Ministério Público notifica Globo sobre dinâmicas extremas no BBB
Órgão pede a readequação de provas e o fim de restrições de acesso à água, comida e banheiro
Na terça-feira, 31, o Ministério Público Federal (MPF) notificou a Globo sobre práticas que ferem direitos de dignidade humana no Big Brother Brasil 2026. O órgão pede a suspensão de restrições a necessidades básicas, como água, comida e banheiro, e readequação de provas que excedem limites de segurança aos participantes.

Investigação foi motivada por incidentes que ocorreram aos participantes do reality (Crédito: Globo)
No início de março, o Ministério Público instaurou um inquérito civil diante de incidentes que ocorreram durante o reality show. São eles: os episódios convulsivos de Henri Castelli durante uma prova de resistência; a dinâmica do Quarto Branco, em que participantes ficaram em reclusão e a participante Rafaella desmaiou em uma prova de resistência; o “exílio” de Breno, que teve que ficar fora da casa em uma dinâmica do jogo; e a necessidade de atendimento médico de Ana Paula e Milena após um castigo do monstro.
O órgão iniciou uma investigação para apurar possíveis práticas de tortura e tratamentos degradantes pela Globo. A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) enviou uma carta ao Ministério Público Federal alegando que as práticas se assemelhavam às técnicas de tortura empregadas durante a Ditadura Militar.
Após a investigação, o MPF determinou que a emissora não deve restringir acesso às necessidades básicas em qualquer dinâmica, vetou provas que exijam mais de três horas ininterruptas em pé, assim como isolamento com exposição contínua à luzes intensas, ordenou a implementação de intervalos regulares para descanso, hidratação e alimentação em disputas longas, pediu a preservação de participantes com problemas de saúde prévios em dinâmicas arriscadas e disse que a Globo deve garantir suporte psicológico por tempo indeterminado aos participantes após a eliminação ou saída do programa.
Segundo o ministério, a liberdade de produção televisiva não deve sobrepor preceitos constitucionais de dignidade humana.
Após a notificação, a Globo deve informar se acatará as determinações do órgão