Em greve e com bens bloqueados, IstoÉ sai do ar
Recursos financeiros da Entre Investimentos, dona das publicações do grupo, estão bloqueados; jornalistas paralisaram as atividades

(Crédito: IA)
Atualizada às 16h03
Desde o último dia 11, todos os sites da IstoÉ Publicações (IstoÉ, Gente, Dinheiro, Motorshow, Planeta, Menu e Dinheiro Rural) pararam de ser atualizados. O portal da mais conhecida publicação do grupo, a IstoÉ, está fora do ar.
Sem receber os pagamentos, os jornalistas e funcionários contratados em regime CLT entraram oficialmente em greve no último dia 14. A paralisação tem o objetivo de reivindicar os pagamentos dos salários e benefícios atrasados.
Além dos funcionários, a IstoÉ Publicações também não teria honrado os pagamentos a fornecedores. Essa seria a razão, inclusive, para o portal IstoÉ estar fora do ar, segundo apuração da reportagem.
O motivo da crise financeira está na Entre Investimentos, empresa que comprou a marca IstoÉ em 2022, no leilão da recuperação judicial da Editora 3. Na época, a Entre, pelo valor de R$ 15 milhões, adquiriu as marcas digitais de todo o portfólio que engloba as revistas que, antes, pertenciam à Editora 3.
No dia 27 de março, o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial da Entreplay Instituição de Pagamentos S.A, uma das empresas que compõem o grupo Entre Investimentos. Na ocasião, o Banco Central tomou a medida por conta da situação financeira e por “infrinfringência às normas que disciplinam sua atividade e por prejuízos que sujeitam a risco anormal seus credores”.
Já na semana passada, investigações da Polícia Federal apontaram que a Entre Investimentos teria sido uma das empresas intermediadoras de repasses financeiros do Banco Master para a produção Dark Horse, filme que contará a história do presidente Jair Bolsonaro.
Segundo informações dos relatórios de inteligência financeira (RIFs) feitos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a Entre Investimentos teria recebido R$ 159,2 milhões do Banco Master. Não foi revelado quanto desse valor teria sido encaminhado para a produção do filme.
Por conta da liquidação da Entrepay, o proprietário da Entre Investimentos, o empresário Antônio Carlos Freixo Junior, teve seus bens e os do grupo bloqueados. Por essa razão, de acordo com a apuração da reportagem, os pagamentos aos funcionários e fornecedores não podem ser realizados.
O que diz a IstoÉ?
Em comunicado, a IstoÉ Publicações admite a indisponibilidade temporária dos recursos financeiros da Entre Investimentos, mas não cita nominalmente o caso do Banco Master.
A empresa explica que a liberação de valores “depende de decisão administrativa do Liquidante e do Banco Central do Brasil, razão pela qual a companhia segue em diálogo com as autoridades competentes para buscar uma solução no menor prazo possível.”
Por fim, a empresa reafirma seu compromisso com funcionários, fornecedores e leitores e diz estar empenhada em resolver o assunto.
A empresa não informou um prazo sobre o retorno das publicações nos portais. De acordo com o Sindicato dos Jornalistas, os funcionários do grupo mantém a paralisação.
Veja, abaixo, a íntegra do comunicado:
“A intermitência nos pagamentos de funcionários e fornecedores da IstoÉ decorre da indisponibilidade temporária de bens e ativos financeiros do Grupo Entre, ao qual a empresa pertence, em razão de medida adotada no âmbito do regime previsto na Lei nº 6.024/1974, a partir de ato praticado pelo Banco Central do Brasil.
Essa medida não representa qualquer conclusão sobre responsabilidades, culpa ou irregularidade. Trata-se de efeito legal decorrente do regime especial em curso.
A liberação de valores depende de decisão administrativa do Liquidante e do Banco Central do Brasil, razão pela qual a companhia segue em diálogo com as autoridades competentes para buscar uma solução no menor prazo possível.
A IstoÉ reafirma seu compromisso com seus profissionais, fornecedores e leitores, e permanece empenhada em regularizar a situação de forma responsável, transparente e célere.”