Nomad faz acordo de 10 anos com Time Out Market
Fintech investirá cerca de R$ 100 milhões no que chama do primeiro “experience rights” do mercado

Thaís Nicolau, diretora de marketing da Nomad: “Não queríamos ser só mais uma marca” (Crédito: Eduardo Lopes/Maquinadafoto)
A fintech brasileira Nomad inicia nesta quarta-feira, 2 de setembro, um novo capítulo na estratégia de marketing e negócios que vem explorando há algum tempo: a associação da marca ao universo da gastronomia.
Em evento na manhã de hoje, a Nomad será revelada como a principal marca por trás da vinda do Time Out Market à América Latina, com investimento de cerca de R$ 100 milhões num contrato inicial de dez anos. A primeira unidade na região da rede de mercados gastronômicos e culturais será aberta no Conjunto Nacional, na avenida Paulista. O Time Out Market tem como proposta reunir em um único espaço o melhor da gastronomia das cidades onde se instala.
Thais Nicolau, diretora de marketing da Nomad, ressalta que a empresa é relativamente nova – tem menos de seis anos – e duas coisas a diferenciam para expandir o reconhecimento de marca e fortalecer a confiança dos usuários. Uma foi ser uma fintech que desde cedo entendeu também a importância de ter uma interface física com os consumidores. Por isso, em seu primeiro ano e meio inaugurou uma sala VIP em ponto estratégico do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, segundo ela, com olhar diferente do que outras marcas tinham para esse tipo de espaço.
Depois, ao ingressar no time de marketing e definir seus territórios de atuação, evitou ambientes já muito povoados, como música e esportes, e abraçou a gastronomia, pela sintonia com a Nomad: “Não queríamos ser só mais uma marca. Vimos oportunidade na gastronomia, que é um território com uma conexão muito grande com a nossa audiência e posicionamento, porque você conhece novas culturas, explora novos temperos, conhece novos países viajando, mas também por meio da gastronomia em sua própria cidade”.
Negócio global
O acordo entre a Nomad e o Time Out Market também prevê ações em unidades da rede fora do País, associadas a frentes de negócio que a fintech deseja expandir para o futuro, como investimentos no exterior, por exemplo, proporcionando experiências diferenciadas para os melhores clientes em viagens internacionais, assim como com o produto cartão de crédito, que a Nomad começa a expandir no Brasil.
Dois mil e vinte e seis é considerado o ano que, de fato, a marca colocou os dois pés no território da gastronomia. No início do ano, fez um programa com o GNT, da Globo – o Entre Américas -, explorando gastronomia, lifestyle e cultura das seis cidades que sediaram a Copa. Na Band, patrocina o MasterChef. Em maio, foi lançado o Nomad Guide, uma curadoria de bares e restaurantes que iniciou com 12 cidades e já está com quase 30.
E o acordo com o Time Out é agora, diz Thaís, “um dos grandes estandartes dessa atuação”, por ser uma plataforma global, trazendo o melhor da gastronomia em vários países (e não necessariamente apenas dos chefes mais estrelados) em sintonia com o perfil da Nomad que ajuda os clientes a viverem esses momentos. “Apesar de a gente estar no Brasil, é uma parceria que vai ser também internacional, começando com Lisboa e Nova York, e a ideia é expandir ao longo do tempo”, diz.
Fora dos padrões
A executiva da Nomad conta que por não querer cair em um contrato padrão de patrocínio, por exemplo, com um naming right, influenciando uma marca que já é por si tão forte, o acordo foi desenhado para ser “algo muito diferenciado, numa parceria longeva”.
Daí o contrato de dez anos, com investimento de mais de R$ 100 milhões, e o objetivo de que qualquer pessoa que entre no Time Out Market São Paulo tenha uma experiência pelo olhar da Nomad. “Estamos chamando isso do primeiro experience rights do mercado. Haverá visibilidade de marca, mas também uma série de ativações e de experiências que vamos proporcionar para qualquer pessoa que não seja cliente, mas que serão ainda mais potencializadas se essa pessoa for cliente”, conta Thaís.
Assim, além de exposição de marca no próprio local e canais digitais, a Nomad terá um dos restaurantes do complexo, em que a cada quatro meses um chef internacional assinará o menu, apresentando ao público brasileiro novos sabores e culturas. Eventualmente, também poderá haver collabs de chefs brasileiros com chefs de fora do País.
Outras iniciativas são o guia Nomad e Time Out, publicado mensalmente, e o Nomad Sessions, masterclasses com os chefs que têm restaurante no espaço.
Os clientes Nomad terão preferência no soft opening em janeiro de 2027, uma área exclusiva no espaço e benefícios como preferência nas reservas (nos restaurantes que demandarem isso), descontos na conta ou bebida cortesia. Os benefícios aos clientes Nomad devem ser estendidos ao Time Out Market de Lisboa, por onde passam anualmente mais de 1 milhão de brasileiros, e ao de Nova York.
“E teremos uma premiação anual de gastronomia, que vai ser o melhor da gastronomia local, com o olhar para chefs que estão despontando”, revela Thaís.
Conquistar pelo estômago
No novo Time Out Market São Paulo, a Nomad também terá uma máquina para emissão de cartões. Afinal, entre uma garfada e outra, a empresa não descarta adquirir novos correntistas.
Hoje, são 3,8 milhões de pessoas na base, que em dezembro de 2023, quando a executiva entrou, estava em 1,2 milhão. Além disso, o percentual de investidores saiu de 5% para 20% de representatividade entre quem abre a conta para investir no exterior – hoje, são R$ 8 bilhões de ativos sob custódia da Nomad. Mas Thaís ressalta que o grande objetivo com o projeto ainda é ampliar o conhecimento da marca: “Crescemos mais de 20 pontos percentuais ao longo desses quase três anos, desde que entrei, mas ainda não estamos onde queremos estar.”
Para isso, a gastronomia, é vista como o canal ideal tanto para fidelizar quem já é cliente quanto para despertar o apetite dos que ainda não o são, para que queiram acessar os benefícios do menu oferecido aos “de casa”, elevando o awareness da marca.