Meta tem lucro de US$ 64,6 bilhões no terceiro trimestre
Empresa pagará US$ 25 bi no caso Cambridge Analytica; no País, foi acionada pelo MPF sobre posts das eleições
A Meta superou as expectativas e lucrou US$ 64,6 bilhões no terceiro trimestre, aumento de 26% em relação ao ano anterior.

Meta lucra US$ 64,6 bilhões no terceiro trimestre graças a investimentos em IA (Crédito: Photo Agency/AdobeStock)
Os resultados dos três meses, divulgados nesta quarta-feira, 21, se atribuem ao avanço e bom desempenho da companhia em inteligência artificial (IA).
De acordo com o fundador e CEO, Mark Zuckerberg, a companhia alcançou marcos importantes em meio à ambição de democratizar a superinteligência.
O novo agente, Meta Muse, por exemplo, conta com mais de 10 milhões de usuários entre Estados Unidos e Canadá.
Já o também recém-lançado Muse Wonder, modelo mais avançado da big tech até o momento, promete realizar tarefas mais longas e complexas.
“Nossos investimentos estão dando resultados, o negócio principal está sólido e estamos observando agilidade em todas as frentes”, disse Zuckerberg em nota.
Assim, as despesas, principal campo de atenção das big techs em meio à corrida pela IA, totalizaram US$ 51,6 bilhões, ante os US$ 30,7 bilhões do mesmo período do ano passado.
De fato, cerca de US$ 9,8 bilhões do valor contemplam movimentos feitos para encerrar processos judiciais relacionados à saúde mental de crianças e adolescentes.
Em agosto, a empresa firmou acordo com procuradores-gerais de 52 estados e territórios dos Estados Unidos, o que culminou em pagamentos de até US$ 18,5 bilhões.
Cambridge Analytica e Austrália
A Meta enfrenta ação coletiva na Austrália — o primeiro país a proibir redes sociais a crianças e adolescentes — pela exposição de menores a conteúdo impróprio.
Na verdade, esse conteúdo abrange suas plataformas, Facebook e Instagram, e também por desenhar algoritmos viciantes.
A ação foi aberta por oito autores que alegam que sofreram impacto pelas práticas da companhia.
A empresa, ainda, foi condenada pelo júri do estado do Novo México a multa de US$ 25 bilhões pelo caso Cambridge Analytica, escândalo que eclodiu em 2018.
O processo é de usuários do Facebook após a revelação de que a empresa de pesquisa britânica, ligada à campanha presidencial de Donald Trump em 2016, obteve acesso aos dados de até 87 milhões de usuários da rede social.
Nova classe de ações
Um dos principais anúncios da divulgação de resultados envolve nova classe de ações negociadas a partir de janeiro de 2027.
Essas ações deverão ser distribuídas aos investidores por meio de dividendo e, na prática, prevê que os detentores de ações de classe A da Meta tenham direito a ação de classe C, em proporção de dois para um.
Assim, de acordo com a empresa, a decisão deverá sustentar o crescimento e expandir a infraestrutura voltada para a evolução da IA.
Também vê no novo modelo forma de manter Zuckerberg na liderança, o que preserva seu poder de decisão internamente e dá continuidade ao atual modelo de gestão que guia a big tech ao longo dos anos.
De fato, essa seria a forma de proteger o fundador dos impactos de possível imposto de 5% sobre fortunas de bilionários norte-americanos residentes na Califórnia.
Segundo projeções, a expectativa da gigante de tecnologia é que a receita do quarto trimestre seja de US$ 73 bilhões a US$ 76 bilhões, com despesas em torno de US$ 15 bilhões, resultado de realocação de investimentos para áreas prioritárias, especialmente em IA.
Eleições no Brasil
No Brasil, o Ministério Público Federal (MPF) acionou a companhia com ação em caráter de urgência para garantir a liberdade de expressão e direito à informação durante o período eleitoral.
Isso inclui evitar o banimento e a suspensão de contas de entidades estudantis, veículos independentes de imprensa, jornalistas, comunicadores e movimentos sociais nas plataformas da empresa.
O MPF aponta que a maior parte dos bloqueios foi feito sem justificativa ou com base na infração de regras relacionadas ao terrorismo e exploração sexual infantil.
Segundo a Meta, o bloqueio ocorreu de forma automática, que se aplica a 206.910 itens de conteúdo entre os dias 1 e 5 de outubro, sob critérios do período de silêncio e identificação de IA em conteúdo político.
Organizações como o Artigo 19, Conectas Direitos Humanos, Sleeping Giants Brasil e CTRL+Z denunciaram a Meta à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão.
O órgão também estabeleceu o prazo de 48 horas para que a Meta retorne sobre o cumprimento, e detalhamento, das recomendações sobre o estabelecimento de medidas de transparência e proteção à liberdade de expressão em suas redes sociais.
Nesta semana, o próprio conselho de supervisão da Meta reconheceu falhas recorrentes na aplicação de normas eleitorais, mesmo após a cobrança pelo desenvolvimento de indicadores públicos para mensuração e avaliação das ações em nome da integridade eleitoral à época das eleições de 2022.
“Temos alertado repetidamente que, durante eleições e períodos de tensão política elevada, as falhas na moderação de conteúdo da Meta frequentemente se manifestam de duas maneiras: aplicação excessiva das regras, que suprime a liberdade de expressão política, aplicação insuficiente, que prejudica a integridade eleitoral”, afirmaram os copresidentes do conselho em documento.

