O que se espera do futuro do streaming nos EUA?
Fusão Paramount-Warner Bros. criará potência de VOD, mas com mais de US$ 77 bilhões em dívidas
O que será o streaming dos EUA assim que Paramount e Warner se unirem?
Depois de deslanchar a fusão com a Warner Bros. Discovery (WBD), após o anúncio do acordo com os 12 procuradores-gerais estaduais, a Paramount prevê que a transação se revolva durante o próximo mês de outubro.
De acordo com os termos do acordo, a Paramount não tem a obrigação de fazer nenhum desinvestimento.
De fato, o acordo prevê compromissos comportamentais, como o lançamento de, pelo menos, 30 filmes por ano pela Paramount-Warner Bros. no prazo de 45 dias para exibição nos cinemas.
Combinação HBO Max e Paramount+
Um dos pontos altos, pela expectativa dos analistas, na verdade, é a vantagem que deve ser vir na guerra do streaming nos EUA: a combinação da HBO Max (da WBD) com o Paramount+ deve fazer com que os EUA atinjam mais de 240 milhões de assinantes de serviços de vídeo on demand (VOD) até 2030, segundo analistas do Morgan Stanley.
“Vemos a combinação de HBO Max e Paramount+ como uma potência do streaming que tem potencial para ir do 4º. e 5º. serviços de streaming para rivalizar com Disney e Prime Video pelo 2º. e 3º. lugar, atrás da Netflix em SVOD premium”, disse o analista do Morgan.
Para os especialistas, há uma sobreposição de 28% nos assinantes do HBO Max/Paramount+ e “embora, inevitavelmente, haja algum volume de clientes logo no início”, cerca de 23% dos consumidores entrevistados pelo Morgan Stanley que não assinavam nenhum dos serviços disseram que provavelmente o fariam como um serviço de streaming adicional (e 17% disseram que substituiriam outro serviço).
O CEO da Paramount Skydance, David Ellison, já afirmou que o plano é combinar HBO Max e Paramount+ em plataforma de streaming consolidada, mas detalhes sobre o momento em que isso ocorrerá e como será feito ainda não foram divulgados.
Dívidas acumuladas
No entanto, a futura Paramount-Warner Bros. terá que lidar com uma quantidade impressionante de dívidas para viabilizar a fusão de US$ 111 bilhões com a WBD, além da dívida já existente de acordos anteriores.
No final deste ano, a dívida líquida da empresa combinada será de US$ 77,2 bilhões, estimam os analistas.
De qualquer forma, portanto, a Paramount-Warner Bros. resolverá isso?
Segundo os analistas do Morgan Stanley, a nova empresa poderá “desalavancar” a montanha de dívida nos próximos três anos.
A expectativa é que a empresa, quando for feita a consolidação, gere economia de US$ 6 bilhões, ou seja, 11% das despesas operacionais.
Isso deve ajudar a impulsionar o fluxo de caixa livre da nova Paramount-Warner Bros. dos US$ 2,1 bilhões em 2017 para US$ 8,1 bilhões em 2030, segundo a previsão dos analistas.
Um dos motivos para se acreditar na viabilidade da fusão é que, na opinião dos analistas, escala e propriedade intelectual são importantes em um ecossistema midiático cada vez mais fragmentado.
O Morgan lembra que a nova empresa deterá propriedades intelectuais como Game of Thrones, Senhor dos Anéis, Harry Potter e o Universo DC.