VAREJO

Casas Bahia protocola pedido de recuperação judicial

Varejista amplia prejuízo para R$ 10 bilhões no último trimestre e anuncia o fechamento de quase 300 lojas

i 17 de agosto de 2026 - 9h40

A Casas Bahia anunciou no último domingo, 16, que entrou com um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), frente a um ambiente macroeconômico desafiador.

De acordo com fato relevante, a decisão ocorre em meio a um contexto de deterioração das condições econômico-financeiras que vem enfrentando, além de um cenário de altas taxas de juros, restrição de crédito, aumento de custos financeiros e pressão sobre consumo.

Acordo entre Casas Bahia e Mercado Livre visa amplificar o acesso a linha de eletrodomésticos, eletrônicos e móveis (rafaelnlins / Shutterstock)

Depois de dois anos, Casas Bahia entra com novo pedido de recuperação judicial (rafaelnlins / Shutterstock)

O pedido de recuperação judicial se estende, também, às subsidiárias do grupo, entre elas a ASAP Log – Logística e Soluções Ltda; ASAP Log Ltda; CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística Ltda; Cntlog Express Logística e Transporte Ltda; Globex Administração e Serviços Ltda; Cnova Comércio Eletrônico S.A; Integra Soluções para Varejo Digital Ltda; Casas Bahia Tecnologia Ltda; e Indústria de Móveis Bartira Ltda.

Além do protocolo, o Conselho de Administração da Casas Bahia aprovou a convocação de uma assembleia geral extraordinária em caráter de urgência.

O documento aponta, ainda, que a companhia mira uma reestruturação financeira. A Casas Bahia manterá as operações em todos os canais em que está presente.

“Com a readequação de sua estrutura operacional, centralizada em operações mais rentáveis e com maiores margens de contribuição, aliada ao reperfilamento e alongamento de suas dívidas financeiras e operacionais a Companhia buscará, por meio do processo de reestruturação organizado, uma solução definitiva para as questões envolvendo sua estrutura de capital”, apontou.

O plano de ação inclui o redimensionamento da companhia, priorizando canais e categorias de maior rentabilidade, reduzindo o capital empregado e o custo de financiamento.

A varejista chegou a adiar, por duas vezes consecutivas, a divulgação dos resultados recentes. No trimestre, registrou um prejuízo de R$ 10 bilhões — 18 vezes mais que o mesmo intervalo do ano anterior — dos quais R$ 9,1 bilhões correspondem a ajustes contábeis extraordinários e despesas relacionadas ao plano de reestruturação.

No que chama de “plano de transformação fase 2”, a companhia optou pelo fechamento de 298 lojas em todo o País e ajustou o quadro de colaboradores.

Entre os demais resultados, a receita líquida foi de cerca de R$ 7 bilhões, um aumento de 1,6%. Destaque para o desempenho do e-commerce, cujas vendas cresceram 15,3%, para R$ 2,8 bilhões. A empresa sinaliza para o crescimento do online com parcerias, mas consumo segue ameaçado pelo cenário econômico, endividamento e crescimento das bets.

Alta também de 10,9% no lucro bruto, em R$ 2,2 bilhões. Entre despesas, a Casas Bahia cita o aumento da inflação no período e composição das despesas de comissão das parcerias estratégicas nos canais digitais.

Histórico de recuperação

A Casas Bahia já havia passado por um processo de recuperação judicial há dois anos. Em abril de 2024, a empresa anunciou o pedido de recuperação extrajudicial para o reperfilamento de suas dívidas financeiras avaliadas então em R$ 4,1 bilhões.

À época, todos os credores aderiram ao plano, e o CEO, Renato Franklin, relacionou o movimento ao plano de transformação da companhia anunciado em 2023 e às flutuações macroeconômicas.