Guia quer destacar impactos das bets na saúde mental
Cartilha foi desenvolvida pelo Instituto Vita Alere com base em políticas públicas e evidências científicas

Quase 30% dos brasileiros dizem ter o costume de apostar em bets, segundo pesquisa Quaest (Crédito: I Am Zews/Shutterstock)
Dados da pesquisa Quaest, divulgada em abril deste ano, mostram que 29% dos brasileiros dizem ter o costume de apostar em bets. Com o objetivo de enfrentar uma das questões de saúde pública que mais cresce no Brasil, o Instituto Vita Alere lança a cartilha Jogos de Apostas Online, Saúde Mental e Prevenção do Suicídio, com foco nos impactos das bets na saúde mental.
Elaborado pelos pesquisadores Karen Scavacini, Bárbara Alves e Iago Felipe Natividade de Lima, o guia ilustra como o acesso contínuo e facilitado das bets pelo celular intensifica os riscos de dependência, transformando o que até então parecia lazer em fonte de endividamento, insônia, sofrimento, conflitos interpessoais e até ideação suicida – risco que o próprio Ministério da Saúde reconhece como sociado a ludopatia.
Um dos principais objetivos do guia é reforçar que a dificuldade de parar de apostar não é falta de força de vontade ou falha de caráter, mas uma condição clínica reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Em nota, Bárbara destaca ainda que há um agravante neste segmento de apostas: o marketing que vende o setor sem mostrar os seus pontos prejudiciais. Inclusive, a partir desta sexta-feira, 17, plataformas de apostas terão de seguir novas regras para sua publicidade no Brasil, com alertas obrigatórios mais explícitos a respeito das possíveis consequências negativas dos jogos.
O guia do Instituto Vita Alere também faz um alerta sobre a vulnerabilidade de crianças e adolescentes que, embora sejam legalmente não possam apostar, estão são constantemente expostos à lógica das bets, por meio de jogos de celular, cassinos online camuflados com visual infantil e influenciadores digitais.
Impacto coletivo
O material frisa ainda que o sofrimento derivado das apostas não afeta somente a pessoa que joga, mas uma rede de outras seis pessoas ao seu redor, em média, e que por isso o cuidado não deve recair apenas sobre o indivíduo, mas sobre a sociedade como um todo.
Dessa forma, a cartilha oferece orientações para famílias, amigos e empresas sobre como identificar sinais de alerta, tais como isolamento, irritabilidade e descontrole financeiro repentino. O guia também ressalta como abordar o tema sem julgamentos.
Além disso, para escolas e profissionais de saúde, o material reforça a urgência de incluir o tema no letramento digital e treinar equipes para fazer as perguntas certas logo no primeiro acolhimento.
Desenvolvida com base em políticas públicas brasileiras recentes e em evidências científicas, a cartilha segue as diretrizes da OMS para comunicação responsável sobre suicídio. Gratuito, o documento pode ser encontrado no site do Instituto Vita Alere e compartilhado em contextos educativos, clínicos e comunitários desde que citada a fonte.
