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Grupo Toky, dono de Tok&Stok e Mobly, pede recuperação judicial

Pedido visa resguardar a companhia e as suas controladas, além de viabilizar a continuidade de suas atividades

i 12 de maio de 2026 - 15h43

Grupo Toky recuperação judicial

Rede Tok&Stok faz parte do Grupo Toky (Crédito: Cabral Correia/Shutterstock)

O Grupo Toky, dono das varejistas de móveis Tok&Stok e Mobly, entrou com pedido de recuperação judicial junto à Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível do Estado de São Paulo, sob segredo de justiça.

Segundo fato relevante, divulgado pelo grupo nesta terça-feira, 12, a decisão foi aprovada em caráter de urgência após reunião realizada pelo conselho de administração da companhia na segunda-feira, 11.

No documento, a administração esclareceu que “o ambiente macroeconômico desafiador, especialmente para o setor de varejo de móveis e decoração, caracterizado por taxas de juros ainda elevadas, maior nível de endividamento das famílias, condições de crédito mais restritivas têm resultado em menor confiança do consumidor e postergação de decisões de compra, impactando o desempenho de vendas, que segue abaixo do potencial”.

Além disso, a empresa reforçou que as condições macroeconômicas e as restrições temporárias nos níveis de estoque vêm causando um impacto significativo na liquidez de curto prazo da companhia.

Há tempos que o grupo tem tentado se reestruturar. Em 2023, a Tok&Stok fechou acordo para reperfilamento de dívidas bancárias e, um ano depois, a companhia abriu um plano de recuperação extrajudicial homologado e se uniu à Mobly, no Grupo Toky.

No entanto, em comunicado, o grupo ressaltou que mesmo com os esforços feitos pela administração da empresa, o seu alto envididamento persiste e vem se agravando, o que exigiu a adoção de medidas urgentes adicionais “destinadas a preservar suas atividades, proteger sua liquidez e permitir a implementação de uma reestruturação ordenada de seu endividamento e de sua estrutura de capital”.

O conselho de administração ressaltou que, nesse contexto, “o pedido de recuperação judicial tem por objetivo resguardar a companhia e as suas controladas, viabilizar a continuidade de suas atividades, preservar os serviços por elas prestados, preservar seu valor e sua função social, bem como criar condições para a negociação e implementação de solução adequada para suas obrigações, no interesse da companhia e controladas, de seus credores, trabalhadores, acionistas e demais stakeholders”.

O Grupo Toky informou, ainda, que, conforme previsto na Lei das Sociedades por Ações, o pedido será submetido à ratificação da Assembleia Geral Extraordinária da companhia, cuja convocação foi aprovada pelo Conselho de Administração na segunda-feira, 11, e será realizada na forma da legislação e regulamentação aplicáveis.

Venda de ações e renúncia

Na segunda-feira, 11, o grupo já havia comunicado ao mercado que quatro fundos de investimento da companhia, geridos pela SPX Private Equity, estão em estágio avançado de negociações para vender a totalidade de suas participações acionárias e bônus de subscrição na companhia.

Em decorrência desse processo, os conselheiros Fernando Porfírio Borges e Felipe Fonseca Pereira apresentaram suas cartas de renúncia aos seus cargos no conselho de administração da companhia.

Diante das renúncias, na própria segunda-feira, 11, o conselho elegeu interinamente Fabio Ferrante, como conselheiro, e  André França, como conselheiro independente. As eleições ainda serão submetidas à ratificação na primeira Assembleia Geral da companhia que venha a ser realizada após esta data.