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Como as canetas emagrecedoras impactam o consumo no Brasil

Com avanço do GLP-1, marcas enfrentam redefinição do orçamento familiar e novos gatilhos de desejo

i 29 de outubro de 2026 - 19h58

Nesta quinta-feira, 29, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou cinco novos medicamentos injetáveis à base de agonistas de GLP-1, as populares canetas emagrecedoras. O anúncio segue na esteira do aumento da oferta dessa classe de medicamentos no Brasil.

Na última semana, um relatório, publicado pelo J.P.Morgan, projetou que o mercado de medicamentos à base de agonistas de GLP-1, como as canetas emagrecedoras, deve chegar a US$ 22 bilhões no Brasil, China e índia até 2035. Para o banco, o mercado dos três países pode crescer a uma taxa média de 15% ao ano.

O avanço seria impulsionado justamente pela redução dos preços e pela ampliação do acesso aos tratamentos. O impacto das canetas não se restringe ao universo farmacêutico e já afeta o orçamento do consumidor. Segundo a Worldpanel by Numerator, o custo anual com as canetas gira em torno de R$ 10 mil e 47% dos usuários afirmam ter reduzido outros gastos para manter a medicação.

“Aproximadamente, 70% dos lares dizem gastar R$ 800 ou mais [mensalmente] com o tratamento. Isso, de maneira geral, independentemente de ser ainda nichado, em lares com nível socioeconômico mais alto, obriga algum tipo de redefinição”, explica Gabriel Fagundes, líder de insights para a indústria na NielsenIQ.

Ao redefinir os gastos dentro dos domicílios, o GLP-1 altera a tomada de decisão em diferentes setores e as estratégias de marketing.

“O que o GLP vai fazer é, basicamente, controlar o desejo. Isso tem tudo a ver com marketing porque, historicamente, temos desejo como um dos gatilhos principais para compra por impulso, consumo de indulgências, promoções”, defende Edmar Bulla, CEO do Grupo Croma.

No primeiro episódio da série “O Novo Equilíbrio”, Fagundes, Bulla e Cleber Dantas, chief data and technology officer do Publicis Groupe Brasil, discutem os efeitos do avanço das canetas emagrecedoras no orçamento dos brasileiros, as mudanças na composição da cesta e as projeções à medida que a produção nacional ganha volume.