Amstel e Coca-Cola lideram patrocínio a festivais
Panorama Mapa dos Festivais 2025 elenca marcas que aumentaram o investimento em eventos de música
Amstel e Coca-Cola são as marcas que patrocinam mais festivais de música no Brasil. Ambas estiveram presentes em 33 eventos em 2025. Os dados são da pesquisa Panorama Mapa dos Festivais 2025, publicada anualmente pela plataforma Mapa dos Festivais.

Ativação da Amstel no Coala Festival e da Coca-Cola no Lollapalooza (Crédito: Divulgação)
A partir da escuta de produtores, curadores, executivos e outros profissionais da área, a empresa combina dados quantitativos e análises qualitativas para oferecer uma avaliação sobre o mercado de festivais de música.
Este ano, a pesquisa inclui dados sobre turnês internacionais, oferece a segmentação dos dados por regiões, artistas e marcas patrocinadoras e lança um dashboard interativo para clientes.
Bebidas lideram patrocínio
Em 2025, 946 marcas patrocinaram shows e festivais no Brasil. As marcas de bebidas dominam o top 10 do ranking. Red Bull, Budweiser e Heineken, que integram o top 5, patrocinaram 24, 23 e 20 festivais, respectivamente. No ano passado, a Red Bull ocupava o décimo lugar da lista. Agora, figura em terceiro.
Segundo Juli Baldi, diretora criativa do Bananas Music, empresa de curadoria musical para marcas, e do Mapa dos Festivais, o segmento de bebidas é o líder em volume de patrocínios e o que mais cresce em quantidade de festivais patrocinados ano a ano, “o que mostra que festivais são um ótimo canal para lançamento, experimentação e venda de produtos”, diz. O volume é cinco vezes superior ao dos demais segmentos.
“A entrada dos ready to drink contribuiu para o fortalecimento do segmento. Outro fator que contribuiu para que a indústria de bebidas esteja há tantos anos na liderança é a natureza do produto, festivais são grandes pontos de venda para essas marcas, além do produto estar na mão do consumidor a todo tempo, então o patrocínio é mega vantajoso para o setor”, avalia a executiva.
A pesquisa identificou que Amstel e Coca-Cola patrocinam eventos também fora do Sudeste, o que justifica a liderança no volume de festivais patrocinados. Já Heineken se consolida em shows internacionais de médio porte e algumas turnês focadas em rock, jazz, hip hop e música alternativa. Ano passado, a marca sediou o Heineken No Line Up Festival, seu primeiro festival proprietário.
Depois das bebidas, os segmentos líderes em patrocínio são: financeiro, saúde, beleza e bem-estar. Do segmento de beleza, O Boticário aumentou em 120% a quantidade de eventos patrocinados. Em 2024, a marca ocupava o 51º lugar. Agora, está na 13ª posição.
Conforme dados da pesquisa, o patrocínio de grandes marcas se concentra no Sudeste e em festivais de grande porte. Festivais regionais, comumente, angariam apoio de marcas locais. “Quem pulveriza, se destaca, como é o caso de Amstel e Coca-Cola. Mas a realidade é que poucas marcas têm condições e uma estratégia clara de pulverização de atuação e patrocínio. Considerando que grande parte das marcas ainda patrocina apenas um ou dois festivais, a grande maioria ainda prefere concentrar o investimento em um evento de grande porte e impacto”, explica Juli.
Segmento financeiro
O Santander é o líder em patrocínios de turnês internacionais. Já o Itaú se destaca em patrocínio a turnês nacionais. “A estratégia de aquisição de clientes e fidelização por benefícios exclusivos das instituições financeiras se tornou central no entretenimento ao vivo dos últimos anos e essas duas marcas se destacam nos shows internacionais”, coloca Juli. Conforme a executiva, o Banco do Brasil está presente em shows e festivais nacionais e o C6 Bank mantém o C6 Fest.
Festivais pelo Brasil
Em 2025, o número de festivais no País aumentou em 20% em relação a 2023. Foram, ao todo, 366 festivais realizados. Desses, 65 realizaram sua primeira edição.
A retomada de eventos pós-pandemia causou uma bolha não sustentável, que causou aumento do preço dos cachês dos artistas, disputa de patrocínio e o fim de alguns festivais, diz. Em 2025, a pesquisa observa uma estabilidade, com festivais avançando para sua terceira e quarta edição, “o que mostra que conseguiram sobreviver aos primeiros anos e os independentes estão seguindo firmes, mesmo com pouco investimento em patrocínio”, afirma.
Conforme a executiva, o crescimento no número de festivais aumenta a disputa pelos mesmos patrocínios.”Apesar de termos mais de 900 marcas patrocinadoras, ainda são poucos grupos e as mesmas marcas que fazem os grandes investimentos que fazem a diferença para o produtor”, divide. A possibilidade de pressionar valores de patrocínios está mais presente em festivais maiores, com mais de 80 mil pessoas presentes, coloca.
O Sudeste concentra 200 festivais, enquanto o Nordeste realiza 68, o Sul, 46, o Centro-Oeste, 34, e o Norte 18. Em regiões com menos eventos, a disputa por share de atenção dos patrocinadores é menor. “Mas o que traz a conexão emocional e share of mind é a consistência. Não adianta patrocinar um ano e nunca mais voltar para a região, é preciso ter uma presença constante”, alerta a executiva.

