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P&G enfrenta boicote na Rússia

Opositores do primeiro ministro Vladimir Putin coordenam a ação

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21 de Março de 2012 08:30

Os opositores de Putin, que esteve no Brasil durante o governo Lula, movem ações contra empresas que estariam apoiando o governo. Como maior anunciante do país, a P&G é o principal alvo
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Os opositores de Putin, que esteve no Brasil durante o governo Lula, movem ações contra empresas que estariam apoiando o governo. Como maior anunciante do país, a P&G é o principal alvo Crédito: Eduardo Knapp-Folhapress

A Procter & Gamble está enfrentando boicote de seus produtos na Rússia, vindos dos opositores do primeiro ministro Vladimir Putin. Isso porque a empresa, que é o maior anunciante no mercado russo, apoia, com publicidade, o canal estatal de televisão NTV.

A NTV transmitiu, em 15 de março, um documentário chamado “Anatomia de um Protesto”, que acusa grupos opositores de pagar pessoas para participar de comícios e espalhar protestos em sua sede no centro de Moscou, assim como a chamar blogueiros famosos a boicotar o canal e os produtos de seus anunciantes.

Em comunicado, a P&G afirmou que embora respeite os direitos dos cidadãos em expressar sua opinião, a empresa rejeita qualquer tentativa de fazer disso um “instrumento” em uma guerra política. A P&G foi responsável por 5,2% de toda publicidade feita na Russia, ano passado, de acordo com a TNS Media Intelligence. A companhia gastou US$ 117,5 milhões em publicidade na Russia em 2010, seguida por L’Oréal (US$ 78,8 milhões), PepsiCo (US$ 72,3 milhões), Nestlé (US$ 63,9 milhões) e Mars (US$ 57 milhões), de acordo com o centro de dados do Ad Age.

A campanha para o boicote marca uma nova tática da oposição ao governo russo, que luta para retomar o impulso. Os opositores levaram dezenas de milhares de pessoas às ruas das maiores cidades do país em protesto por fraudes nas eleições parlamentares, que levaram à vitória do partido Russia Unida, de Putin, em dezembro, e nas eleições presidenciais de 4 de março, que levaram o ex-presidente de volta ao Kremlim.

“A P&G não faz qualquer produto exclusivo, então podemos facilmente substitui-los com marcas de seus competidores”, disse Alexander Plushchev, um ativista da oposição e jornalista, em um post em seu blog.

A companhia de Cincinnati, cujo leque de marcas vai das lâminas Gillette ao sabão em pó Tide e batatas Pringles, teve vendas de US$ 82,6 bilhões no último ano. Cerca de 14% desse valor vieram das regiões da Europa Central e do Leste Europeu, Oriente Médio e África, de acordo com o site da companhia.

“Publicidade é o meio de trazer informações sobre nossos produtos a uma gama abrangente de consumidores através de todos os canais de comunicação”, disse a P&G em comunicado. “A avaliação dos conteúdos exibidos por canais de TV está acima da competência dos anunciantes”, complementou.

Andrei Lyan, porta-voz da P&G em Moscou, recusou-se a revelar quanto a companhia investe a cada ano em publicidade na NTV, que é propriedade pelo braço de mídia da exportadora de gás natural OAO Gazprom, dizendo tratar-se de “informação comercial confidencial”.

A Gazprom é controlada pelo Governo russo. Em seu site, a Gazprom-Media afirma ter participação de mercado de cerca de 30% da publicidade em TV na Rússia.

Do Advertising Age (Tradução: Roseani Rocha)

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