Produtores de conteúdo destacam relevância na era da atenção fragmentada
CazéTV, CNN Brasil e O Globo reinventam estratégias para manter engajamento em cenário de IA
Em um ambiente de mídia caracterizado pela crescente fragmentação da atenção do público e pela aceleração de transformações impulsionadas pela inteligência artificial, os indicados ao Caboré na categoria Produtor de Conteúdo enfrentam o desafio contínuo de se manterem relevantes e indispensáveis para os consumidores, sejam eles cativos ou não. Os players convergiram em uma estratégia que assume a necessidade de se reinventar constantemente e de estabelecer conexões autênticas e de confiança com a audiência.

Casimiro Miguel, Ju Cabral, Luis Felipe Freitas e Fernando Campos destacam a força do esporte ao vivo; João Vitor Xavier, da CNN, e Alan Gripp, de O Globo celebram a busca da audiência em múltiplos pontos de contato (Crédito: Divulgação)
Em um ambiente de mídia caracterizado pela crescente fragmentação da atenção do público e pela aceleração de transformações impulsionadas pela inteligência artificial, os indicados ao Caboré na categoria Produtor de Conteúdo enfrentam o desafio contínuo de se manterem relevantes e indispensáveis para os consumidores, sejam eles cativos ou não. Os players convergiram em uma estratégia que assume a necessidade de se reinventar constantemente e de estabelecer conexões autênticas e de confiança com a audiência.
Produtor de conteúdo: a força da linguagem nativa
Este foi o primeiro ano em que a CazéTV transmitiu integralmente os 104 jogos da Copa do Mundo de forma gratuita pelo YouTube. A LiveMode, dona da marca, afirma que o feito resultou em recordes de pico de audiência na plataforma de vídeo. Outra conquista do canal foi o lançamento de sua plataforma de tênis, reforçada com a contratação do jornalista Fernando Nardini. Tratando-se de negócios, a empresa estreou sua operação em Portugal com a transmissão da Copa do Mundo no canal LiveMode TV. Atualmente, a empresa conta com 450 colaboradores.
A escalada do negócio, de um canal de produção de conteúdo para um veículo que disputa direitos, atenção e negócios com grandes emissoras, tornou a operação complexa. Porém, a CazéTV se orgulha por manter autenticidade, linguagem própria, agilidade e proximidade com a comunidade com a qual fomenta uma relação de confiança. “A Copa foi a maior prova disso: conseguimos falar com milhões de pessoas simultaneamente mantendo uma linguagem próxima, espontânea e participativa”, afirma Christian Mutzig, sócio da LiveMode.
Diante da fragmentação da atenção do público, a CazéTV se apoia no conteúdo que mobiliza um número maior de pessoas e que vem se tornando uma das bases do negócio: esportes ao vivo. “É um dos poucos conteúdos capazes de reunir milhões de pessoas, ao mesmo tempo, em torno de uma mesma emoção”, descreve o executivo. A empresa investe em linguagem espontânea e participação da audiência para tornar a experiência mais coletiva e propõe às marcas a participação para encontrar, juntos, formas de contar histórias sem interromper o público. “Quando existe essa confiança, surgem ideias que dificilmente nasceriam de uma relação tradicional entre veículo e anunciante”, diz Mutzig.
Para o próximo ano, a LiveMode transmitirá, integralmente, a Copa do Mundo Feminina, realizada no Brasil, e o circuito do Women’s Tennis Association (WTA). Para o ano seguinte, a empresa prepara a transmissão da UEFA Euro 2028 e os Jogos Olímpicos de Los Angeles.
Expansão de formatos: estratégia do produtor de conteúdo
A CNN Brasil apostou em reforçar a identidade da marca homônima como player indispensável no jornalismo político, econômico e hard news e, ao mesmo tempo, expandir seu território de cobertura para duas novas verticais de conteúdo estratégicas: Infraestrutura e Agronegócio. “O grande aprendizado é que uma empresa de mídia relevante precisa ser construída sobre processos sólidos, governança, equipe altamente qualificada e uma coerência inegociável no dia a dia”, pontua João Vitor Xavier, CEO da CNN Brasil.
Com uma equipe de 600 colaboradores diretos e 400 da Rádio Itatiaia, com a qual mantém parceria, a CNN Brasil coloca o compromisso com o jornalismo responsável e isento e com o impulsionamento de negócios e geração de riqueza como pautas diárias. A expansão da cobertura em verticais visa a ampliação do diálogo com setores produtivos e novas camadas da sociedade. Ainda nesse esforço, a empresa estuda levar a marca para TV aberta e criar uma rede nacional de rádios, elevando a capilaridade da informação, da entrega e do valor para parceiros comerciais. “Quer o público esteja na TV conectada, no site, no aplicativo ou nas redes sociais, ele encontra a nossa marca com a mesma entrega de excelência. Nosso compromisso é gerar relevância real para conquistar o tempo e a atenção das pessoas”, explica Xavier.
Além de adentrar novos meios, a CNN Brasil investe em soluções de inteligência artificial para clientes. A mais recente foi a criação do GEO for Brands, que ajuda marcas a ampliar sua relevância e presença nas respostas geradas por ferramentas de IA e grandes modelos de linguagem (LLMs). Além disso, trabalha para tornar sua marca uma das primeiras fontes de informação consumidas por essas tecnologias. Nas parcerias com marcas, a CNN visa destacar atributos como credibilidade, relevância, segurança de marca, impacto e prestígio na disputa pela verba de anunciantes.
Relação permanente
A expansão da CNN para alcançar a audiência em múltiplos pontos de contato encontra forte paralelo na evolução de O Globo. O jornal, originalmente impresso, passou a se estruturar como um ecossistema vivo de relacionamento contínuo com o leitor. A missão de capturar o tempo e a atenção do público diante da pulverização de canais coloca as duas empresas na busca contínua por inovação na entrega de conteúdo. Perante o presente e futuro marcado por transformações da IA, a premissa é se reinventar e criar soluções sem perder sua identidade. “O maior aprendizado é que não podemos ter medo de mudar. Foi assim com a internet, com as redes sociais e agora com a inteligência artificial. Em todos esses momentos, precisamos rever certezas, abandonar práticas consolidadas e aprender novas maneiras de trabalhar”, coloca Alan Gripp, diretor de redação de O Globo.
Ao mesmo tempo em que a inteligência artificial pode apresentar ganhos de produtividade, sua capacidade de produzir respostas não deve ofuscar o trabalho jornalístico, afirma Gripp. Para o executivo, a pandemia demonstrou o interesse da população em informações confiáveis diante da proliferação de informações falsas e previsões alarmistas. O publisher se apoia na credibilidade e confiança de sua marca centenária. “Essa confiança, é claro, não é um patrimônio adquirido para sempre. Precisa ser renovada todos os dias, com independência editorial, rigor e compromisso com os fatos”, acrescenta.
A redação integrada de O Globo e Extra, que soma 350 profissionais, se dedica a estar à altura do que o público pede e do histórico do veículo em múltiplos formatos e plataformas, com reportagens exclusivas, investigações, análises, grandes coberturas e informações de serviço, adotando uma estratégia de relacionamento permanente com o consumidor, não mais diária. O veículo amplia sua presença em vídeo, redes sociais, newsletters e canais de comunicação direta com os leitores.
“Queremos que O Globo seja cada vez mais indispensável para seus leitores. Parece uma ambição simples, mas é enorme num ambiente em que a atenção das pessoas está cada vez mais fragmentada”, diz Gripp. Outro desafio é conquistar novos públicos sem perder a proximidade com aqueles já conquistados.