Maturidade no uso da IA torna-se desafio das empresas
Estudo do Publicis Groupe aponta que desafio, agora, é transformar inteligência artificial em resultados

Estudo mostra que homens e mulheres adotam IA em níveis semelhantes, mas diferem na forma de utilizá-la (Crédito: Divulgação)
O estudo AI Pulse Survey, realizado pelo Publicis Groupe, analisou o comportamento de homens e mulheres na aplicação da inteligência artificial (IA) e concluiu que o principal desafio das empresas não é incentivar a adoção da tecnologia, mas ampliar a maturidade de uso e transformá-la em uma ferramenta capaz de gerar impacto real nos negócios.
Os dados mostram que a adoção da tecnologia é universal: 99% dos homens e 97% das mulheres afirmam utilizar ou explorar ferramentas de IA. Mas apesar da adesão semelhante, há diferenças na confiança, profundidade de uso e percepção de ganhos obtidos através da tecnologia.
Segundo Iza Herklotz, chief people officer do Publicis Groupe, o cenário representa uma mudança importante na forma como as empresas conduzem suas estratégias no uso de IA.
“A barreira de entrada praticamente deixou de existir dentro da nossa organização. A próxima etapa não é incentivar o uso da tecnologia, mas ajudar as pessoas a capturar mais valor dela”, afirma.
Para a executiva, isso significa estimular aplicações cada vez mais conectadas ao negócio, capazes de aumentar produtividade, qualidade das entregas e capacidade analítica.
Capacitação impulsiona uso estratégico da IA
O estudo também mostra que programas de aprendizagem contribuem para aumentar a confiança dos colaboradores e ampliar a utilização prática da tecnologia.
No Publicis Groupe, essa estratégia acontece por meio do PL.AI, plataforma global de aprendizagem em inteligência artificial desenvolvida para apoiar os profissionais na aplicação da tecnologia em suas atividades diárias.
A pesquisa aponta que 96% das mulheres e 94% dos homens consideram a plataforma relevante para suas funções, enquanto 90% das mulheres e 89% dos homens afirmam que ela contribuiu para aumentar sua confiança no uso da IA.
Segundo Iza, os resultados também indicam uma demanda crescente por exemplos práticos, maior integração da IA à rotina de trabalho e oportunidades constantes de experimentação.
“Seguimos investindo em casos de uso aplicados às diferentes funções, aprendizado entre pares e evolução do uso da IA para atividades cada vez mais conectadas à geração de valor para clientes e negócios.”, explica.
Adoção semelhante, uso diferente
Embora homens e mulheres apresentem índices semelhantes de adoção, o estudo mostra diferenças importantes na forma como ambos utilizam a tecnologia.
Os homens recorrem com maior frequência à IA para atividades como análise de dados, estratégia, automação de processos e programação. Já as mulheres empregam aplicações relacionadas à escrita, edição de textos e resumo de documentos.
O estudo mostra que, 21% dos homens se consideram confiantes no uso da inteligência artificial, enquanto entre as mulheres esse percentual é de 7%. A falta de tempo aparece como principal obstáculo para as mulheres, 42% apontam essa barreira, contra 14% dos homens.
Na visão da executiva, esses resultados não indicam desigualdade de acesso à tecnologia, mas diferentes trajetórias de aprendizado.
“As diferenças observadas aparecem mais na forma de utilização do que no acesso ou na adoção. Esse é um movimento natural em qualquer processo de transformação tecnológica.”, afirma.
Herklotz explica que o principal desafio das empresas é garantir que todos os profissionais tenham oportunidades similares para que possam desenvolver competências relacionadas à inteligência artificial, independentemente da área de atuação ou do perfil profissional.
O futuro do trabalho
Apesar das diferenças na maturidade de uso, Herklotz afirma que ainda é cedo para associar esses resultados à evolução de carreira ou ao acesso a posições de liderança.
Ela destaca que a inteligência artificial tende a se consolidar como uma competência estratégica para profissionais de todas as áreas. E acrescenta que, cabe às organizações garantir que todos tenham acesso às mesmas oportunidades de desenvolvimento.
“Quanto mais as pessoas ampliarem sua capacidade de utilizar essas ferramentas de forma estratégica, maior tende a ser o potencial de geração de valor para seus negócios e suas equipes. O papel das empresas é garantir que todos tenham acesso às mesmas oportunidades de desenvolvimento.”, explica.
O papel das empresas na evolução da IA
Para a executiva, a pesquisa mostra que a discussão sobre inteligência artificial nas empresas entrou em uma nova fase. Depois de um período voltado à adoção de ferramentas, o foco passa a ser desenvolver competências para que a tecnologia seja utilizada de forma mais estratégica no dia a dia.
Nesse cenário, a área de pessoas ganha um papel central ao preparar colaboradores e lideranças para incorporar a IA nos processos de trabalho, estimulando uma cultura de aprendizagem contínua.
“A área de pessoas passa a atuar como um dos seus arquitetos, conectando tecnologia, cultura, liderança e desenvolvimento de talentos. O futuro da IA nas empresas não será definido por quem tem acesso à tecnologia, mas por quem consegue transformar esse acesso em resultados concretos.”, explica.