não vem de uma hora para outra, é construído e filmes com a relevância de um Oscar, ajuda, sem dúvida, nessa construção”, afirma Andrea, da O2 Filmes.
A posição atrai o interesse de grandes players interessados no capital artístico no País e no engajamento de público que tais obras podem gerar. Em 2025, o público dos filmes brasileiros nos cinemas nacionais atingiu 10,3% de market share.
Para Rodrigo Teixeira, fundador da RT Features, há maior abertura para o talento brasileiro e maior interesse pelas histórias do País. “Existe sim interesse no cinema brasileiro para coproduções e distribuição internacional, só que antes de mais nada, os filmes precisam ser bons”, aponta.
Mesmo diante da conquista, não há uma perspectiva fechada sobre crescimento estável da indústria audiovisual nacional. Conforme Teixeira, as alternâncias entre governos com visões diferentes sobre cultura e arte prejudicam a continuidade de políticas de internacionalização, pois não fomenta um ambiente estável para o planejamento de exportar obras.

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Na sua avaliação, é necessário um aprimoramento do investimento público, a possibilidade do investimento privado fazer parte, e a desburocratização dos processos de financiamento. “Para manter o interesse do brasileiro ir ao cinema, a engrenagem tem que crescer, incentivos precisam existir, para desenvolvimento de projetos, formação de público, distribuição de filmes, e presença maior em salas de cinema, além de investimento para produção”, coloca.
