TV 3.0: como será a adoção da DTV+ na Globo?
Empresa de mídia estreia recurso durante a Copa do Mundo e propõe experiência híbrida e personalizada

Interatividade é um dos principais atributos da TV 3.0 e na programação da Globo (Crédito: Goroden Koff/Shutterstock)
Há uma semana, o mundo começou a acompanhar mais uma edição da Copa do Mundo Fifa.
Com isso, a Globo, um dos players responsáveis por exibir o torneio, aproveitou a ocasião para estrear o que a emissora considera a nova era da TV aberta: a transmissão em DTV+, ou TV 3.0, que é o padrão evolutivo do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (SBTVD-T).

Os planos da Globo para lançar a TV 3.0
A partir disso, e por causa da DTV+, a Globo unificará, paulatinamente, a transmissão televisiva (broadcasting) à transmissão por banda larga (broadband), o que permitirá maior interatividade aos espectadores.
O torneio, no entanto, é apenas o pontapé inicial da implementação da tecnologia na programação da emissora, que terá grade completa, com transmissão 24 horas, com conteúdo embalado nesse formato.
Com a evolução dessa ferramenta, a Globo entende que isso permite a convergência entre o sinal que é exibido pela empresa e a personalização que é legado da internet.
De fato, essa convergência acontecerá de forma gradual, com a ampliação do que atualmente se define como TV 2.5, e que, com a DTV+, incorporará a transmissão tradicional via antena com o sistema digital.
Na verdade, como resultado, isso deve gerar experiência mais completa no modo como se assiste e se interage com a TV digital aberta.
Leonora Bardini, diretora-executiva da TV Globo, explica que já há algum tempo a empresa de mídia promove a experiência da TV 2.5.
“Entregamos a capacidade de interatividade para as pessoas. Mais ou menos 12 milhões ou 13 milhões de domicílios brasileiros já têm essa tecnologia”, diz.
Televisores e kits TV 3.0
No caso da DTV+, o serviço depende de televisores específicos, que ainda não são fabricados no Brasil. A previsão é que os aparelhos comecem a chegar a partir do ano que vem.
Mas a DTV+ pode ser acessada via kits de TV 3.0, os quais já estão à venda na internet e que são de fabricantes brasileiros como Intelbras e a Aquário.
Por enquanto, contudo, apenas os espectadores das praças de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília terão acesso a esses recursos.
Mudança na lógica criativa
A abrangência da interatividade muda a lógica criativa para o desenvolvimento de programas.
Isso acontece, na verdade, porque o conteúdo poderá ser feito em diferentes dimensões, além de permitir novas possibilidades.
Em um jogo de futebol, por exemplo, o torcedor pode rever lances, votar no craque do jogo ou acompanhar estatísticas.
O conteúdo da teledramaturgia também será expandido a fim de atingir mais pessoas que desejam vivenciar o que é mostrado numa novela.
De certa forma, é como uma versão moderna do programa “Você Decide”, que foi ao ar pela Globo entre os anos 1992 e 2000, e pelo qual o espectador podia decidir o final de cada episódio por meio de ligações telefônicas.
“Essa é só uma das possibilidades, mas podemos aplicar em diferentes níveis, até para os times criativos. O programa reage ao público”, comenta a executiva.
Compra em tempo real
Ainda, na camada comercial, o público poderá comprar em tempo real um produto oferecido durante a programação, seja em novela ou via merchandising de programa de auditório.
De acordo com a diretora, é possível pensar o conteúdo e a jornada de compra do consumidor em todas as layers da programação.
“É um processo que tem sido muito rico, porque você enriquece o nível de informação para quem está assistindo. É possível aprofundar, criar níveis de interatividade e isso vai se integrando”, comenta.
Durante a fase de testes, a Globo tem promovido alguns cases que envolvem a DTV+.
Assim, o Nubank, por exemplo, apresentou odesdobramento da parceria comercial com o Jornal Nacional, que começou em 2023, e passou a patrocinar a exibição de indicadores econômicos ao final dos blocos do telejornal.
No esquema da TV 3.0, foram desenvolvidas oito ativações pelas quais, no início de cada bloco, um ícone na tela permite ao público acessar, por meio do controle remoto, informações em tempo real sobre indicadores como dólar, euro e bolsa de valores.
Com o Mercado Livre, a Globo ativou o patrocínio do marketplace para ampliar a participação do público durante as votações do paredão do Big Brother Brasil.
A funcionalidade ficou disponível durante o Sincerão, dinâmica exibida às segundas-feiras no BBB, e permitia que o público votasse diretamente pela televisão com o controle remoto.
Globo oferece experiência da TV 3.0
Para incentivar o público a acompanhar a evolução da TV digital, além de campanha protagonizada por Sabrina Sato e Nicolas Prattes, a Globo tem, durante a Copa, um estúdio com 300 metros quadrados de painel de LED, desenvolvido com a Sony.
Com essa tecnologia, a empresa faz os primeiros investimentos na interatividade que levará a torcida para dentro dos programas.
Por meio dos portais Globo, os espectadores poderão enviar artes autorais, mensagens e reagir ao conteúdo em tempo real.
A empresa de mídia utilizará dados para entender o sentimento do público com relação ao conteúdo e isso será traduzido em emojis, que aumentam ou diminuem de acordo com as reações.
“A partir de agora, esse estúdio inaugura essa nova era que vem junto com a DTV+, que prioriza conteúdos imersivos e interativos. Esse conceito contribui para esse tipo de engajamento”, apontou Fernando Alonso, diretor de pós-produção e design da Globo, em entrevista ao Meio & Mensagem durante uma visita ao novo espaço.
