MWC

AMD avança em iniciativas para redes móveis

Fabricante foca na demanda das teles por chips e soluções de IA na concorrência com a Nvidia

i 3 de março de 2026 - 8h51

A AMD, não há muito tempo, deixou de fabricar apenas placas de vídeo para jogos e processadores para computadores pessoais e passou a investir em chips de data centers para inteligência artificial (IA).

Recentemente, fez acordo com a Meta, proprietária do Instagram, Facebook e WhatsApp, pelo qual a Meta comprará dezenas de milhares de chips AMD para gerar seis gigawatts de capacidade computacional (ou seis bilhões de watts) dedicada a funções que permitem que modelos de IA respondam às consultas dos usuários.

Pelo acordo, portanto, a Meta tem a opção de comprar até 160 milhões de ações da AMD em troca dois seis gigawatts.

AMD e OpenAI

De fato, os termos desse acordo são praticamente iguais aos feitos entre AMD e OpenAI.

Ainda, em outubro do ano passado, ambas anunciaram parceria estratégica plurianual para o fornecimento de chips de IA com o objetivo de desafiar o domínio da Nvidia no setor.

Também nesse caso envolve a implantação de seis gigawatts de capacidade e a OpenAI tem a opção de adquirir ações da AMD, até 10% de participação

Durante o MWC, a AMD mostrou como quer avançar sua presença em redes móveis, área na qual Nvidia tem sido bastante agressiva.

No mês passado, foi divulgada a quarta pesquisa anual da Nvidia, O Estado da IA nas Telecomunicações, com cerca de mil entrevistados.

De fato, a conclusão é que as teles investem muito dinheiro em IA para impulsionar resultados de negócios e os dados refletem isso em todos os aspectos.

Retorno sobre investimento (ROI)

De acordo com o relatório da Nvidia, 90% dos entrevistados disseram que a IA aumenta ativamente sua receita anual enquanto reduz os custos.

As teles relataram, especificamente, impacto positivo igualmente forte de 90% tanto em métricas de receita quanto de custo.

Os principais casos de uso que geraram ROI foram redes autônomas, com 50%, melhor atendimento ao cliente, com 41%, e otimização interna de processos, com 33%.

Também é interessante observar para onde o dinheiro vai: 89% dos entrevistados disseram que aumentarão seus orçamentos para IA nos próximos 12 meses.

De fato, é um grande salto em relação aos 65% que disseram a mesma coisa há um ano.

Assim, entre esses aumentos de planejamento, 35% esperam que os orçamentos cresçam mais de 10%.

Redes autônomas

A automação de rede agora superou a experiência do cliente como prioridade máxima para investimento, implantação e impacto no retorno do investimento em IA, segundo a Nvidia.

A pesquisa revelou, ainda, que 65% das teles disseram que a IA é a principal força por trás de seus esforços de automação de rede.

AMD e Open Telco AI

Por tudo isso, agora, no MWC, a AMD mostra como apoia iniciativas abertas e colaborativas da indústria, como a Open Telco AI.

A GSMA, entidade que organiza o MWC, acaba de abrir um novo fórum que reúne as necessidades da indústria de conectividade.

A ideia da entidade é que a iniciativa Open Telco AI faça pela tecnologia o que sua iniciativa Open Gateway, há dois anos, fez para APIs de rede.

A GSMA afirmou que o progresso da IA, até então, havia negligenciado em grande parte as necessidades específicas das teles, o que a levou a unir seu conhecimento com fornecedores, desenvolvedores da tecnologia e academia.

“Os modelos de IA de hoje ainda ficam aquém da complexidade, precisão e confiabilidade que a indústria de telecomunicações exige”, disse Louis Powell, diretor de Iniciativas de IA da GSMA.

IA generativa e LLM

A GSMA afirmou que a implantação de IA generativa em operações de rede é de 16% e quer aumentar esse valor.

Portanto, um Índice de Capacidade de Operadoras está sendo fornecido para medir o desempenho do modelo em uma variedade de tarefas específicas do operador.

Assim, portal dedicado para iniciativas de Open Telco AI oferece acesso a vários recursos.

Que incluem grandes modelos de linguagem (LLM) para otimização e manutenção de rede, biblioteca de materiais relevantes para os padrões GSMA, acesso a ativos computacionais, benchmarks e atividades de engajamento.

Por tudo isso, a AMD, com AT&T, TensorWave e outros líderes, participará do Open Telco AI.

O projeto, ainda, oferece novos modelos open-telco da AT&T, computação da AMD e hospedagem pela TensorWave para ajudar a escalar a implantação.

Na colaboração, dessa forma, GPUs da AMD treinam os modelos de IA Open Telco para transformar conjuntos de dados e benchmarks compartilhados em modelos práticos focados em teles sobre os quais o ecossistema pode se basear.

Treinamento de modelos de teles

De fato, treinar modelos do nível das teles é um marco crítico, mas entregar impacto real em redes ao vivo depende de uma camada de software que transforme modelos em serviços repetíveis, governados e escaláveis.

Para as teles, portanto, isso cria um caminho prático de modelos treinados em domínio para serviços de IA de produção que incluem automação de rede e inteligência operacional.