Caio Ribeiro: das broncas de Telê à maior batalha da vida
Ex-jogador e atual comentarista da Globo repassa trajetória e ensinamentos que extrapolam os campos de futebol

Com uma carreira bem-sucedida no mundo esportivo, iniciada aos cinco anos de idade no São Paulo Futebol Clube e encerrada quando tinha 30 anos, no Botafogo, Caio Ribeiro – como palestrante no primeiro dia de conteúdo do Marketing Network Brasil – relembrou um pouco de sua trajetória para enfatizar aspectos como a importância do trabalho em equipe, liderança e superação.
Em um ano de Copa, quando o esporte que o consagrou fica em evidência, ele prestou reverência a atletas que serviram como influência positiva em sua vida, inclusive de outras modalidades: trouxe, por exemplo, a frase de Lebron James, para quem sucesso não é um estado permanente, mas “algo alugado, com parcelas que se tem de pagar todo mês” ou “aos campeões, o desconforto”, dita por Bernardinho, técnico da seleção de vôlei. Isso para enfatizar que embora talento seja o que basicamente define um atleta de alta performance, esse atributo sozinho não é suficiente no cotidiano e precisa estar atrelado a disciplina, a aprender a lidar com erros, ter responsabilidade e investir em muito treino.
No âmbito do futebol, comentou que uma de suas inspirações foi Cafu, ex-capitão da seleção que no início da carreira foi reprovado em mais de 11 peneiras, mas não desistiu e seguiu se aperfeiçoando. “Porque entendeu que você não controla o resultado, mas o processo, sim”, pontuou Ribeiro.
Também rememorou o drama vivido por Romário, em 1998, quando foi cortado da seleção por um estiramento na panturrilha direita – a despeito do fato de dizer à comissão técnica, liderada por Zagallo, que se recuperaria a tempo – e como jogando com “o baixinho”, teve a chance de fazer um passe para um gol em que Romário daria sua resposta à CBF (fato que o ensinou sobre transformar dificuldade em oportunidade e mudou o status do relacionamento dos dois de colegas de time para amigos, posteriormente).
Já sobre estilos de liderança, Caio exaltou as diferenças entre Tite, “um paizão”, e Telê Santana, “o técnico duro, mas que te faz evoluir”. Foi de Telê, por exemplo, que ele ouviu muitas broncas quando estava em ascensão, era celebrado pelos colegas de time e “com uns quilos a menos e sendo capa da Capricho” arrastava um fã-clube de meninas que o tietavam nos treinos.
Foi Cafu quem o fez interpretar direito as reações de Telê, ou seja, que o técnico, acreditando no seu potencial como atleta, não queria que ele se distraísse com vaidades transitórias. “A partir daí, eu queria tomar bronca sempre do Telê”, brincou.
Mas, a jogada mais dura que Ribeiro teve de enfrentar na vida veio depois que já tinha se aposentado do futebol e migrado para a carreira de comentarista esportivo (que já dura 20 anos): a descoberta de um câncer no pescoço.
Pensando em preservar o filho, então com 11 anos, ocultou a notícia por três meses, quando já estava fazendo radio e quimioterapia. Até que percebeu que isso não seria mais possível. Mas com o apoio familiar e médico e o incentivo de que havia 95% de chance de cura, assumiu a doença e o tratamento abertamente.
No período, inclusive, fez dois eventos do Caioba Soccer Camp, projeto esportivo voltado a crianças, mas de caráter “lúdico apenas e de bons exemplos via esporte”, destaca o atleta para quem é preciso ensinar os pequenos que “vale a pena ser legal, honesto e correto”. Hoje, o Caioba Soccer Camp realiza oito eventos anuais, com cerca de 250 crianças.