Marketing esportivo

Como agências de PR enxergam oportunidades no esporte

Diante do interesse das marcas em ocupar território esportivo, segmento analisa oportunidades de negócio

i 26 de maio de 2026 - 6h00

NFL traz sua terceira edição para o Brasil e mostra o crescimento do interesse das ligas no País (Crédito: ringo-chiu-shutterstock)

NFL traz sua terceira edição para o Brasil e mostra o crescimento do interesse das ligas no País (Crédito: ringo-chiu-shutterstock)

No futebol, os meio campistas são responsáveis por conduzir o jogo. Através desses jogadores, passam armação e criação de jogadas, controle de jogo e transição defensiva e ofensiva. No futebol americano, a função fica a cargo do quarterback, que tem a posse de bola e a missão de distribuir as jogadas.

Traçando um paralelo com a publicidade, as agências de relações públicas, ou PR, são as responsáveis por estruturar o meio de campo entre as marcas e os grandes eventos esportivos que estão crescendo e ganhando expressividade no Brasil.

Exemplo disso foi a adesão da National Football League (NFL) no País. O esporte norte-americano chega, neste ano, à sua terceira edição em solo nacional, sendo um dos poucos países a se tornar rota fixa da liga fora dos Estados Unidos. Por aqui, as ações são conduzidas pela Brandpower, agência que também lidera o PR da Nascar no Brasil e que está trabalhando em ativações sobre Copa do Mundo.

Para Luca Gomes, CEO da empresa, o País passa por um amadurecimento depois de ter sido palco de alguns dos principais eventos esportivos do mundo. “Nosso trabalho é pensar em inovações. O marketing esportivo mistura técnicas do marketing tradicional com peculiaridades que só o esporte oferece. São inúmeras: a paixão, o inesperado, o impossível, o tradicional. Entender isso é fundamental para ter sucesso em qualquer projeto que envolva o esporte”, diz.

Evolução em experiência

Além da crescente procura por criadores de conteúdo de nicho que sejam capazes de conversar diretamente com os diferentes perfis de fãs de esporte, Guto Francischini, sócio-diretor da Esporte&Negócio, acredita que uma forma eficaz de trabalhar a frente esportiva e de conquistar bons resultados é trazer a experimentação e a vivência para os torcedores.

A agência, que surgiu em surgiu em 2016 olhando para a possibilidade de ativações num cenário em que o País receberia seu segundo grande evento esportivo em menos de cinco anos, os Jogos Olímpicos. Hoje, a companhia atende marcas como Umbro, Pink Cheeks e ESPN.

Guto afirma que um patrocinador de um grande evento pode fazer seu público de interesse viver diversas experiências, seja in loco ou para se ambientar durante uma preparação. Mas faz uma ressalva: “Não adianta investir todo o dinheiro em um patrocínio e não ter depois verba para ativar. Tão importante quanto patrocinar a modalidade é ativar e comunicar essas ações de maneira adequada, nos meios mais estratégicos e que atinjam o público-alvo”.

No clima de Copa

Embora uma pesquisa do Datafolha, realizada em abril deste ano, aponte que somente 29% dos brasileiros acreditem no hexa para a Copa do Mundo Fifa deste ano, as marcas vêm investindo em fazer os brasileiros a acreditarem no título da seleção.

A Brahma, patrocinadora da transmissão da Copa do Mundo na Globo, por exemplo, está com toda a sua atenção voltada para o período. A marca de cerveja está divulgando o slogan “Tá Liberado acreditar”, que resgata a história do Nº 1, símbolo icônico utilizado por Bebeto em suas comemorações em 1994.

O principal evento do futebol mundial é também o assunto mais relevante para as marcas durante esse período. Patrocinadores e não patrocinadores querem estar nas conversas, por isso o mercado esportivo parece borbulhar.

Mas, para Francischini, da Esporte&Negócio, esse investimento não se restringe à Copa, mas vem crescendo de uns cinco anos para cá, principalmente depois da pandemia, quando o esporte cresceu em relevância para os brasileiros, de maneira geral.

“Mais do que pensando só na Copa do Mundo de agora, vejo muitas marcas já pensando em como será a Copa do Mundo Feminina no País em 2027”, diz.

Para o executivo, é crescente o movimento de tratar os esportes como entretenimento, algo que já acontece nos Estados Unidos. “Isso está chamando a atenção para profissionais especializados do setor e impulsionando o mercado”, afirma.