O que os CMOs buscam dos talentos em inteligência artificial?
Tecnologia ampliou o escopo de posições tradicionais da área e exige pensamento crítico e fluência digital
O impacto da inteligência artificial (IA) no trabalho tem ganhado dados cada vez mais palpáveis. No ano passado, um estudo da PwC revelou que profissionais com habilidades em IA, como engenharia de prompt, têm um prêmio salarial de 56%. Em 2024, o prêmio era de 25%.

Criatividade, pensamento crítico e fluência digital estão entre as habilidades procuradas (Crédito: metamorworks-shutterstock)
Além disso, as habilidades procuradas pelos empregadores estão mudando 66% mais rápido nos cargos mais expostos à IA, na comparação com funções menos impactadas. No universo do marketing, no último ano, o avanço da IA não tem necessariamente criado cargos novos, mas atualizado posições que já existem.
“O setor não está vivendo uma ‘revolução de nomenclaturas’ e, sim, uma expansão de escopo. Papéis mais tradicionais ganharam responsabilidades mais técnicas, analíticas e orientadas a automação”, explica André Benito, gerente executivo da empresa de recrutamento Michael Page.
Já as posições especialistas, como head de IA e engenheiro de prompt, quando existem, ocupam uma função transversal nas companhias. Elas atendem às demandas e processos de diferentes áreas.
Para o gerente de recrutamento da Robert Half, Caio Rodrigues, as cadeiras mais importantes no que tange o uso de IA em marketing seriam as da liderança. “Essas cadeiras acabam tendo visão estratégica de pensar como incorporar IA dentro de um modelo de negócio que viabilize um produto novo, por exemplo”, aponta.
Habilidades e perfil profissional
Para acompanhar a velocidade da evolução, os CMOs têm combinado estudo contínuo, troca com especialistas e, sobretudo, experimentação que acontece individualmente e em processos estruturados nas empresas.
Marina Daineze, vice-presidente de comunicação e sustentabilidade da Vivo, conta que ela e outros 150 líderes da companhia passaram por um processo de imersões práticas sobre o uso de IA no dia a dia durante o segundo semestre do ano passado. Outros 500 gestores ainda passarão pela dinâmica.
A experimentação também vem por meio de testes e pilotos. “Acredito que a principal curva de aprendizado foi sair do campo conceitual e avançar para aplicações práticas capazes de gerar impacto real no negócio. Esse processo tem acontecido com forte integração entre as áreas, especialmente com o time de tecnologia”, descreve Gustavo Pimenta, diretor executivo comercial, marketing e e-commerce do Grupo Casas Bahia.
Já quando o assunto são as habilidades e os perfis profissionais necessários na equipe para acompanhar essa transformação, os executivos buscam talentos que unem criatividade, pensamento crítico e fluência digital para pensar o trabalho já conectado à IA.
“A IA já acelera testes criativos, prototipação e análises de dados no nosso marketing, o que exige pessoas capazes de orientar a tecnologia com boas perguntas e bom repertório, garantindo autenticidade e responsabilidade”, defende Daineze.
As métricas da IA
A IA também exige métricas próprias. Os executivos contam que, além dos indicadores tradicionais, passaram a avaliar de forma estruturada o impacto da tecnologia na produtividade e capacidade de execução.
“Acompanhamos indicadores como a redução do tempo de criação e prototipação, o aumento do volume de testes criativos e a velocidade na análise de dados, etapas hoje aceleradas pela IA nas rotinas de conteúdo e inteligência”, divide a vice-presidente da Vivo.

