Produção

Produtoras buscam equilíbrio entre qualidade e eficiência

Kaus, Modernista e Live Nation relatam desafios para manter a qualidade diante de orçamentos apertados e novas demandas

i 20 de outubro de 2026 - 10h51

Produtoras Kaus, Modernista e Live Nation - indicadas ao Caboré 2026

Kaus, Modernista e Live Nation concorrem ao Caboré 2026 na categoria Produção (Crédito: Divulgação)

Produzir bem já não basta. Em um mercado pressionado por custos, prazos e orçamentos, as produtoras precisam encontrar formas de preservar a qualidade enquanto ampliam suas possibilidades de negócios. Entre grandes shows, filmes publicitários e novos formatos audiovisuais, o desafio é equilibrar excelência e eficiência sem perder de vista a saúde das operações. As três estreantes indicadas ao Caboré 2026 na categoria Produção traduzem esse cenário em frentes distintas. Kaus e Modernista partem do audiovisual, enquanto Live Nation atua no setor de grandes shows.

Para os sócios da Kaus, Del Reginato e Thiago Mascarenhas, o mercado brasileiro vive um momento de transformação importante. Há a demanda crescente por conteúdo, mas, ao mesmo tempo, o modelo de produção passa por uma tensão entre eficiência, prazo e orçamento.

“O principal desafio é encontrar equilíbrio entre excelência e eficiência. Produzir filmes de alto nível exige bons profissionais, tempo, planejamento e recursos”, diz Reginato. “Ao mesmo tempo, os projetos estão mais pressionados por prazos e orçamentos. Precisamos encontrar soluções criativas com estruturas mais eficientes”, frisa Mascarenhas.

Alexandre Lucas, sócio-fundador da Modernista, concorda e inclui a migração de investimentos para o digital, “com custos de produção muitas vezes irreais”, e períodos longos para pagamentos como outras duas questões importantes na dinâmica atual. “A produção audiovisual exige cada vez mais profissionalismo, assertividade e profissionais comprometidos em fazer o melhor trabalho. O fato de o Brasil não ter conquistado nenhum Leão em Film no Cannes Lions em 2024 e 2026 explica muito sobre a crise vivida no audiovisual publicitário”, analisa.

Outro ponto de atenção é a complexidade, tendo em vista que, hoje, uma produtora precisa lidar com diferentes formatos, plataformas, mercados e expectativas. Isso, diz Reginato, exige uma estrutura adaptável, sem que a empresa se torne pesada demais.

Já no segmento de entretenimento e produção de shows, o panorama é desafiador e, também, estimulante, comenta o vice-presidente sênior da divisão de concerts da Live Nation Brasil, Alexandre Faria. A demanda por grandes eventos segue alta, mas o público está mais seletivo e exigente quanto à excelência em toda a experiência. Ao mesmo tempo, logística, câmbio e infraestrutura para estádios e arenas de maior porte seguem também sob pressão.

“Nosso desafio diário é sustentar o ritmo e a qualidade das grandes produções em um contexto de custos de estrutura mais elevados no pós-pandemia. A chave está em equilibrar uma experiência memorável para o fã com sustentabilidade financeira da operação, sem renunciar à segurança, à qualidade e à inovação que o mercado passou a exigir”, diz.