Como ficam os patrocínios sem as bets na volta do Brasileirão?
Após proibição, clubes atraem novas marcas para as camisas e IBJR mantém campanha para a liberação das apostas

Corinthians substitui bet por empresa de IA no patrocínio master da Camisa (crédito: Divulgação)
Após a parada para a Data Fifa, o Campeonato Brasileiro retorna nesta quarta-feira, 7, com uma novidade: a proibição da divulgação das empresas de apostas esportivas nas camisas dos clubes, nas placas de campo e durante as transmissões, fruto da Medida Provisória sancionada no dia 25 de setembro.
Tendo em vista que a maioria das equipes mantinham empresas do segmento em sua cota máster, sendo 13 dos 20 apenas na Série A, a decisão impactou diretamente esse ativo, fazendo com que alguns dos times tivessem que procurar alternativas. Mesmo com a proibição, muitos ainda mantêm o contrato de publicidade ativo, na esperança de alguma mudança na MP.
Esse é o caso do São Paulo, que tem acordo com a Superbet e, para a partida diante do Cruzeiro pela 29ª rodada, terá a Superscore, plataforma de estatísticas esportivas que faz parte do mesmo grupo econômico da bet e que não está proibida pela medida, estampando a camisa.
Embora seja uma ação pontual, a intenção é que a iniciativa seja mantida, pelo menos, para o jogo contra o Vitória, no sábado, 10, enquanto ambas as partes avaliam o cenário das bets no País. O Fluminense, que também é patrocinado pela Superbet, seguirá com a mesma empresa.
O Corinthians, por sua vez, acabou perdendo dois dos seus maiores patrocínios durante a pausa para os amistosos da seleção. Além do máster, que era ocupado pela Esportes da Sorte, a Vara da Infância e da Juventude do Foro Regional do Tatuapé determinou a suspensão do contrato de patrocínio entre o alvinegro paulista e a Fatal Fans, vertente de conteúdo adulto da Fatal Model.
Para essa rodada, o clube contará com o Jota.ai, agente de inteligência artificial voltado para o mercado financeiro, ocupando a parte central da camisa. De acordo com a nota enviada pela assessoria da empresa, a parceria pode seguir para o restante da temporada.
O Internacional, que é o adversário do Corinthians nesta rodada, traz de volta para a parte central de seu uniforme a Shopee. A parceria repete o que aconteceu em agosto e setembro, em ações pontuais. Desta vez, o acordo promove os descontos de 10.10. O colorado não foi um dos clubes afetados pela proibição, pois não tinha patrocínio de bet desde janeiro, quando rompeu com a Alfabet.

Inter tem novo acordo com a Shopee na volta do Brsileirão (Crédito: Pedro H Tesch/GettyImages)
O Flamengo, por sua vez, liderava o ranking de patrocínio com a parceria com a Betano, com valores que ultrapassam os R$ 250 milhões por ano, além de eventuais bonificações, ainda não anunciou nenhum substituto para a cota master. Enquanto mantém em compasso de espera a parceria com a Betano, o rubro-negro estreia o contrato com a Lubrax, que volta para a camisa do Flamengo após hiato de 17 anos. A marca estará na parte superior das costas do uniforme.
Na Série B, a BYD assumiu o patrocínio do Vila Nova, de Goiás, em um acordo válido até o fim da temporada de 2026. Anteriormente, o espaço era ocupado pela Bet da Sorte.
Medidas emergenciais
Com a proibição das Bets, o Governo de Minas Gerais anunciou um pacote de R$ 32 milhões em patrocínios a Atlético Mineiro, Cruzeiro e América. Os acordos incluem investimentos no futebol feminino e a disponibilização de ingressos gratuitos para estudantes de baixa renda em partidas específicas.
A decisão do governo tem aportes feitos por meio da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), cujas marcas passarão a ocupar espaços ainda a serem definidos nos uniformes das equipes.
Proibição das bets no Brasil
Com a decisão, ficam restritos a oferta de apostas de quota fixa (esportivas), bem como outros tipos de jogos de azar online, que passam a ser considerados ilegais no País.
No entanto, entidades de apostas ainda tentam suspender a medida. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), por exemplo, protocolaram uma manifestação endereçada ao ministro Luiz Fux, do STF, pedindo a suspensão imediata da medida.
No documento, as entidades defendem que a medida provisória foi aplicada fora de sua definição por produzir efeitos imediatos, definitivos e, possivelmente, irreversíveis.
Além disso, nas partidas de São Paulo e Santos, na sexta-feira 2, e Atlético Mineiro e Bragantino, no sábado, 3, as empresas associadas à ANJL e ao IBJR cederam espaço nas placas ao redor do campo para exibir as frases “Proibir não é proteger” e “A proibição não acaba com as apostas”. As ações devem seguir para essa rodada, que deve ter placas com as mensagens.

