Vulcabras mudará sua marca institucional

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Vulcabras mudará sua marca institucional

Antes chamada “Vulcabras Azaleia”, companhia deve tirar do nome a marca de calçados femininos, que foi licenciada para Grendene ano passado; mudança reflete concentração em esportes, com Mizuno, Under Armour e Olympikus

Roseani Rocha
1 de fevereiro de 2021 - 12h08

Marca Mizuno migra da Alpargatas para a Vulcabras definitivamente até março (Créditos: reprodução Mizuno)

Na última sexta-feira, 29, a Vulcabras Azaleia S. A, presidida por Pedro Grendene Bartelle, divulgou fato relevante em que afirmou ter fechado a primeira etapa da operação envolvendo a aquisição das operações da Mizuno no Brasil, numa transação estimada em R$ 40 milhões, após aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O acordo para compra da Mizuno – até então sob os cuidados da Alpargatas – começou a ser tecido em setembro do ano passado. Com a segunda e definitiva etapa da aquisição, que se realiza até março, a Vulcabras negociou com a japonesa Mizuno Corporation o direito de desenvolver (desde que aprovado pela Mizuno Global), produzir e importar itens da Mizuno, incluindo calçados, vestuários e acessórios, distribuí-los em território nacional e/ou comercializá-los no varejo nacional e nas suas lojas próprias e e-commerce (www.mizuno.com.br) até dezembro de 2033, com possibilidade de renovação do contrato. Embora a Mizuno tenha cinco lojas próprias por aqui, o objetivo é fomentar seu e-commerce e as vendas em multimarcas – hoje, a marca está em cinco mil PDVs, mas a Vulcabras como um todo atende 19 mil.

Como também ano passado a Vulcabras havia licenciado por três anos sua marca feminina Azaleia à Grendene, a companhia deve deixar de usar institucionalmente a marca Vulcabras Azaleia e passar a se chamar apenas Vulcabras (atualmente, no entanto, o site da companhia que ainda está no ar é o da Vulcabras Azaleia). A mudança reflete o fato de a empresa passar a  se dedicar exclusivamente às marcas esportivas Mizuno, Under Armour e à brasileira Olympikus.

A marca que agora traz somente o nome Vulcabras foi desenvolvida internamente e utiliza uma nova fonte que busca transmitir mais agilidade e jovialidade. Além disso, os elementos gráficos foram inspirados em símbolos que remetem a modalidades esportivas, como quadras de diversos esportes e suas marcações e sinalizações, bem como planos táticos desenhados pelos técnicos em suas pranchetas ao passarem instruções aos atletas: linhas orgânicas e dinâmicas. Nas cores, estão presentes verde, amarela e azul, que, segundo a empresa remetem à origem e compromisso da Vulcabras com o Brasil. Além disso, o foco 100% em esporte fez a Vulcabras ganhar uma nova tagline – “Vivemos Para o Esporte” – criada pela agência PROS.

Em entrevista ao jornal Valor, Pedro Bartelle afirmou ter investido R$ 300 milhões em suas fábricas nos últimos três anos e contratado 1.000 pessoas já prevendo a expansão do negócio com os ativos da Mizuno, que em 2019 faturou R$ 444 milhões. A concentração no segmento esportivo, segundo o executivo, irá fazer a companhia ganhar mercado e ampliar margens de lucro.

Já em entrevista ao Meio & Mensagem, em 2019, quando estava colocando no mercado a primeira coleção para a americana Under Armour criada no Brasil, ele já deixou clara sua visão de negócio: “Não acredito em pro­dução para terceiros nem gerenciamento parcial dos negócios. Adquirimos a Under Armour do Brasil e a consolidamos na Vul­cabras. O contrato consiste, além do licen­ciamento de dez anos, em gestão total, com produção, importação, marketing e, prin­cipalmente, com a possibilidade de criar produtos. Isso é muito importante porque requer um relacionamento próximo da gestão global da marca, do setor de de­senvolvimento, de sourcing e de marke­ting, para que entendam as necessidades e nos liberem para criar esses produtos”.

Com a transação, a Vulcabras passa a ter um portfólio que parece se complementar bem, sendo a Olympikus sua marca de entrada, com produtos financeiramente mais acessíveis, Under Armour tem uma parte importante em vestuário e artigos premium para uso em academias e a Mizuno, foco total em running e alta performance.

Quando falou ao M&M, em 2019, Bartelle contou que a Olympikus representava 75% dos negócios da companhia e era líder em volume de pares no Brasil. Mas já se animava também com o acordo selado com a Under Armour, que significava seu ingresso no segmento premium. Agora, com Mizuno, os planos são correr mais rapidamente  ainda, principalmente para driblar os efeitos negativos da pandemia que afetam todos os setores desde o ano passado.

“Em todos esses anos, o esporte nos ensinou muitas coisas, principalmente, a acreditar que todo o resultado vem de muito suor e trabalho. Somos hoje a maior empresa de artigos esportivos do Brasil e temos o melhor time de marcas e pessoas e a certeza que podemos e vamos construir um Brasil melhor por meio do esporte e isso agora reflete em toda a nova identidade da Vulcabras, de dentro para fora”, afirma Pedro Bartelle neste início de 2021.

Segundo os últimos dados divulgados, relativos até ao terceiro trimestre de 2020, a companhia teve prejuízo acumulado de R$ 23 milhões em relação a um lucro líquido de R$ 98 milhões no período equivalente em 2019. O resultado foi o impacto da pandemia no primeiro semestre; já no terceiro, a Vulcabras reportou alta de 3,9% no lucro, em relação ao terceiro trimestre de 2019, atingindo R$ 43,4 milhões.

 

*Crédito da imagem no topo: Reprodução/Mizuno

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