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Copa do Mundo 2026: por que o jogo dos anunciantes será decidido no meio do funil

O comportamento do consumidor reforça a importância dessa etapa. Em média, 95% dos usuários não convertem na primeira visita e precisam de múltiplos pontos de contato

André Dylewski

Diretor de desenvolvimento de negócios Latam na RTB House 8 de abril de 2026 - 10h47

A proximidade da Copa do Mundo de 2026 cria um dos cenários mais interessantes dos últimos anos para investimentos em mídia no Brasil. Mais do que um evento esportivo, trata-se de um verdadeiro catalisador de consumo, capaz de movimentar diferentes setores e gerar uma “segunda Black Friday” no calendário do varejo. Somado a isso, o contexto macroeconômico aponta para um cenário de estabilidade no ritmo de consumo das famílias — o que reforça que estamos diante de uma janela rara de oportunidade para marcas que souberem planejar com antecedência.

No entanto, capturar esse potencial exige uma mudança de mentalidade. Historicamente, muitas estratégias de mídia concentram esforços em campanhas de fundo de funil, focadas exclusivamente em conversão. Em um ano de Copa do Mundo, essa abordagem tende a limitar o crescimento. Isso porque o aumento da demanda não acontece apenas entre consumidores já prontos para comprar, mas principalmente entre aqueles que ainda estão formando intenção — e é exatamente aí que mora a maior oportunidade.

É nesse contexto que campanhas de meio de funil — ou campanhas de consideração — assumem papel central. Elas funcionam como o “meio-campo” da estratégia: conectam awareness à conversão e são responsáveis por nutrir o interesse do consumidor ao longo da jornada. Dados da RTB House apontam que, em média, apenas 15% de toda a audiência potencial de uma marca é impactada por ações de retargeting, enquanto a grande maioria permanece fora do radar das campanhas tradicionais. Ou seja, marcas que não investem em consideração estão, na prática, deixando de disputar até 85% do mercado potencial.

Além disso, o comportamento do consumidor reforça a importância dessa etapa. Em média, 95% dos usuários não convertem na primeira visita e precisam de múltiplos pontos de contato antes de tomar uma decisão. Em um cenário de alta competitividade e menor lealdade às marcas, construir relacionamento ao longo do tempo deixa de ser diferencial e passa a ser requisito básico. Campanhas de consideração, portanto, não são apenas um complemento — são o motor que sustenta o crescimento consistente de vendas no médio e longo prazo.

Outro ponto relevante é que o período pré-Copa é, possivelmente, o momento mais estratégico de toda a jornada. É quando o consumidor começa a entrar no clima do evento, pesquisar produtos, comparar opções e se inspirar. Categorias como moda, artigos esportivos, televisores e itens para o lar já apresentam sinais de aquecimento meses antes do torneio. Marcas que atuam nesse momento com campanhas de engajamento e aquisição conseguem “reservar espaço mental” no consumidor antes do pico de demanda, aumentando significativamente suas chances de conversão quando o evento começa.

Outro ponto crítico para o sucesso das estratégias de mídia nesse contexto é o uso de algoritmos baseados em IA generativa. No cenário atual, esse tipo de tecnologia representa um avanço significativo ao permitir a compreensão não apenas de palavras-chave, mas também de contexto, semântica e intenção do usuário ao longo da jornada. Isso significa que os anúncios deixam de ser apenas reativos e passam a ser verdadeiramente preditivos, sendo posicionados em momentos e ambientes mais relevantes para a tomada de decisão. Em um cenário em que atributos como experiência de compra, expectativas e interesses subjetivos ganham peso na decisão, a capacidade de interpretar sinais complexos e entregar mensagens altamente personalizadas se torna um diferencial competitivo essencial — especialmente nas fases de consideração, onde o objetivo é construir relevância antes da conversão.

Por fim, a grande vantagem competitiva estará nas marcas que conseguirem integrar dados, tecnologia e estratégia de funil completo. A Copa do Mundo não deve ser encarada apenas como um pico de vendas, mas como uma oportunidade de expandir a base de consumidores e fortalecer o relacionamento com novos públicos. Investir em campanhas de meio de funil nos meses que antecedem o evento não é apenas uma boa prática — é, cada vez mais, a principal alavanca para transformar o aumento pontual de demanda em crescimento sustentável de receita.