OPINIÃO: TATYANE LUNCAH

Do balcão ao bilhão

Por que o recorde de mulheres na tecnologia é um sinal para acelerar em 2026?

Tatyane Luncah

CEO da Escola Brasileira de Empreendedorismo (EBEM) 28 de maio de 2026 - 9h42

(Crédito: Shutterstock)

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Sabe aquela ideia ultrapassada de que o empreendedorismo feminino se resume a “comércio de balcão” ou a pequenos serviços de mimos? Confesso que, em pleno 2026, ver essa imagem ser estraçalhada é um dos movimentos de mercado que mais me dá orgulho.

A notícia recente é clara: o prêmio Mulheres Inovadoras da Finep acaba de encerrar as inscrições com um recorde histórico, destinando R$ 3,6 milhões para startups lideradas por nós em setores como IA, 5G e biotecnologia. Isso tem nome, e eu chamo de tech-heritage: a nossa vez de construir legados tecnológicos.

A verdade nua e crua é que o mercado finalmente entendeu que investir em uma startup liderada por uma mulher não é “cota” ou “apoio social”; é uma aposta de retorno garantido. Os dados mostram que, quando assumimos o centro da inovação, entregamos resultados mais resilientes e soluções que realmente resolvem dores do mundo real.

Só que tem um detalhe que ninguém te conta no palco do evento de tecnologia: tecnologia sem gestão é só gasto. Na Ebem, é patrimônio. Não adianta captar milhões em fomento público se você não souber gerir esse capital sem se perder na operação.

A gente defende que o aporte é o combustível, mas você é a piloto. Muitas empreendedoras brilhantes travam na hora de escalar porque focam tanto no código da IA que esquecem do código da governança. O lucro precisa ser o oxigênio, e o investimento deve ser a ferramenta que dá pernas ao seu sonho, nunca o motivo para você perder o controle do seu negócio. Quando você decide, de forma consciente, profissionalizar sua ambição tecnológica, você para de pedir licença para inovar e passa a ditar as novas regras do jogo.

Isso transforma sua inovação em uma bandeira real de impacto econômico. É olhar para o mercado e dizer: “Minha tecnologia é de ponta e minha gestão é de diamante”. Isso cria uma solidez que nenhum algoritmo consegue replicar. Batemos tanto nessa tecla porque a “inovação sem lucro” adoece a empreendedora, mas o “crescimento sem estrutura” adoece a empresa. O futuro do empreendedorismo no Brasil será construído por quem não tem medo da tecnologia, mas sabe que a gestão estratégica é o que separa uma “ideia legal” de um império imparável.

Lucro tecnológico é, acima de tudo, liberdade de escala. É poder olhar para o seu board e ter orgulho de cada real investido, porque ele é fruto de valor real, não de um modismo passageiro. Precisamos normalizar a conversa sobre mulheres liderando infraestruturas críticas e profissionalizar nossa visão de futuro sem deixar a integridade pelo caminho.

No fim do dia, a pergunta que fica para você, CEO e líder, é: o seu sucesso é fruto de uma oportunidade isolada ou de uma mentalidade de gestão preparada para o bilhão? O mercado está com o dinheiro na mesa, mas ele só vai ficar nas mãos de quem souber lapidar a tecnologia com a dureza e o brilho de um diamante.