Opinião MWC

Por que a conectividade 5G não garante a segurança operacional?

Diante de um panorama de ciberameaças impulsionadas por IA, precisamos desconstruir o mito de que uma conexão 5G equivale a uma operação protegida

Marcos Oliveira

Country Manager da Palo Alto Networks no Brasil 4 de março de 2026 - 10h30

No Mobile World Congress, a narrativa dominante costuma ser pautada pela velocidade, posicionando o 5G como o alicerce da transformação digital. E isso é verdade. Mais do que um novo passo na evolução das telecomunicações, o 5G é o tecido conectivo de um futuro que já está em curso. Por trás da promessa de latência quase zero e fábricas inteligentes, porém, há um erro conceitual que pode custar caro à reputação das empresas: a crença de que uma conexão rápida é, automaticamente, uma operação segura.
Como líderes empresariais, devemos ser claros sobre o fato de os dados viajarem por um “tubo” criptografado e moderno não significa que o destino, a origem ou o processo sejam imunes às ameaças.

Na era do 5G privado e da Inteligência Artificial (IA), a segurança é a base da confiança do cliente e da continuidade do negócio.

Historicamente, partimos do princípio de que qualquer pessoa ou dispositivo que estivesse “dentro” da rede corporativa era automaticamente confiável. A lógica era simples: se passou pelo firewall e entrou, pode operar. O 5G muda essa dinâmica porque deixa de ser uma infraestrutura física, fechada e previsível, e passa a ser amplamente virtual, definida por software e altamente distribuída. Nesse cenário, o antigo “muro” que separava o que está dentro e fora praticamente deixa de existir.

Dispositivos, aplicações e usuários se conectam de múltiplos pontos, muitas vezes de forma remota e dinâmica.

Por isso, alinhar-se a padrões internacionais como os do ETSI (Instituto Europeu de Normas de Telecomunicações), não é um capricho técnico, mas uma questão estratégica de resiliência e reputação. Adotar uma abordagem de Zero Trust, ou Confiança Zero, em ambientes 5G significa abandonar a confiança automática. Cada acesso precisa ser verificado continuamente, independentemente de onde venha. Afinal, não podemos proteger aquilo que não monitoramos nem questionar aquilo que presumimos seguro por padrão.

Uma brecha em uma rede 5G não interrompe apenas uma linha de produção. Ela pode comprometer dados sensíveis, expor parceiros e corroer, em segundos, anos de construção de marca. Em um ambiente tão dinâmico, a segurança precisa nascer junto com a arquitetura da rede, e não ser adicionada depois como um remendo.

Estratégias para evitar crises

Um dos maiores desafios para os executivos hoje é gerir a explosão de identidades. Em uma rede 5G, identidades humanas convivem com milhares de dispositivos IoT (Internet das Coisas) e sensores OT (Tecnologia Operacional). Como proteger este ecossistema sem sacrificar o desempenho que o 5G promete?

A resposta é a segurança por segmentos e identidade. Devemos agrupar essas identidades em políticas de segurança dedicadas. Ao fazer isso de forma automatizada, garantimos que um sensor comprometido em uma determinada área não se torne a porta de entrada para um sequestro de dados corporativos, tudo isso sem adicionar latência. A agilidade do negócio não precisa ser inimiga da sua defesa.

Da mesma forma, com o auge da IA, as ameaças quadruplicaram sua velocidade. De acordo com o Relatório Global de Resposta a Incidentes 2026 da Unit 42, o uso da IA permite que os cibercriminosos reduzam o tempo desde o acesso inicial até a exfiltração de dados para apenas 72 minutos nos incidentes mais velozes. Isso torna a detecção manual de ameaças simplesmente obsoleta.

Para combater a IA maliciosa é necessária a IA defensiva. A capacidade de bloquear vulnerabilidades e neutralizar ataques em tempo real em ambientes 5G é o que separa uma empresa resiliente de uma que protagoniza as manchetes por uma crise de segurança. Não se trata apenas de tecnologia; trata-se de gestão de crise proativa. Uma marca que demonstra controle total sobre sua infraestrutura digital transmite uma narrativa de estabilidade e modernidade.

A conectividade 5G é o motor da inovação, mas não é uma solução de segurança por si só. Para os tomadores de decisão, o foco deve mudar de “como nos conectamos” para “como operamos de forma segura”. Prevenir uma crise reputacional começa com a aceitação de que a rede é um organismo vivo. Para além das promessas de hiperconectividade, o MWC também deve discutir um ponto essencial: a verdadeira vantagem competitiva não está apenas na velocidade da sua conexão, mas na integridade inabalável da sua operação.