Lideranças dedicam-se à formação de talentos e cultura
Erh Ray, Guga Ketzer e Marcos Trindade focam em descentralização para garantir sustentabilidade do negócio
O contexto dos indicados à categoria de Dirigente da Indústria da Comunicação é marcado por uma revisão profunda no papel da liderança. Enquanto a tecnologia e o cenário econômico criam pressões por processos acelerados e resultados positivos, eles se preocupam em revisar estruturas corporativas, talentos, propor uma gestão descentralizada e formar os líderes que sustentarão o futuro dos negócios dos quais são fundadores ou sócios.

Erh Ray (BETC Havas), Guga Ketzer (Suno United Creators) e Marcos Trindade (FSB Holding) disputam prêmio de dirigente do ano (Crédito: Divulgação)
Ao mesmo tempo em que a tecnologia se torna parte da estratégia central das empresas, com metas de faturamento e receitas relacionadas a produtos com inteligência artificial (IA), e a necessidade de desenvolver serviços focados na tecnologia, a manutenção do capital humano, como criatividade, relações de confiança e valor reputacional, se tornou encargo do líder.
Rever papéis e delegar esteve na agenda de Erh Ray como principal desafio e conquista do último ano. Em maio, o executivo fez a transição de CEO da BETC Havas, função que ocupou nos últimos 12 anos, para chairman da agência, enquanto apoia a nova liderança, ocupada por Camila Nakagawa como CEO e copresidente e Diego Alonso como copresidente. “É uma mudança muito maior do que simplesmente trocar de cadeira. Estou aprendendo a exercer influência sem necessariamente exercer o comando, entender quando devo entrar, quando devo sair, quando falar e, principalmente, quando ficar quieto”, reflete.
O executivo fundou a BETC Havas em 2014. Antes disso, criou a BorghiErh com José Henrique Borghi, que se tornou BorghiErh/Lowe na fusão com a Lowe em 2006. A sociedade surgiu no trabalho de dupla criativa que exerceram na DM9DDB. Ray também integrou a criação da Standard Ogilvy & Mather, Vangarde, Centro de Propaganda, Bureau, Paim Lautert & Macedo e Upper. O executivo integra o Global Creative Council do Havas, mantendo-o conectado à agenda criativa global do grupo. Erh já foi indicado ao Caboré na categoria Profissional de Criação em 2000.
Apesar de todas as mudanças de cargo, Ray sustenta que a transição para chairman é sua transformação mais radical. “Quando você funda uma empresa, existe uma tendência natural de achar que precisa estar em tudo. Estou descobrindo exatamente o contrário: que maturidade também é saber construir uma empresa que não dependa de você para funcionar”, coloca. O desafio é manter-se conectado e cuidando do negócio, pessoas, clientes e do exercício criativo sem interferir, controlar ou ocupar o espaço da liderança atual. Para ele, se trata de um exercício de desapego e descoberta. Como chairman, Ray continua envolvido, sobretudo, nas relações, sejam elas institucionais, com novos clientes, em criar oportunidades de negócio, em decisões estratégicas, preservação da cultura e nas conversas sobre criatividade. Atualmente, a BETC Havas mantém 500 colaboradores no Brasil.
Atração de talentos
Construir uma empresa não é apenas fazê-la crescer, mas também prepará-la para continuar crescendo sem que seu fundador precise estar no centro dela. O momento atual de Guga Ketzer, fundador e CEO da Suno United Creators, também passa pela descentralização da figura do fundador. “É menos sobre o Guga e muito mais sobre as outras pessoas”, afirma. Para o executivo, empreender e construir uma empresa passa pela capacidade de atrair os melhores talentos para que desenvolvam suas carreiras internamente.
A Suno United Creators soma 250 colaboradores. A gestão dessa equipe é a principal missão de Ketzer. “Um dos maiores desafios é fazer com que os desafios das pessoas que trabalham aqui sejam superados”, avalia. Concomitantemente, a agência lida com os reveses da ascensão da IA e a imposição de repensar o negócio. Este ano, a Suno prevê que 15% da receita venha de produtos de IA. Para 2027, o objetivo é quadruplicar esse valor. “O mundo está passando por um momento assustador e excitante ao mesmo tempo, na mesma medida. E esse é o ambiente que todo empreendedor adora”, diz.
Ketzer tem origem no departamento de criação. O executivo foi redator da agência Escala. Depois, integrou os times da Loducca e Talent e voltou à Loducca como sócio e vice-presidente. Foi vencedor do Caboré em 2009 na categoria Profissional de Criação. A criatividade segue em pauta na rotina do executivo, mas direcionada a solucionar problemas de forma inovadora e entregar, assim, valor aos clientes.
Subindo a régua
A transição da liderança com foco em gestão de talentos é descrita por Marcos Trindade, sócio e CEO da FSB Holding, como a passagem de construtor da empresa no dia a dia a formador de sócios e lideranças que levarão o negócio adiante. A descentralização também é importante no cenário da FSB Holding. O objetivo de Trindade é constituir um conjunto forte de gestores, não se tornando dependente de um único líder.
Atualmente, a holding trabalha com gestão de reputação, relações públicas, publicidade, influência, relações governamentais, audiovisual, inteligência de dados e pesquisa, ESG, comunicação interna
e conteúdo através das marcas FSB Comunicação, Loures, Giusti, Jota, Alia (antiga Calia), Santeria, Seta, Nexus, Beon, Deck, Involv e Bússola. São cerca de 80 executivos responsáveis por conduzir uma carteira de aproximadamente 500 clientes.
Este ano, a holding vivenciou a integração e renovação da operação da Calia, adquirida pelo grupo há menos de um ano, e o reposicionamento da Jota, aumentando a oferta do conglomerado em publicidade e reputação, e a criação do Repcom, projeto que sedia debates sobre reputação, credibilidade, atenção
e demais assuntos do mercado. Trindade ingressou na empresa na área financeira e de controladoria em 1992. Três anos depois, tornou-se sócio e, em 2021, CEO. O executivo também é fundador do Rituaali Clínica & Spa. Este ano, Trindade lançou Reputação em Tempos de Incerteza, livro escrito em parceria com a jornalista Fabiana Ribeiro.
A agenda do CEO está focada em atrair mais talentos competentes para entregar valor e qualidade aos clientes, acompanhar e contribuir para o desenvolvimento dos melhores colaboradores indicados pelos sócios-diretores, aprender das novas gerações, garantir proximidade com clientes para antecipar novas demandas, e em revisar processos, preparando uma nova estrutura para abraçar as possibilidades criadas pela IA, que muda a forma de trabalhar, tomar decisões, comunicar-se e cuidar da reputação das marcas.
“À medida que a FSB Holding cresceu e se tornou um ecossistema de negócios, meu papel deixou de estar tão concentrado na operação e passou a envolver cada vez mais o desenvolvimento das lideranças, a cultura, a estratégia e a reputação do grupo. Isso exigiu uma evolução da nossa governança, com a distribuição de responsabilidades e a ampliação do protagonismo dos nossos sócios e executivos”, afirma.


