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Dois pilares fundamentais para a sustentação de uma startup

O mercado não está preparado para se sustentar apenas de startups, e elas, que no primeiro ano parecem estar com o sucesso garantido, também não conseguem sustentar a demanda dos pequenos clientes

i 16 de janeiro de 2015 - 3h08

POR MARCEL MATSUDA, sócio e diretor executivo da fri.to

Há algum tempo o número de agências de publicidade no Brasil se multiplica em progressão geométrica, cada novo mês pipocam nomes na mídia se lançando como a novidade da vez. A facilidade de acesso à tecnologia tornou possível que o trabalho de uma agência pudesse ser executado em praticamente qualquer espaço e com pouco investimento. O grande incentivo a prática de empreender, e alguns exemplos de sucesso, trouxeram um cenário nunca visto: recém formados que antes almejavam fazer carreira em uma empresa já consolidada agora já saem da faculdade com o objetivo de construir seu próprio negócio, buscam uma grande ideia para que, mesmo sem vasta experiência de mercado, possam aproveitar seu pioneirismo e construir um novo empreendimento.

O acesso a informação e a explosão midiática fizeram com que ideias ficassem cada vez mais fáceis de replicar, e sendo assim, marcas que dominariam o mercado recebem micro concorrentes, estes que ainda passam a concorrer entre si. É o caso das paleterias mexicanas, por exemplo, nem tanto tempo atrás mal eram encontradas, e uma febre gerou tantas diferentes marcas vendendo o mesmo produto que já fica difícil saber ao certo quem foi a primeira. Essa multiplicação de pequenas marcas fez crescer a demanda por atividades publicitárias. O modelo tradicional onde grandes agências se sustentam com poucos grandes clientes capazes de pagar o funcionamento da empresa inteira, não é mais hegemonia. Muitas pequenas agencias sobrevivem agora com uma grande quantidade de pequenos clientes, menos robustos, mas ganham na quantidade.

O cenário parece contos de fada mas é o anúncio de uma catástrofe. O mercado não está preparado para se sustentar apenas de startups, e elas, que no primeiro ano parecem estar com o sucesso garantido, também não conseguem sustentar a demanda e a vulnerabilidade dos pequenos clientes. Para se manter estável nesse terremoto de opções, e não ser mais uma “agência relâmpago”, é preciso apresentar diferenciais, que podem ser agrupados em dois pilares fundamentais.

1. Criatividade & engajamento
Não é nenhuma novidade que a base da boa publicidade é a criatividade e isso não só está diretamente ligado com o posicionamento da agência, perfil de seus gestores e ambiente, como também diz respeito a seleção do grupo de profissionais que estará envolvido nas atividades. Daí, investir em uma equipe jovem, que está no período de grande produtividade e pode dedicar toda a sua energia ao trabalho é uma ação extremamente vantajosa. Se antes era necessário vivenciar muito mais coisas para ter a chamada “bagagem”, e isso demandava tempo e dinheiro, hoje, com um pouco de disciplina e curiosidade é possível absorver o mundo através da tela do computador. Experiências e ideias de terceiros podem ser digeridas por quem busca incansavelmente informações na rede.

2. Custo & atendimento
A variedade de escolha de um serviço que é cada vez mais especializado pressiona o mercado a reduzir preços. Para que a startup consiga perenidade a adaptação de orçamento aos objetivos do cliente é indispensável. Aplicando um custo super controlado é possível atender grandes marcas com preços de um cliente médio e, com essa ação, agregar ao portifólio da empresa um case que pode consolida-la como vanguarda eficiente, merecedora de credibilidade. Uma base sólida de clientes, além de atrair outros, aumenta consideravelmente as chances de sobrevivência em épocas de crise.