Como os anúncios aparecerão dentro do ChatGPT no Brasil?
Head of global solutions da OpenAI antecipa que publicidade será identificada e garante privacidade das conversas dos usuários

(Crédito: Blossom Stock Studio/Shutterstock)
Em algumas semanas, os usuários do ChatGPT no Brasil começarão a ver definitivamente anúncios dentro da plataforma.
O mercado nacional será o próximo a receber a solução ChatGPT Ads, que a OpenAI implementou nos Estados Unidos em fevereiro e que, posteriormente, já foi levada para Canadá, Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Japão e Coreia do Sul.
A abertura do ChatGPT à publicidade é um movimento de negócios muito importante para a OpenAI, visto que a empresa de inteligência artificial espera encerrar o ano de 2026 com 40% de sua receita total proveniente da comercialização de anúncios.
“Hoje em dia, quando as pessoas buscam por informações, quando têm alguma dúvida, algum problema para resolver ou estão planejamento a refeição daquela noite ou alguma viagem, o ChatGPT já é o lugar por onde elas, naturalmente, iniciam essa busca. E, para os anunciantes, é aí que tudo começa”, resumiu Dave Dugan, head of global ads solutions da OpenAI, em entrevista ao Meio & Mensagem.
O executivo visitou o Brasil no mês passado para, justamente, ouvir de agências e anunciantes os feedbacks a respeito da plataforma de anúncios do ChatGPT.
Além de antecipar que a solução chegará aos planos gratuito e Go em algumas semanas – a empresa ainda não cravou uma data específica – Dugan também detalhou como as pessoas verão as mensagens publicitárias em meio às interações com o ChatGPT.
No Brasil, a ideia é que a plataforma de publicidade siga o modelo dos demais mercados, com a identificação de que aquela aba é um anúncio e não uma resposta da IA para a pergunta do usuário.
Independência de resposta
O executivo da OpenAI explicou que, para a adoção da publicidade, a empresa adota um critério denominado internamente de “independência de resposta”, que pretende distinguir claramente um conteúdo orgânico do publicitário.
“O usuário faz uma pergunta e recebe a resposta orgânica, sem qualquer alteração devido à publicidade. Após essa resposta, há uma linha cinza e, abaixo dela, pode haver um anúncio, mas fica muito claro que se trata de uma publicidade, pois sempre há um elemento dizendo ‘patrocinado’ ou ‘anúncios’”, detalha Dugan.
“Assim, não há confusão entre a resposta orgânica do modelo e o conteúdo patrocinado e fica extremamente claro para o usuário quando se trata de um anúncio”, frisa.
Além disso, o head de ads também garante que o ChatGPT prioriza a privacidade das conversas e que deve inserir anúncios publicitários apenas em mensagens que tiverem algo que possa ser caracterizado como uma intenção comercial direta.
“As pessoas fazem todo tipo de pergunta ao ChatGPT e vemos que 20% dessas pesquisas têm intenção comercial direta. É para isso que exibimos anúncios. Porém, as pessoas também fazem perguntas pessoais ou pedem conselhos de relacionamento, e não vamos exibir nada [de publicidade] nesses casos. A publicidade é fundamental e nós nunca compartilharemos detalhes das conversas externamente para protegê-la”, garante o executivo.
Opções sem anúncios
Assim como já acontece em outros mercados, os brasileiros que quiserem utilizar o ChatGPT sem a visualização de publicidade terão essa opção apenas se assinarem os planos de valor mais elevado da plataforma de IA.
“Não queremos que as pessoas sejam pegas de surpresa e sim que os anúncios somem à experiência. Se os anúncios são direcionados corretamente, eles se tornam uma resposta à pergunta das pessoas. Se um usuário diz: ‘Estou no trabalho, muito ocupado, vou chegar tarde em casa, quais são algumas opções de refeição rápida para minha família?’, um anúncio ou recomendação pode ajudá-lo a resolver esse problema e ser útil”, acredita.
