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Como o Spotify paga os artistas e compositores?

Carolina Alzuguir, head de música do Spotify Brasil, explica como é feita a remuneração na plataforma

i 12 de maio de 2026 - 6h00

Spotify artistas

Spotify tem duas fontes de receita: por assinaturas e com publicidade (Crédito: Bangla Press/Shutterstock)

Um questionamento muito comum para o Spotify é: como a plataforma remunera os artistas e compositores? Porém, antes de explicar de que forma é feita essa remuneração, Carolina Alzuguir, head de música do Spotify Brasil, salienta que a plataforma não paga os artistas e compositores diretamente, mas, sim, os detentores de direitos, que são as gravadoras, distribuidoras (para direitos artísticos) e editoras (para direitos autorais de compositores), e esses intermediários, por sua vez, repassam os pagamentos aos seus artistas, de acordo com cada contrato.

O Spotify trabalha com duas fontes de receita: as assinaturas premium e publicidade (exibida para usuários do plano gratuito). Somadas essas duas fontes compõem o fundo de royalties, também chamado de “pool de pagamentos” da plataforma. “De toda a receita que o Spotify recebe, repassamos dois terços em forma de direitos, em forma de pagamentos de direitos para a indústria da música”, pontua Carolina.

O modelo de remuneração da plataforma não é um valor fixo por reprodução, mas, sim, pelo que chama de “stream share”. “O modelo de remuneração é baseado na participação que um artista ou uma gravadora detentor de conteúdo ou de direitos teve naquele mês, naquele país, dentro do Spotify”, destaca a líder.

Ou seja, o valor pago pela plataforma a um detentor de direitos depende da proporção da plays que ele teve em relação ao total de streams (reproduções) no Spotify em um determinado mês e país. Por exemplo, se uma distribuidora detém 20% de todos os streams realizados no Brasil em um mês, ela terá direito a 20% do fundo de royalties destinado àquele mercado naquele período.

Dessa forma, Carolina enfatiza que o montante final que cada artista recebe na plataforma varia de acordo com diversas variáveis, como o país ou mercado onde a reprodução ocorreu, o número total de streams realizados na plataforma naquele mês, e o tipo de contrato e o percentual de royalties acordado entre o artista e sua gravadora ou distribuidora.

Carolina também conta que o Spotify já considerou outros modelos de pagamento e que frequentemente senta com parceiros da indústria para pensar em novas alternativas. Inclusive, segundo a executiva, a plataforma já fez um estudo para verificar a viabilidade de um modelo centrado no usuário. “Só que a conclusão que esse estudo trouxe foi que esse modelo não resolve alguns dos principais desafios que a indústria tem hoje. O que muda é só a forma de distribuir, o montante a ser pago continua sendo igual”, salienta.

Na visão da executiva, esse modelo aumentaria muito a complexidade operacional e os custos operacionais, porque seria necessário calcular individualmente milhões de assinaturas por mês, o que praticamente não seria viável.