Os planos da Globo para lançar a TV 3.0
Padrão deve estrear na transmissão da Copa para regiões de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília

Globo tem planos ambiciosos para DTV+ no Brasil (Crédito: Creative Grid/Shutterstock)
Em setembro do ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o decreto que regulamenta a a DTV+, ou TV 3.0, no Brasil.
Agora, prestes a entrar em vigor, o novo padrão da TV aberta, que pretende unificar a transmissão televisiva (broadcasting) à internet de banda larga (broadband), e que permitirá maior interatividade aos espectadores, ganha novo capítulo.
A Globo pretende estrear o recurso durante as transmissões da Copa do Mundo Fifa, que começa no dia 11 de junho.
Dessa forma, os espectadores que estiverem em determinadas regiões no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília terão acesso a exibições no formato DTV+.

TV 3.0: os desafios da transição tecnológica
O torneio, no entanto, é apenas o pontapé inicial da implementação da tecnologia na programação da emissora, que terá grade completa, com transmissão 24 horas, com conteúdo embalado nesse formato.
Marcelo Bossoni, diretor de tecnologia produção de conteúdo, explica que a Copa do Mundo é o marco para a utilização do DTV+.
Mas não é apenas a Copa. O recurso entra, portanto, em processo de expansão de sua utilização, assim como foi com a implantação da TV digital (o Sistema Brasileiro de TV Digital – SBTVD) e os recursos de transmissão em 4K, que, inclusive, serão amplamente explorados durante a transmissão do Mundial.
“Essa vai ser uma das apostas da Globo para o futuro, não somente das transmissões esportivas, mas de toda a programação”, afirma Bossoni.
Globo quer atrair mais anunciantes
Embora a estreia oficial esteja prevista para acontecer na Copa, há algum tempo a Globo tinha planos ambiciosos para a implantação da DTV+ no Brasil.
Esse, inclusive, foi um dos principais temas debatidos durante seu upfront que aconteceu em outubro do ano passado.
Na ocasião, a empresa de mídia afirmou que já investia em novas oportunidades que permitirão que marcas e agência entreguem publicidade segmentada, interativa e contextualizada na TV aberta.
Para a Copa do Mundo, isso será realidade.
Bossoni, de fato, diz que esse recurso traz dois grandes benefícios para as transmissões, especialmente quando se trata de esportes.
O primeiro é a interatividade do espectador. O executivo afirma que, com a TV 3.0, o usuário passa a fazer parte daquilo que está consumindo.
“Ao longo das transmissões teremos mais possibilidades de o torcedor continuar assistindo ao jogo, mas poder olhar um replay de algo que não foi reprisado ainda”, exemplifica.
O segundo benefício é o poder de atender as marcas em um modelo totalmente diferente do que é feito agora na TV tradicional.
“A área de negócios da Globo já está desenvolvendo pacotes para o DTV+ e envolvendo marcas em experiências diferenciadas”, completa.
O que é preciso para assistir conteúdo de TV 3.0?
Mesmo que não fosse a limitação de cidades abrangidas pela TV 3.0, nem todos os espectadores poderiam acompanhar essa transmissão mais interativa.
Isso se deve ao fato de que, , para ter acesso a esse tipo de conteúdo, é necessário um equipamento específico, ou seja, o conversor.
Assim como aconteceu com o processo da digitalização da TV aberta antes, o DTV+ tem que estar embarcado no televisor.
Portanto, o padrão DTV+ tanto significa atualização de software quanto de hardware.
Novo televisor ou conversor
Ou seja, o telespectador terá que adquirir uma TV com DTV+ – ainda não disponível oficialmente – ou um conversor.
A fabricante chinea ZTE antecipou o desenvolvimento desse conversor no Brasil.
Os primeiros modelos já estão em apresentação e testes em conjunto com o Ministério das Comunicações e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Na ocasião do upfront, Manzar Feres, diretora de negócios da Globo, afirmou que a empresa já está contato com fabricante de TV para evoluir no desenvolvimento de novos negócios no novo padrão da TV digital, mas nenhum nome foi divulgado até o momento.