Por que as fast fashions investem em collabs com estilistas?
Renner, C&A e Riachuelo mostram como a cocriação com nomes da moda aproxima consumidores

Coleções da Riachuelo em parceria com Alexandre Pavão e Helô Rocha (Créditos: Divulgação)
As collabs entre redes de fast fashion e estilistas não são novidade no mercado da moda. Há anos o formato vem sendo renovado pelas varejistas para gerar desejo, alcançar novos públicos e reforçar seu posicionamento.
Renner, Riachuelo e C&A estão entre as redes que incorporam essas parcerias à estratégia de marca, com o objetivo de aproximar suas estruturas de produção e distribuição do trabalho de estilistas e criadores de moda.
A Riachuelo, por exemplo, já desenvolveu coleções com Alexandre Pavão, Alexandre Herchcovitch, Helô Rocha e Marcelo Sommer.
A C&A trabalhou com a PatBO, da estilista Patricia Bonaldi; com a DOD Alfaiataria, de Jubba Sam, em parceria com a Mindse7; e com as marcas Nalimo, de Day Molina; Isaac Silva Brand, de Isa Silva; Dendezeiro, de Hisan Silva e Pedro Batalha; e KF Branding, reunidas na coleção Identidades.
Já a Renner lançou uma collab com a ALUF, da estilista Ana Luisa Fernandes, e mais recente com a Francesca, da Francesca Monfrinatti.
“As collabs funcionam como alavanca para gerar desejo de consumo e atração de clientes, convertendo essa relevância em tráfego e fidelização”, afirma Renata Altenfelder, CMO da Lojas Renner S.A.
Para a executiva, as edições limitadas permitem explorar propostas mais autorais, combinando códigos da varejista com a identidade do parceiro.
No caso da ALUF, a escolha considerou o alinhamento entre as marcas e a capacidade de levar características do trabalho da estilista para uma produção de maior alcance.
“Estas coleções entregam a exclusividade de edição limitada, design criativo e uma narrativa conceitual rica, baseada na união da nossa história e na trajetória do próprio estilista parceiro”, diz.
Escolha dos estilistas
Renata destaca que o bom desempenho desse modelo depende de um processo de cocriação que preserve a essência de cada marca.
“O estilista participa ativamente da pesquisa de formas e volumes e da incorporação dos elementos que tornam seu trabalho reconhecível. Nossos times de design e engenharia de produto contribuem com o conhecimento técnico e a inteligência industrial, apoiados por uma ampla cadeia de fornecimento de matérias-primas responsáveis”, explica.
Para a Riachuelo, as collabs ampliam o acesso ao trabalho dos criadores e abrem espaço para testar novas propostas de produto.
“Mais do que lançar coleções, entendemos as collabs como uma plataforma para democratizar o acesso à moda e aproximar milhões de brasileiros do trabalho de grandes criadores”, afirma Cathyelle Schroeder, CMO da Riachuelo.
A empresa trabalha tanto com nomes conhecidos quanto com criadores em ascensão, escolhidos a partir de critérios como autenticidade, repertório e identidade criativa.

Coleções da Renner em parceria com a Francesca e ALUF (Créditos: Divulgação)
“Muitas pessoas que acompanham esses estilistas passam a enxergar a marca como um destino de moda. Também usamos essas parcerias para explorar novos caminhos, como a coleção Pool Loop com Marcelo Sommer, que transformou sobras têxteis em novas peças por meio do upcycling, e a collab com Helô Rocha, que levou para a coleção bordados desenvolvidos por artesãs de Timbaúba dos Batistas”, destaca.
“O estilista compartilha seu universo criativo e nossas equipes trabalham para traduzir essa identidade para o contexto da Riachuelo, preservando o que torna aquela marca única e, ao mesmo tempo, conectando a coleção ao nosso consumidor”, explica Cathyelle.
Já na C&A, a escolha também considera aspectos que vão além da estética, como relevância cultural, afinidade com o momento da marca e conexão com o cotidiano das consumidoras.
“Parte de um olhar estratégico e cultural, nunca só estético. Buscamos identidade criativa consistente, relevância dentro da moda e uma história que dialogue com o momento da marca”, afirma Cecília Preto Alexandre, CMO da C&A.
“Tem um critério que é decisivo para nós: a capacidade daquele parceiro de traduzir o olhar dele para a vida real da nossa cliente, que é uma mulher plural, de todos os cantos do Brasil. Isso faz da collab um convite duplo, para a nossa cliente conhecer um novo repertório, e para quem acompanha aquele criador descobrir que esse repertório está ao alcance dela nas nossas lojas”, completa.