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Dívidas e nova liderança: o que acontece com a Chilli Beans?

Empresa contrata André Dela Togna como vice-presidente para ajudar a renegociar dívidas mas nega que pedirá recuperação judicial

i 2 de setembro de 2026 - 11h29

Chilli Beans

(Crédito: Vitormourao / Shutterstock)

A rede de óticas e acessórios Chilli Beans criou um plano para tentar renegociar suas dívidas junto aos credores e tentar melhorar sua situação financeira.

A partir de 1º de outubro, o executivo André Dela Togna, profissional com experiência em processos de gestão e transformação empresarial, assumirá o cargo de vice-presidente da rede, apoiando diretamente e operacionalmente o CEO e fundador da companhia, Caito Maia.

Dela Togna é conselheiro da Klin e fundador da aceleradora CelUp e chega ao negócio com a proposta de auxiliar a companhia a melhorar sua situação financeira.

“A empresa está em avançada negociação amigável com bancos credores, objetivando alongar prazos de pagamento e reduzir juros”, diz a Chilli Beans, em nova enviada à reportagem.

Ainda segundo a companhia, o novo vice-presidente chega para auxiliar neste projeto, “apoiando operacionalmente o CEO, Caito Maia, que pretende se dedicar cada vez mais aos clientes e franqueados”.

Dívidas de R$ 600 milhões

No início desta semana, reportagem do portal NeoFeed havia antecipado a contratação de Dela Togna pela Chilli Beans, pontuando que o executivo chegaria com a missão de auxiliar a empresa a renegociar dívidas que, até o fim do ano passado, somavam mais de R$ 600 milhões.

A reportagem afirmava que, nesse processo, a companhia estaria prestes a entrar com pedido de recuperação judicial.
À reportagem de Meio & Mensagem, a Chilli Beans negou a notícias. “A Chilli Beans esclarece que não há nenhuma discussão sobre eventual processo de recuperação judicial”.

No comunicado, a empresa diz, inclusive, que projeta crescimento de 10% para este ano e cita que ter tido vendas recordes no Dia dos Pais.

“Com resultados recordes no último Dia dos Pais, a companhia projeta crescimento de 10% neste ano e já prepara lançamentos especiais em homenagem às trajetórias de diversos artistas. Parcerias com grandes marcas da moda e iniciativas com foco regional também estão em desenvolvimento para nos aproximar ainda mais de nossos consumidores”, diz a nota.

Ano difícil

Em outubro de 2025, em entrevista ao Meio & Mensagem, o CEO da rede, Caito Maia admitiu que o ano passado tinha sido difícil para a companhia.

“O ano de 2025 foi muito difícil, por conta de algumas variáveis. Vemos as pessoas com poder aquisitivo menor e temos um fluxo menor nos pontos de venda, sobretudo nos shoppings. O maior problema que temos atualmente, e também nosso maior desafio, é a desconfiança em relação ao futuro do Brasil, a respeito do que irá acontecer no País”, disse Maia.

O executivo pontuou também a questão dos juros no Brasil. “Para completar, preciso reforçar de que é insustentável para o varejo do País uma taxa de juros a 14%. O varejo não resiste mais um ano a essa taxa, ele morrerá. Esse ambiente em que vivemos é muito desafiador e não existe paralelo em nenhum outro lugar do mundo. O empreendedor, independentemente do tamanho, está sofrendo demais, porque é preciso ter capital para crescer e sustentar o negócio”.

Ainda assim, Maia afirmou que, em 2025, a Chilli Beans cresceria 8%, o que, segundo ele, “era um milagre dentro da atual conjuntura”.