O que muda na rota da inovação corporativa?
Cleber Dantas, Inaiara Florêncio e Renata Petrovic discutem como equilibrar orçamento e evolução tecnológica
No mês passado, o Cubo Itaú e a consultoria Innoscience apresentaram o relatório Profissão Inovação, que analisou o conteúdo de mais de 40 mil publicações de profissionais que se autodeclaram como profissionais de inovação nas redes sociais. Entre os achados, o relatório encontrou 2.485 profissionais que contam com inovação em seu cargo.

Cleber Dantas, chief data & technology officer do Publicis Groupe no Brasil; Inaiara Florêncio, sócia e co-CEO da Gana; e Renata Petrovic, head de inovação do Bradesco e responsável pelo ecossistema Inovabra, concorrem na categoria Profissional de Inovação, do Caboré (Crédito: Divulgação)
Eles estão distribuídos em toda a hierarquia organizacional: gerentes, heads, diretores e C-level. Dentro desse universo, pelo menos dois terços (69,7%) chegaram à função a partir de 2021 e apenas 78 pessoas da amostra já começaram sua carreira em cargos ligados à inovação. A maior parte dos profissionais migrou de áreas como tecnologia (18,3%), engenharia (11,9%) e estratégia (10,6%).
Ao mesmo tempo, o setor vive um desafio e precisa equacionar ferramentas que evoluem de maneira cada vez mais acelerada e companhias pressionadas pelo ambiente econômico e com menor disposição ao risco e a experimentação.
É nesse ambiente que Cleber Dantas, chief data & technology officer do Publicis Groupe no Brasil; Inaiara Florêncio, sócia e co-CEO da Gana; e Renata Petrovic, head de inovação do Bradesco e responsável pelo ecossistema Inovabra, concorrem na categoria Profissional de Inovação, do Caboré.
Dantas assumiu a inovação do Publicis no Brasil depois de nove anos na AB InBev. Sua última posição foi como vice-presidente de martech da companhia de bebidas em Nova York. Antes, ele passou pela Ambev no Brasil.
Florêncio começou sua carreira em conteúdo e comunidades. Teve passagens pela Sunset Comunicação, Blu365, Social QI e na SunsetDDB. Em 2020, se uniu como sócia na Adventures e, depois, seguiu para a edtech Galena e o Mercado Bitcoin. Em 2024, em sociedade com a Gana, a executiva apresentou a Oju, agência de conteúdo focada na construção de estratégias de marketing de conteúdo aliadas à inovação.
Já Petrovic começou sua carreira na Ford Motor Company, onde permaneceu por 12 anos e passou por países como Inglaterra, Estados Unidos e Alemanha. Depois, fundou uma empresa focada em pesquisa e inteligência de mercado e seguiu para uma passagem na Toshiba. Em 2011, ingressou no HSBC e permaneceu durante a compra pelo Bradesco. A executiva faz uma distinção entre o que é profissional inovador e um profissional de inovação.
Para a head do Bradesco, enquanto o profissional inovador é aquele que consegue transformar curiosidade em ação e pode estar em qualquer área da organização, o profissional de inovação precisa também dominar os processos de criação de inovação e facilitar sua aplicação em toda a companhia.
“A principal mudança dos últimos anos é a velocidade com que as tecnologias e transformações do mercado impactam os negócios e isso exige do profissional inovador monitorar constantemente os sinais externos, ampliar continuamente o repertório e estar disposto a desaprender práticas que funcionaram no passado para reaprender à medida que as evoluções acontecem”, pontua Petrovic.
O CDTO do Publicis Groupe também narra uma mudança. Segundo ele, durante muitos anos, a inovação foi sinônimo de grandes investimentos, laboratórios e ciclos longos. Isso mudou e, agora, o processo envolve ferramentas mais acessíveis e maior velocidade.
Dantas conclui: “O profissional inovador não é aquele que tem o maior orçamento, mas quem compreende profundamente o problema, tem coragem de testar e capacidade de transformar ideias em soluções reais. O profissional inovador, acima de tudo, é alguém movido por uma curiosidade incansável”.
Outra mudança seria o fato de a inovação ter sido, por muito tempo, relacionada exclusivamente à tecnologia. Hoje, Florêncio aponta que esse conceito se abre para outras perspectivas como o comportamento, a cultura, os dados e a própria imprevisibilidade humana.
“Um profissional inovador é alguém que consegue ler mudança, entender contexto, conectar repertórios diferentes e transformar essa leitura em alguma coisa concreta. Pode ser uma campanha, um produto, uma metodologia, uma empresa, uma nova forma de organizar um time e até mesmo uma tecnologia. Inovação, para mim, precisa sair da ideia e ganhar consequência”, afirma a co-CEO da Gana.