Agência de Comunicação

Agências reforçam estruturas para sustentar crescimento

Indicadas ao Caboré 2026, Africa, Publicis e We, ampliam carteiras, reorganizam equipes e apostam e integração

i 9 de outubro de 2026 - 11h32

Crescer sem perder identidade talvez seja uma das equações mais difíceis para uma agência de publicidade. Para Africa Creative, Publicis Brasil e We, indicadas ao Caboré 2026 na categoria Agência de Comunicação, a questão ganhou contornos concretos ao longo deste ano. As três ampliaram negócios, reorganizaram departamentos e investiram em tecnologia e talentos, mas partem de momentos distintos para desenhar os próximos passos.

Caboré 2026: Agências de Comunicação

Africa Creative, Publicis Brasil e We concorrem na categoria Agências de Comunicação (Crédito: Divulgação)

Veterana na premiação, a Africa Creative tem na estante quatro corujas (2023, 2020, 2012 e 2005) e, no último ano, se dedicou a estruturar a casa para responder à complexidade do mercado, sem renunciar à criatividade como DNA, afirma Marcio Santoro, sócio, copresidente e CEO. “Nosso movimento foi organizar o negócio em unidades especializadas para dar profundidade técnica às entregas, garantindo que tudo funcione sob a mesma cultura”.

Nessa esteira, segundo o executivo, a agência organizou frentes como a Africa94, voltada para o universo do futebol, bem como o trabalho realizado neste ano para sete patrocinadores da Copa do Mundo; e a Baobab, em Nova York, que conecta marcas brasileiras ao mercado global. Além disso, houve o fortalecimento de outros hubs focados em inteligência de dados, mídia e design.

Outro pilar de investimento, no âmbito da tecnologia, foi a inteligência artificial (IA) como “ferramenta amplificadora da capacidade humana”, pontua Santoro. A Africa apostou sobretudo em treinamento interno e infraestrutura de plataformas para que a tecnologia resolva o processo mecânico e crie mais tempo para os times se dedicarem às ideias.

Na carteira de clientes, o CEO cita a conquista das contas da farmacêutica EMS; MBRF Pet (com marcas como Biofresh, Guabi Natural e Grand Plus); Intimus, da Kimberly-Clark, além da mídia de Huggies e Plenitud, do portfólio da mesma companhia. Entre os cases importantes do ano estão “Feito de Fernandas”, criado em parceria com a Globo para Itaú; “The Big Drop”, para Budweiser; e “Tá Liberado Acreditar”, para Brahma.

Talentos no centro

A Publicis Brasil, vencedora no Caboré em 2021 e 2016, se concentrou em pessoas, tanto em treinamentos (especialmente em IA para 100% do time) quanto em contratação. A agência dobrou de tamanho em 12 meses, chegando a cerca de 600 pessoas, resultado da conquista de 11 clientes: Santander, Nivea, Red Bull, Adidas, Alta Diagnósticos, Grupo Accor, Sam’s Club, Dolce Gusto, Purina Latam, Mattel e me Magnum Ice Cream Company.

Além do olhar estratégico para aquisição de talentos, Gabriela Borges, presidente da operação, afirma que o ano também foi marcado por um trabalho forte de revisão de verticais dentro de cada conta. “Isso foi feito para garantir a eficiência de todas elas, movendo processos e as pessoas para as cadeiras certas quando necessário e entregando um serviço cada vez mais multidisciplinar e de alta performance”, diz.

Algumas campanhas se destacaram ao longo do ano, como “Donate to Play”, para Grupo Pulsa e Ubisoft, e “Na Conta da Dor”, para Dorflex, premiadas no Cannes Lions. No Effie Awards Brasil, a Publicis foi destaque com “A Demissão do Coelhinho da Páscoa (Capibarra)”, criada para Hershey’s, além de “Donate to Play”. “Confirmamos ao mercado nosso apetite em voar criativamente, entregando o melhor resultado da agência em Cannes, sendo igualmente relevante no Effie. Os resultados abrem as portas para que possamos investir ainda mais na frente de reputação criativa em 2027”, antecipa Gabriela.

Unificar e crescer

Estreante na corrida pela coruja, a independente We tem feito importantes movimentações nos negócios, como a unificação da operação com a LVL. Conforme Beto Campos, coCEO da agência, em seis meses, houve a conquista de seis contas, o que resultou em 21% de crescimento em comparação com o mesmo período de 2025.

O executivo diz que tecnologia, inovação e IA estiveram entre as principais frentes de investimento. A busca se volta sobretudo para “pivotar modelos e formatos” que podem dar agilidade e automação em muitos pontos da empresa.

As novas contas foram QI Tech, Keeta, Cinemark, Cruzeiro do Sul e Jovi. Juntamente a isso, a We ampliou o escopo no atendimento a BYD com a marca Denza e passou a atender, como grupo, a Cinemark, liderando a estratégia, enquanto Area 51 e IDK dão suporte em dados e CRM. Para BYD, a agência criou ações como “The Prompt Project”, “O Preço da Mudança” e “Novelaverso”. “De um ano para cá, muita coisa mudou. Traçamos planos ambiciosos, com investimento considerável em pessoas e em tecnologia para suportar o crescimento da operação e entrega diversificada para os clientes. A indicação ao Caboré é um reconhecimento, mas também é resultado das parcerias que nos permitem fazer o nosso melhor trabalho”, comemora Fabio Rosinholi, coCEO da We.

Oportunidades para agências

Ao projetarem os próximos passos, as três agências colocam criatividade, tecnologia e pessoas no centro das estratégias, embora traduzam essas prioridades de acordo com seus modelos de negócio. Na We, a perspectiva é ampliar o uso da IA e seguir investindo em talentos, apoiando-se na estrutura independente para ajustar rotas com agilidade e manter a proximidade com o mercado brasileiro.

Na Publicis Brasil, a continuidade desse movimento passa por uma transformação permanente, sustentada por tecnologia, dados e criatividade, ressalta Gabriela. A aposta é acompanhar as mudanças culturais e de consumo para responder aos desafios de negócio e desenvolver trabalhos que ampliem a relevância das marcas na vida dos brasileiros.

Já para a Africa Creative, inovar também significa sustentar impacto criativo em escala. A agência busca preservar uma cultura em que a criatividade orienta o negócio, enquanto autonomia, escuta e projetos relevantes ajudam a atrair e reter talentos, fortalecer as relações com os clientes e renovar a operação sem diluir sua essência.