Programa da Apro gera R$ 1,6 mi em trabalhos para diretoras
Visionárias na Direção, no primeiro ciclo, aproximou talentos de agências e se prepara para nova edição

Marianna Souza, presidente-executiva da Apro, diz que projetos destinados a mulheres ainda são de menor porte (Crédito: Divulgação)
Mais do que ampliar a visibilidade de diretoras de cena, o Visionárias na Direção tem conseguido converter o debate sobre representatividade em negócios. Na primeira temporada, em abril deste ano, o programa da Associação Brasileira da Produção de Obras Audiovisuais (Apro) e da FilmBrazil levou profissionais a agências de publicidade e, após os encontros, 41% delas foram consultadas ou chegaram a orçar projetos, resultando em mais de R$ 1,6 milhão em trabalhos aprovados.
O resultado está na base da segunda edição da iniciativa, que também conta com parceria da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). O programa, durante os meses de setembro e outubro, percorrerá grandes agências com sessões exclusivas de screening e networking. O cronograma conta com visitas a BETC Havas, David, YouDare, Wieden+Kennedy, Africa, Gut, além dos grupos WPP e Publicis Groupe.
Mulheres na direção
O Visionárias foi lançado em fevereiro de 2025, como um programa de mentoria voltado ao desenvolvido de lideranças femininas no audiovisual. Em abril deste ano, a partir das ações da Apro de fomento à participação de mulheres no mercado, houve a criação do Visionárias na Direção, uma rodada específica para aproximar diretoras aos processos internos das agências.
“O valor de R$ 1,6 milhão é um resultado imediato, obtido logo após as primeiras rodadas de apresentações. Existe uma expectativa de resultados também a médio e longo prazos, porque depende de surgir projetos com o perfil daquela diretora para que ela seja chamada para participar de um orçamento. Por isso, a expectativa é que esse número aumente nos próximos seis meses”, diz Marianna Souza, presidente-executiva da Apro e gerente-executiva da FilmBrazil.
Apesar de comemorar o dado preliminar, a executiva pontua que o montante revela o porte dos projetos que chegam às diretoras, ainda abaixo do ticket dos trabalhos destinados aos homens. Um diretor de médio a grande porte, com volume de trabalho reconhecido, tem um ticket na faixa de R$ 800 mil a R$ 1 milhão por projeto e o total de R$ 1,6 milhão foi gerado por mais de uma diretora.
“Ou seja, os projetos que ainda chegam às mulheres são infinitamente inferiores em termos de budget. Há cerca de três anos, fizemos uma pesquisa com as diretoras do Free the Work para entender o volume de dinheiro e a faixa do maior número delas estava na casa de R$ 1 milhão de faturamento anual, enquanto um diretor fatura, em média, entre R$ 6 milhões e R$ 8 milhões”, ressalta.
Metas da Apro
A meta da Apro é seguir realizando dois ciclos do Visionárias na Direção por ano, nos moldes do que ocorre em 2026, com cada edição em um semestre e agenda de visitas a diferentes agências e clientes. Na prática, durante as conversas, as diretoras apresentam seus portfólios, a fim de serem conhecidas pelo mercado.
Uma das expectativas da entidade é que a Copa do Mundo Feminina 2027, sediada no Brasil, impulsione a escolha de lideranças femininas para assinarem a direção criativa das grandes campanhas. Por isso, para Marianna, é indispensável que os clientes também sejam incluídos na conversa.
“Apesar de as mulheres não serem tão acionadas pelo mercado publicitário, muitas estão dirigindo séries, videoclipes e outros projetos audiovisuais que ajudam a construir seus portfólios. A aproximação também serve para mostrar esses outros espaços em que elas atuam e ampliar o reportório da criação na hora de pensar em possíveis nomes para um projeto. O talento está aí e é inquestionável”, acrescenta.