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Parintins 2026: os números das marcas no festival

Balanço reúne ações de 20 patrocinadores e apoiadores em diferentes pontos da ilha

i 21 de julho de 2026 - 6h02

Pintura artística de boi no Bumbódromo durante o Festival de Parintins, ilustrando as ativações de marca.

Ativações ocuparam o Bumbódromo, as filas, os currais, o comércio e outros espaços de Parintins (Créditos: Shutterstock)

Com 20 marcas entre patrocinadoras e apoiadoras, o 59º Festival Folclórico de Parintins ampliou sua presença comercial em 2026. O balanço oficial, divulgado após o evento, detalha como as empresas distribuíram suas ativações entre o Bumbódromo, as ruas, as filas de acesso, os currais dos bois Caprichoso e Garantido, supermercados e bares da cidade.

As ações combinaram distribuição de produtos e brindes, serviços ao público, experiências para redes sociais, campanhas promocionais e iniciativas ambientais. O movimento materializa uma estratégia que, segundo Márcia Nogueira, head de patrocínios e parcerias do Festival de Parintins na Maná Produções, procura aproximar os objetivos comerciais das empresas dos códigos culturais da festa.

“Todo esse processo passou a ser customizado, não mais olhando apenas para o folclore, para a cultura brasileira, mas para quem iria receber esse nosso pedido”, afirmou a executiva.

Ativações ganham escala

Patrocinador histórico do festival, o Bradesco distribuiu 30 mil batekos nas arquibancadas, divididos igualmente entre as cores azul e vermelho. Utilizados nas coreografias da Galera, um dos itens avaliados na disputa, os adereços incorporaram a marca à apresentação das torcidas.

O banco também instalou 400 metros de tendas nas filas de acesso, sendo 200 metros para cada boi, e forneceu 10 mil camisas para os ensaios técnicos de Caprichoso e Garantido.

A Natura concentrou suas ações em autocuidado, beleza e sustentabilidade. A companhia distribuiu mais de 90 mil amostras de polpa hidratante para as mãos, disponibilizou mais de 100 litros de protetor solar e entregou 24 mil brindes. Maquiagens temáticas e tatuagens temporárias com os símbolos dos bois completaram a presença da marca.

Nas filas do evento, uma iniciativa de coleta reuniu aproximadamente 550 quilos de materiais recicláveis, volume 61,4% superior ao registrado em 2025.

A Solar Coca-Cola, por sua vez, informou ter vendido 121 mil caixas unitárias de produtos durante a temporada, crescimento de 53% em comparação ao ano anterior. A empresa também distribuiu mais de 5 mil brindes em ações de compre e ganhe e estima ter impactado mais de 200 mil consumidores na ilha.

Das arquibancadas ao comércio

A Brahma levou para o festival latas temáticas dedicadas às baterias dos bois: Marujada de Guerra, do Caprichoso, e Batucada, do Garantido. As embalagens circularam em bares, currais e no Bumbódromo, enquanto ações de compre e ganhe distribuíram itens como bonés, copos, leques, pochetes e chapéus bucket.

O Caminhão Dourado da marca acompanhou eventos anteriores às apresentações, como o Boi de Rua do Caprichoso e o São João do Garantido, além da apuração e da Festa da Vitória. No comércio, a empresa ampliou fachadas temáticas e materiais de comunicação nos bares parceiros.

O Assaí Atacadista distribuiu 8 mil unidades de snacks nas filas, uniformizou ambulantes e entregou bandeiras às torcidas. A operação também incluiu sorteios de ingressos, pórticos personalizados e dois tuc-tucs transformados em espaços para fotografias. Antes do festival, uma promoção nacional levou cinco clientes e seus acompanhantes a Parintins.

Outras marcas priorizaram serviços ligados às condições enfrentadas pelo público. A Petrobras distribuiu guarda-sóis portáteis, squeezes, porta-garrafas e abanadores. A Bemol entregou kits com ecobags, chapéus, óculos de sol e abanadores, enquanto a JBL percorreu a cidade com mochilas personalizadas nas cores dos bois.

A Vivo instalou estações móveis de carregamento de celulares em triciclos e estruturas para registros fotográficos. A Esportes da Sorte manteve pontos de hidratação na Praça da Catedral e nas filas do Bumbódromo, além de uma cabine de fotos com impressão instantânea.

A Target/Friboi promoveu degustações de sua linha de conservas; a Tokio Marine trabalhou campanhas de seguro-viagem; e a Elma Chips realizou ações promocionais em supermercados. A Eneva apoiou o receptivo de jornalistas e influenciadores, enquanto a Super Terminais participou de uma campanha de segurança na navegação conduzida com a Marinha do Brasil.

Festival de Parintins exige adaptação à cultura local

A ocupação de diferentes pontos da cidade foi acompanhada pela adaptação das identidades das empresas às cores, aos símbolos e à dinâmica de Caprichoso e Garantido. Na avaliação de Nogueira, as marcas procuram engajamento, mas também querem ser percebidas como participantes do contexto cultural da região, em vez de aparecerem de maneira isolada.

Essa aproximação, entretanto, não permite interferência direta das patrocinadoras sobre o espetáculo. Decisões relacionadas às apresentações e aos adereços utilizados pela Galera permanecem sob controle das associações dos bois.

“O boi vai dizer o que é bom para ele, o que não é. A gente não vai deixar que as coisas aconteçam ao ponto de que um patrocinador, por conta dos seus interesses, faça uma intervenção”, explicou Márcia.

De acordo com a executiva, algumas companhias já chegam à negociação familiarizadas com a necessidade de trabalhar versões azuis e vermelhas de suas identidades. Em outros casos, especialmente entre multinacionais, as mudanças dependem de aprovações internas. Quando a adaptação não é possível, a Maná afirma que já optou por não avançar com o patrocínio.

Dados entram no centro da entrega

Além dos resultados apresentados pelas empresas, a produção ampliou em 2026 o monitoramento da repercussão das marcas. Uma equipe foi dedicada a acompanhar cada parceiro, as publicações realizadas e as reações do público ao longo da temporada.

“Não tem mais como trabalhar só apresentando fotos e vídeos, como era feito antigamente, tem realmente que mostrar para eles um relatório consolidado dos números”, disse Nogueira.

A produção espontânea de turistas, influenciadores e torcedores também passou a integrar essa avaliação. Para a executiva, as redes sociais permitem que as empresas observem como o público registra o festival, interage com as ativações e insere as marcas nos conteúdos publicados.

Para 2027, a Maná tem como uma de suas metas melhorar a estrutura destinada à imprensa, aos criadores de conteúdo e às equipes das patrocinadoras. A proposta, ainda não oficializada, prevê a instalação de um espaço próximo ao Bumbódromo para edição e transmissão de materiais em tempo real.

Outra frente deverá ser a ampliação das iniciativas ambientais. “A gente quer fazer o festival usar sua força, sua influência para fazer que mais marcas e mais pessoas se envolvam, de fato, com a preservação da floresta amazônica”, afirmou Márcia.