A busca pelo equilíbrio entre criatividade e dados
Em agências ou anunciantes, profissionais de mídia lutam para manter o protagonismo do olhar humano, mesmo diante das transformações tecnológicas

Fernanda Saboya (Heineken), Luiza Valente (DPZ) e Natália Calixto (Grupo Boticário) estreiam como indicadas ao Caboré (Crédito: Divulgação)
Há pouco mais de 30 anos, para uma campanha viralizar era preciso pensar em uma estratégia direcionada para alguns veículos de massa. Anúncios em páginas de revistas, comerciais nas emissoras de rádio e de TV, outdoors. A internet como é conhecida hoje não existia, mas começava a dar os primeiros passos com sites simples e estáticos. Com a evolução digital, esse trabalho ficou bem mais complexo, com inúmeras opções disponíveis e uma gama de dados expressiva. Os profissionais de mídia são os responsáveis por traduzir todo esse movimento para as estratégias das marcas.
Do lado das agências, existe um trabalho de integrar os especialistas de cada área, como explica a vice-presidente de mídia da DPZ, Luiza Valente. A executiva acredita que o papel da área, vista como multidisciplinar, é chegar ao melhor plano para cada comunicação e amarrar a estratégia dos diversos meios. “A cadeira do mídia está em constante transformação. Hoje não existe um perfil para esse profissional, é um conjunto”, frisa Luiza.
Já do lado das marcas, um dos desafios é a construção de imagem e reputação a longo prazo, sem perder a clareza dos objetivos mais urgentes. Para Natália Calixto diretora executiva de gestão e valor do consumidor do Grupo Boticário, exige uma capacidade muito maior de fazer escolhas, estabelecer prioridades e transformar a complexidade da profissão em decisões que gerem valor para o negócio e para as pessoas. “O profissional de mídia precisa transitar por diferentes universos simultaneamente — é um ambidestro por natureza. É necessário compreender o papel da mídia na jornada do consumidor e como cada decisão contribui para os objetivos de uma marca”, comenta.
Nesse cenário, a diretora de marketing do Grupo Heineken, Fernanda Saboya, aponta que o principal desafio de um líder de mídia é encontrar o equilíbrio entre a criatividade e os dados. “É preciso buscar eficácia e eficiência, mas também deixar espaço para a experimentação, para a criatividade e para o risco, que é o que tem nos levado mais longe até agora”, frisa.
