Fábrica à vontade com assédio das múltis
Agência de marketing direto chega aos 15 anos com nova estrutura e contratações para reforçar integração entre criação e planejamento
O marketing direto evoluiu muito na onda digital dos últimos 15 anos e deixou pouco espaço para players 100% nacionais no grupo de elite do setor. Depois de resistir ao longo dessa década e meia a algumas tentações para se tornar parte de grupos multinacionais, a Fábrica não encara mais a questão como tabu e admite que está mais aberta a essa questão do que em qualquer outro momento, desde sua fundação em 1996.
Para os sócios Luiz Buono, Marisa Furtado e Sidney Ribeiro, a agência está madura não apenas para uma associação, mas principalmente para exercer um papel de destaque dentro de um portfólio multinacional. “Há três anos buscamos um parceiro internacional, pois acreditamos que com a qualidade de nosso trabalho podemos ter muitos ganhos com os avanços nos processos de gestão e o networking internacional”, afirma Buono, vice-presidente de atendimento.
Uma das ambições almejada nesse movimento, admite ele, é o de atender contas alinhadas. “A globalização é algo que nos interessa muito mais pelo aspecto da escala de custos do que pela ideologia. Os anunciantes buscam plataformas de distribuição para reduzir custos e, por isso, preferem ser atendidas por um mesmo grupo em toda América Latina”, salienta. “Se for para ser apenas uma boutique ou segunda marca, não temos interesse. Queremos ser relevantes nos negócios”, condiciona Marisa Furtado, vice-presidente de criação.
Para estar plenamente preparada quando uma negociação com multinacional for concretizada, a Fabrica promoveu na semana passada uma reestruturação com o objetivo de sintonizá-la com as demandas de seus principais clientes e mantê-la competitiva. As principais novidades são a criação das áreas de inovação estratégica e de plataformas não-convencionais. A primeira será comandada por Marisa Furtado e terá como principal tarefa suprir a demanda gerada pelos projetos multiplataformas. “Esta área irá contemplar a realização de trabalhos multidisciplinares e terá como desafio o desenvolvimento de projetos sob medida com características fora da caixa”, explica Marisa.
A segunda nova área visa ampliar a atuação digital com o desenvolvimento de projetos que dependam de tecnologias inovadoras e será comandada por Carol Gleich, que também responde pela direção de criação online.
Além disso, Sidney Ribeiro, vice-presidente de criação, assume também a função de head de conteúdo, e passa a comandar esta área, criada em 2009, ao lado da gerente Josie Moraes, com o objetivo de atender a demanda de produções para TV, internet, tabelts e mobile. “O meu papel como diretor criativo será o de curador”, diz Ribeiro.
Buono explica que a nova estrutura busca colocar em prática a ideia de dedicar 70% dos esforços da agência às demandas regulares, 20% para projetos especiais e 10% para inovação. A reestruturação também prevê a integração das áreas de planejamento e criação, sob a liderança de Andrea Russo (diretora de atendimento e planejamento) e Daniel Santander (ex-Salem) que acaba de ser contratado como diretor de criação.
Para reforçar o expertise digital junto ao planejamento e CRM, a agência contratou o gerente de planejamento Fellipe Guedes (ex-Superproduções).
O novo modelo supre, em parte, o encerramento ocorrido no ano passado da associação com a agência digital Kwead, dos sócios Renato Sertório e Eduardo de Souza, na qual a Fabrica adquiriu participação em 2009 para reforçar sua cultura digital.
