Ri Happy pede recuperação extrajudicial; veja casos de 2026
Como parte do plano de reestruturação financeira, varejista precisa renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas

Ri Happy quer recuperar R$ 827,4 milhões em dívidas (Crédito: Reprodução / YouTube)
No último domingo, 18, a Ri Happy, juntamente com outras empresas do grupo, que conta com nomes como PB Kids e New Toys, entraram com um pedido de recuperação extrajudicial a fim de renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas.
De acordo com o G1, a companhia aponta que os problemas financeiros resultam de diversos fatores, como os efeitos da pandemia, juros elevados e a queda de vendas no varejo.
A empresa afirma, ainda, que a concorrência com outras plataformas, como Shopee e AliExpress, também impacta diretamente em suas receitas, mesmo quando havia a “taxa das blusinhas”, que estabelecia um imposto de até US$ 50 para compras internacionais.
O pedido acontece pouco tempo após a aquisição do grupo pela BluSun Capital, que assumiu integralmente a operação, além de promover uma mudança societária, e trazendo Héctor Núñez como CEO da Ri Happy.
Antes disso, em 2023, a companhia já havia feito um pedido de recuperação para negociar cerca de R$ 292 milhões com bancos, mas a iniciativa não surtiu o efeito econômico desejado.
Procurado pela reportagem de Meio & Mensagem, o grupo afirmou, por meio de um comunicado, que o movimento faz parte de um plano de reestruturação financeira e operacional que visa renegociar as dívidas com os credores. “As principais prioridades incluem: a otimização do desempenho das lojas físicas e canais digitais; o aprimoramento da experiência de compra do cliente; e o fortalecimento do relacionamento com clientes, colaboradores, fornecedores, franqueados, shoppings e parceiros financeiros”, diz o documento.
A companhia afirma, ainda, que as lojas físicas e os canais digitais seguem funcionando normalmente, com as equipes dedicadas ao atendimento dos clientes e à preparação para a Black Friday e o Natal. Até o momento, a empresa já conseguiu negociar com a parte desses financiadores, que representam R$ 308,8 milhões da dívida.
A Ri Happy não foi a única corporação neste ano a tentar a renegociação de suas dívidas de forma extrajudicial, ou seja, sem envolver a justiça, negociando diretamente com os seus credores.
Em agosto, a Braskem aprovou o pedido para reestruturar cerca de U$10,9 bilhões em dívidas financeiras. Já a Raízen, joint-venture formada pela Cosan e Shell, tinha como objetivo sanar dívidas que ultrapassam o montante de R$ 65,1 bilhões.
No setor de varejo alimentar, Grupo Pão de Açúcar (GPA) desenvolveu um plano que, segundo comunicado, tinha como objetivo renegociar uma dívida de R$ 4,5 bilhões. O plano não abrangia as obrigações correntes junto a fornecedores, parceiros e clientes, bem como obrigações trabalhistas, que não serão afetadas.
Mercado em recuperação
Além da Ri Happy, a Estrela, que também é do segmento de brinquedos, enfrenta dificuldades financeiras. Em maio deste ano, a fabricante entrou com um pedido de recuperação judicial. Neste caso, diferente do que acontece com a varejista, o processo acontece todo dentro da Justiça, sob a supervisão de um juiz e atinge todas as classes de dívidas, incluindo as trabalhistas.
Entre as empresas que solicitaram recuperação judicial recentemente estão Grupo Gennius, dono de Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, Casas Bahia, Grupo Toky, dono das varejistas de móveis Tok&Stok e Mobly.
