IA e eleições: os desafios que pautam a checagem e educação midiática
Organizações jornalísticas propõem soluções para combater a produção de informações falsas no período eleitoral
Por Larissa Santiago e Thaís Monteiro
A emergência e popularização de plataformas de inteligência artificial generativa vem, desde 2022, afetando o processo eleitoral. Em pesquisa conduzida pela F.biz, 58% dos brasileiros acreditam que a IA influenciará a sua decisão de voto. Para 29%, a tecnologia ampliará a disseminação de conteúdo falso, afetando as escolhas. Apenas 18% preveem que a IA ajudará a tomar decisões mais informadas.
Os órgãos públicos tentam dar contorno às influências da inteligência artificial. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) exige que, uma vez utilizada para produção de contéudo, o candidato deve informar de forma explícita, destacada e acessível que houve uso da manipulação ou fabricação do conteúdo com a IA. Está proibido o emprego da IA para criar deepfakes que favoreçam ou prejudiquem candidaturas. Já as plataformas de IA não devem recomendar votos, favorecer ou desfavorecer candidaturas.
Nas 72h anteriores ao dia de eleição, as regras ficaram mais rígidas. O TSE proibiu publicar, republicar ou impulsionar novos conteúdos produzidos ou alterados por IA que utilizem imagem, voz ou manifestação de candidatos, candidatas ou pessoas públicas. O objetivo é barrar conteúdos que, feitos de última hora, possam afetar o resultado.
Mesmo com as regras, a proliferação de contéudo ainda implica às agências de checagem de fatos um desafio estenso na compreendão de qual conteúdo é verdadeiro ou falso. Tai Nalon, co-fundadora e diretora executiva do Aos Fatos, afirma que as plataformas não investem o suficiente para combater a disseminação de conteúdo falso. Assim, diante do volume ainda grande de fake news, Victor Terra, jornalista e analista de educação da agência Lupa, diz que é necessário discernir qual contéudo pode ter impacto maior para endereçar.
Assim, cabe também à sociedade se inteirar de processos de checagem básicos para não acreditar, reproduzir e compartilhar conteúdo duvidoso, aponta Patricia Blanco, presidente do Instituto Palavra Aberta e idealizadora do EducaMídia.