Opinião MWC

Wi-Fi 7 deve ampliar a experiência de banda larga no Brasil

Essa conectividade Wi-Fi onipresente leva a que os modelos de negócios dos provedores seja adaptado

Carlos Alberto Luz Roseiro

ICT Marketing Director, Huawei Brasil 3 de março de 2026 - 16h49

Durante anos, o mercado brasileiro de banda larga foi definido pela velocidade nominal. Provedores competiam para oferecer planos com mais megabits por segundo, e consumidores escolhiam seus serviços com base nesse número. Agora, esse modelo de negócios está passando por uma transformação. A conectividade está deixando de ser avaliada apenas pela velocidade contratada para ser mensurada pela experiência efetiva entregue ao usuário.

Essa mudança é o foco do white paper “Desenvolvimento da Indústria de Wi-Fi no Brasil”, lançado durante o Mobile World Congress Barcelona na segunda-feira. Trata-se de um estudo inédito sobre a evolução do Wi-Fi, os desafios para seu desenvolvimento e as perspectivas nos próximos anos. Atualmente, o país tem cerca de 47 milhões de acessos de banda larga fixa e o Wi-Fi está presente em 91% dos domicílios e negócios conectados, consolidando-se como o principal meio de acesso à internet no ambiente interno.

Esse cenário reflete o papel crescente da conectividade na economia. O mercado de Wi-Fi no Brasil já alcança US$ 124 bilhões, evidenciando sua relevância para atividades produtivas, serviços digitais e operações empresariais. Isso significa que a qualidade da rede sem fio deixou de ser apenas uma questão técnica e passou a influenciar diretamente a competitividade econômica.

Essa conectividade Wi-Fi onipresente leva a que os modelos de negócios dos provedores seja adaptado. O mercado está entrando em uma fase em que a “experiência real” do usuário é o principal fator de diferenciação. Isso ocorre porque, embora as velocidades contratadas continuem aumentando, o desempenho efetivo depende cada vez mais da qualidade da rede interna, responsável por conectar múltiplos dispositivos simultaneamente e sustentar aplicações de dados intensivas.

Essa transformação torna-se ainda mais relevante diante das metas de conectividade do país. O Brasil tem no seu plano Brasil Digital 2030 o objetivo de atingir, até 2030, uma cobertura universal com redes de velocidade Gigabit, criando as condições para uma nova fase da economia digital. Essa evolução depende diretamente da modernização das redes internas, capazes de suportar essa nova capacidade.

O impacto que esse desafio representa já é visível em setores críticos, como educação e saúde. Atualmente, apenas 39% das escolas brasileiras possuem conectividade adequada para uso pedagógico em sala de aula, enquanto 47% enfrentam quedas de conexão quando muitos alunos utilizam a rede simultaneamente e 31% apresentam falhas ao acessar conteúdos de alta demanda, como vídeo. Esse cenário limita o uso de ferramentas digitais e compromete o potencial da educação conectada.

Na área de saúde, a conectividade torna-se um elemento central da operação hospitalar. A nova geração de redes sem fio terá o desafio de permitir a sincronização em tempo real de prontuários eletrônicos, o funcionamento simultâneo de milhares de dispositivos médicos e a transmissão contínua de dados clínicos, criando as bases para a digitalização plena do atendimento e melhorias evidentes para o corpo clínico e para os pacientes.

É nesse contexto que o Wi-Fi 7 surge como um elemento decisivo na evolução da conectividade. A tecnologia amplia a capacidade máxima de transmissão para até 30 Gbps e reduz significativamente a latência, permitindo conectar milhares de dispositivos simultaneamente com maior estabilidade. Isso permite sustentar aplicações críticas e garantir maior previsibilidade no funcionamento da rede.

O Wi-Fi 7 teve sua especificação final aprovada em 2024 pelo Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE). A partir daí, a tecnologia começou a ser incorporada em redes corporativas e ofertas comerciais em mercados como China, Estados Unidos e Europa ao longo de 2024 e 2025, iniciando um novo ciclo global de modernização. No Brasil, esse processo começa agora, acompanhando a renovação natural da infraestrutura.

O impacto é significativo para os provedores de serviços de internet. A adoção do Wi-Fi 7 permite aos ISPs entregar velocidades gigabit com qualidade efetiva, reduzindo a diferença entre capacidade contratada e experiência real. Isso cria novas oportunidades de diferenciação competitiva em um mercado cada vez mais orientado pela qualidade do serviço, onde os clientes dos aparelhos de alta gama (que já vêm com Wi-Fi 7) buscam experiências diferenciadas.

Essa evolução também abre caminho para novos modelos de conectividade em setores como logística, indústria e serviços públicos. As redes baseadas na geração tecnológica mais recente podem aumentar a eficiência operacional em até 25% em ambientes de alta densidade digital, além de reduzir custos e melhorar a confiabilidade das operações.

Mais do que um avanço incremental, o Wi-Fi 7 representa uma mudança importante na forma como a conectividade é entregue e percebida. A rede deixa de ser apenas um ponto de acesso e passa a ser parte integrante da infraestrutura digital, responsável por sustentar o funcionamento da economia conectada.

O white paper “Desenvolvimento da Indústria de Wi-Fi no Brasil” aprofunda essa análise e mostra como a evolução das redes sem fio será decisiva para o futuro da conectividade no país. O documento completo pode ser acessado neste link.